quinta-feira, 12 de junho de 2008

EU EDUCADOR



Hoje estou estreando meu blog novo,(http://www.paulinhoinfo.blogspot.com/) trata-se de um blog de tecnologia, vai ser tipo como se fosse um instrumento para dar aulas, vou usá-lo para me comunicar melhor com meus alunos, estou pensando em umas coisas novas pra implementar o curso que dou, e o blog é uma delas. Descobri que adoro dar aulas de informática, descobri que posso mudar muita coisa, que posso fazer qualquer coisa como professor, ai lembrei que sou professor, sou pedagogo por diploma, quase ninguém sabe, as vezes, nem eu mesmo lembro. Mas tudo isso faz parte, pois não gosto de estreitar meus horizontes dessa forma, quando me perguntam o que sou, digo que eu sou eu, sou os livros que leio, os filmes que assisto, as musicas que faço, os poemas que recito, as comidas que gosto, e principalmente as pessoas que amo. Acho pequeno demais quando alguém se restringe a ser um médico, ou engenheiro simplesmente, como se isso fosse à coisa mais importante da vida, nossa profissão não nos define, eu e você somos grandes demais para cabermos em uma profissão, eu sou eu, dentro disso sim, cabe muita coisa, dentro do “eu” que sou “eu” tem muita coisa, tem um pouco de psicólogo, escritor, musico, poeta, inventor, professor e etc.... Gosto de variar, é legal, hoje por exemplo eu acordei educador e resolvi escrever sobre educação, são 21:00 e preciso terminar de escrever logo, pois não sei o que serei amanha. Fico feliz por isso, vejo os meu colegas de universidade choromingando por ter perdido o emprego de pedagogos contratados, ficam apenas lamentando como se só existisse essa profissão no mundo, pois a partir do momento em que terminaram sua graduação, todas as outras portas se trancaram, não podem mais fazer outra coisa, não sabem mais fazer nada que não seja dentro de uma escola. Dessas pessoas eu tenho pena, pois estreitaram seus horizontes, melhor teria sido nunca ter passado por uma faculdade, desaprenderam, se auto-podaram, empobreceram. A universidade não deveria servir pra isso, seu papel e justamente o oposto, deveria ser um alargador de horizontes, um corredor de portas, uma lente de aumento. Mas sabem por que isso não ocorre? Porque nosso ensino universitário é enciclopédico, estão ensinado seus alunos a decorar, por exemplo os pedagogos, decoram pedaços deslocados de pensamentos de Paulo Freire, Piaget, Emilia Ferreiro, Vygotsky (a maioria não sabe pronunciar). Decoram também que não podem ser “tradicionais”, e que tudo que se diz “tradicional” está errado, se alto intitulam modernos e renovadores, pois assistiram o filme Sociedade dos poetas mortos, a maioria não entende, mas sabem que quem assiste automaticamente se torna revolucionário, ai acham que sabem de tudo e vão dar aulas pros pobres macaquinhos sem entendimento, com seus planejamentos rigorosamente bem planejados de baixo do braço mantém a disciplina e não deixam ninguém falar na sala de aula, e muito menos conversem com o colega do lado, perguntas? Só as do exercício. Ai vão formando mais uma geração de pessoas que não sabem pensar.
Mas o que mais gosto é da arrogância, de achar que sabem de tudo, pois aprenderam tudo na “faculdade”, pobres coitados, não sabem nada, não aprenderam o principal, que é pensar, plasmar seu próprio caminho, trilhar sua própria vida, resolver seus próprios problemas, Leonardo Boff os chama de “agalhinhados” seres que só olham pra baixo em busca das migalhas que os outros jogam. Lembro de um ensaio de um economista brasileiro chamado Stephen Kanitz que li a alguns anos, dizia ele ter sentido muita dificuldade nos primeiros meses na Harvard Business School, nos EUA pois lá, diferentemente do Brasil, o ensino é pautado no aluno e não no professor, enquanto ele foi ensinado que emitir sua opinião na escola regular brasileira era passível de punição, nos EUA era obrigação, era obrigação que todos falassem e dessem suas próprias opiniões a respeito do estudado, dizia ele que sua maior frustração foi ter tido como professor os maiores economistas do mundo mais que ficavam na maioria do tempo calados, ouvindo.Resumindo, nossos professores tem que aprender a ficar calados, deixar que haja interação, conversa, que se aprenda agir coletivamente. O professor brasileiro tem que parar de falar besteira e deixar de mandar os alunos calarem a boca. Nossas escolas estão cheias de professores que não valem a pena. Tem caso que é melhor deixar a criança ficar em casa assistindo a Ana Maria Braga e a Tv Globinho, aprende mais.
Não adianta nada para um estudante de economia decorar toda obra de Adam Smith, ele foi brilhante no seu tempo, mas os problemas que ele resolveu, raramente vão voltar a se repetir, ou seja, de nada vai adiantar o conhecimento enciclopédico acumulado se o aluno não formular sua própria solução. Não adianta nada aprender a calcular a equação de segundo grau se não se sabe onde usar, nem o que é ditongo tritongo e hiato sem saber o principal.
Nossa educação virou uma operação bancária, cheia de burocratas, vomitando artigos da LDB, secretários de educação fazendo lotação, informando o Censo Escolar, carimbando papeis, contando carteiras, e reclamando do “sistema”, fazem isso como se só fosse isso, mas não é, está faltando idéias, ninguém sabe pensar, ninguém tem proposta educacional, plano de educação, nada. Não adianta reclamar do “sistema” sem nem saber o que é realmente o “sistema”, só porque é moda reclamar e colocar toda a culpa nele, não adianta ficar reclamando da falta de verbas, é preciso pensar, construir soluções com o que temos, como o professor que construiu flautas de bambu para seus alunos e ensinou arte de uma maneira diferente no sertão. O que está faltando não é só dinheiro, mas principalmente mentes capazes de planejar.
De tudo, estou empenhado a ensinar meus alunos a pensar. Quero que eles sejam melhores do que eu, essa é minha missão, deve estar pensando o professor que está lendo esse texto,
- que loucura desse cara
Mas é isso mesmo que eu quero, quero que pensem por si só e me superem, pois só assim saberei que minha capacidade de ensinar a pensar foi maior, até mesmo, que meu conhecimento, isso sim, é saber das coisas.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

NAS CURVAS DA VIDA


Há algumas semanas fui ao médico, pra cumprir o ritual estabelecido, disse a ele tudo o que ele estava querendo ouvir, ele ficou feliz, claro, mais um paciente curado, porem devo continuar o tratamento para que o mal não volte. Mas curado de que? O que eu tinha? Me perguntou uma senhora, então ela disse:
-Me disseram que você estava ficando doido de tanto mexer nesse negócio de computador.
Achei engraçado e disse que não era nada disso, então ela insistiu e perguntou, o que era então?
Fiquei calado por mais ou menos 10 segundos fingido não ter ouvido pra vê se ela esquecia, mas que nada, ela continuava me olhando esperando uma resposta, fiquei desconcertado e sorri pra ela e disse:
-Não se preocupe que não estou ficando doido não.
Mas ela continuava me olhando, depois saiu sem resposta alguma minha. Mas ai eu me perguntei, o que eu tinha mesmo? Tenho que me responder.
Ando meio recolhido, não saio muito de casa, trabalho do computador e do celular, as vezes sinto medo das pessoas, sei que muitos me acham estranho, já ouvi falar que dizem que eu não gosto da vida, que não me divirto como os outros, mas não é verdade, não é sempre que não gosto da vida, e as vezes eu me divirto também, só que ninguém percebe, meu semblante é frio, meus gestos calculados, minhas aparições agendadas e minhas palavras contadas, não gosto de receber visitas sem aviso prévio, isso faz com que eu não planeje a cena, me deixa embaraçado, vou a igreja quando tudo está sobe controle, o meu rosto está bonito. Preciso mostrar para os irmãos que estou bem, que minha vida é só luz. Mas espera um pouco, eu também queria conversar, ficar de perna pro ar, falar besteira e palavão, eu também sou rebelde falo a verdade doa a quem doer, fico indignado com injustiça, sou romântico, inconseqüente, falante e sincero, que busca sempre a verdade, que chuta o pau-da-barraca e diz: Isso não é verdade. Mas como pode ser, duas pessoas tão contraditórias? Entendi quando li Lya Luft, em seu livro O silêncio dos amantes em que a personagem de uma das crônicas se partia em duas por um relâmpago mágico, e sua segunda pessoa totalmente oposta à primeira, desconcertava o que “parecia” perfeito na vida daquela mulher. enquanto a primeira levantava cedo para seus afazeres, a segunda continuavas na cama dormindo ate tarde, e enquanto a primeira fazia a janta a segunda vestia saias curtas e ia para as festas da noite aproveitar a curta vida, a primeira fazia seu trabalho e a segunda de pernas pro ar com um cigarro nas mãos zombava da caretice dela, até que um dia a pressão foi tão grande que as duas trocaram de lugar, a primeira foi pra trás de espelho e a segunda ficou no mundo real para ver como é que era, então ficou para sempre, pegou a estrada abandonou tudo, casa, marido, “amigos” família e nunca mais ninguém a viu.
Sabe o que aconteceu comigo? O mesmo, meu segundo eu se apossou de mim, depois que o primeiro pegou uma queda e tropeçou para o outro lado do espelho. Então o segundo disse umas verdades pro mundo, queria pegar meu carro e sair a 160 por hora, dizer tudo que tinha pra ser dito, fazer tudo que tinha para ser feito, fazer valer a verdade e ver um bocado de gente indecente pagar pelo que fez. Fazer um monte de gente imunda chorar e desejar nunca ter nascido, fazer muita gente ir embora e deixar a vida de gente de bem em paz, lavar as escadarias com verdade e justiça, rasgar a cortina da hipocrisia e dar um soco na cara de cada canalha que se faz de amigo subir no púlpito da igreja e dizer que Deus não é surdo e nem mercenário, sair atrás de cada ladrão que conheço e dar uma surra em praça pública pra todo mundo ver. Mas ai me pegaram, me levaram no psiquiatra,disseram que isso é loucura, precisa de remédio pra dormir, pra poder jogar o meu segundo eu pra dentro do espelho e puxar o primeiro de volta. Então assim fizeram.
Fiquei um tempão sem olhar no espelho, tinha medo que ele me puxasse, mas agora já olho, ele pede pra que eu chegue mais perto, continua me zombando, vou pensar no caso dele, se ele se comportar quem sabe eu não faça um trato com ele e pegue alguns idiotas nas curvas da vida.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Desculpem-me

peço perdão por passar esse tempo todo sem postar, prometo que não farei mais isso.
tambem vou estar mais organizado, prometo pelo menos um texto por semana, e algumas coisas do meu dia-a-dia.
não postarei mas videos interessantes nem dicas de informática, pra isso vou criar outro blog que depois vou postar o endereço aqui, pois esse blog aqui, adquiriu um formato que é só dele e não cabe muito ficar colocando outras coisas, gosto de ser leonardo, mais vou ser mais organizado. tchau.....

OBS: por favor, não tenham vergonha, pode comentar, inclusive pode ser anonimo, pois só vou publicar postagens novas quando tiver pelo menos 3 comentários, feito o trato?

até a próxima.

Que bom que você se casou


Eles se casaram, que bom, gosto de casamentos, apesar de tão raros hoje em dia, gosto de lembrar o que passava na minha cabeça as vésperas de meu casamento, todo mundo dando conselhos, me dizendo como deveria fazer, o que iria acontecer, ou mesmo que não deveria casar, pois ainda não era hora, como se a vida marcasse hora pra tudo. Quero lhes dizer, que tudo que me falaram era besteira, primeiro porque a vida não marca hora com ninguém, e segundo porque ninguém disse o que aconteceria na minha vida, o que eu vivi foi único, ninguém disse que eu viveria, os conselheiros de plantão apenas me disseram o óbvio, disseram que eu passaria por muitas crises, por muitas decepções, por muitos desencontros, frustrações, me disseram pra tomar cuidado com os ciúmes e não deixar toalhas molhadas sobre a cama, me disseram que eu deveria sair pra trabalhar bem cedinho e nos finais de semana me dedicar a família, ir a igreja, receber os parentes, beber uma cervejinha, conversar sobre carros, política e, sobretudo, mostrar que eu sou a melhor pessoa do mundo (conversa de macho), que faço parte da melhor e mais bem estruturada família do universo, que tudo de errado só acontece com os outros, que sou seguro e bem sucedido, que só levo vantagem nos negócios que faço, que vou trocar de carro no final do ano e que vou comprar um apartamento na capital logo logo. Tudo bobagens, fiz ao contrario, fui eu mesmo, não vivi pra agradar ninguém, apenas fui eu. Não posso dizer que fiz tudo certo, e que não há coisas das quais eu não me arrependa, mas tudo que fiz, tenho a consciência de que eu escolhi, sofri por mim mesmo, e sobretudo amei por mim mesmo.

Não vou dar conselhos de casamentos, pois como já disse, acho isso dispensável , vou apenas contar algumas histórias, e falar de algumas coisas que aprendi.

Acho que poucas pessoas conhecem o Oswaldo Montenegro, digo poucos pois “os bons andam meio esquecidos” , de tudo que ele faz, acho ele um grande poeta e um excepcional músico. Mas a principal injustiça não é ele ser pouco lembrado, mais principalmente, ele, quando lembrado, ser lembrado por apenas uma obra, e toda e qualquer coisa que ele faça depois, por melhor que seja, nunca ser apreciada. Acho isso um castigo muito grande para um artista. Lembro que uma vez li que o cantor Ritchie, depois de um tempo, desejava nunca ter gravado o hit menina veneno, pois depois dessa musica ele nunca mais conseguiu cantar mais nada, ninguém deixava, dizia ele, ser torturante ter que cantar a mesma música por mais de vinte e cinco anos. Dizem que teve show que ele teve que cantar 7 vezes a mesma música,quando passava na rua todos o chamavam de menina veneno, acho que até hoje fazem isso. Assim fazem com Oswaldo Montenegro, todo mundo só conhece a música Lua e flor, pois foi tema do Sassá Mutema na novela o Salvador Da Pátria de 1989. Depois disso ninguém mais se permitiu ouvir mais nem uma música dele. Uma pena, pois todo mundo não sabe o que ta perdendo, ele também tem uma musica chamada Leo e Bia, linda canção que todos deveriam ouvir

No centro de um planalto vazio,
Como se fosse em qualquer lugar,
Como se a vida fosse um perigo,
Como se houvesse faca no ar.
Como se fosse urgente e preciso,
Como é preciso desabafar,
Qualquer maneira de amar valia,
E Léo e Bia souberam amar.
Como se não fosse tão longe,
Brasília de Belém do Pará,
Como castelos nascem de um sonho,
Pra no real, achar seu lugar.
Como se faz com todo cuidado,
A pipa que precisa voar,
Cuidar de amor exige mestria,
E Léo e Bia souberam amar.

Dessa música tirei uma das mais belas lições de vida que alguém pode tirar, aprendi que “castelos nascem de sonhos” e não que sonhos só nascem em castelos, para amar, não é preciso estar em castelos, se pode amar e sonhar em qualquer lugar, não é preciso ter um bom emprego, um grande apartamento ou muito dinheiro para poder se apaixonar, para se apaixonar é preciso apenas entrega, transparência, ternura, doçura e uma pitada de friozinho na barriga. Ninguém pode dizer qual à hora de se apaixonar, é coisa que acontece, acontece no quarto pequeno na casa dos pais, na casa humilde alugada com sacrifício, na cozinha improvisada perto do banheiro, do quartinho de bebê decorado com todo carinho, com toalhinhas bordadas a mão com muita paciência. O amor e a paixão nasce assim, com essas coisas simples, isso é saber amar, e Leo e bia souberam.

Tenho pena das pessoas que nunca passaram pelo feitiço do apaixonamento, há muitos pesadelos em grandes castelos, tenho pena das pessoas que esperaram o “tempo certo” e casaram com a “pessoa certa” e formaram a “família certa” delas foi privada a capacidade de sentir, de dar o próprio sentido a sua vida, só lhe restou à fria opção da razão alheia. Todos estão felizes com ela, sua mãe, seus tios e avôs, pois arrumou bom casamento, de família, de estabilidade, moço de dinheiro, mas no fundo tudo é muito triste na perfeição que Lhe atribuíram. Tem gente que faz assim, gente que vive por toda a vida para satisfazer a falsa idéia de felicidade que as pessoas lhe atribuíram, ai a vida lhe parte em duas, aquela pessoa que acorda cedo, faz o café, arruma as crianças para a escola, lava roupa, faz comida e espera a volta do marido, e aquela outra pessoa que fica imaginando como seria a vida se tivesse escolhido um caminho diferente, fica imaginando estar em lugares legais, com roupas e pessoas diferentes, sem ter que corresponder à infernal expectativa de ninguém, de ter que fazer café ou arrumar as roupas de filho-de-uma-égua de marido nem um, de não ter de acordar cedo por ninguém, de não ficar rindo de graça pra gente chata, de não ter que fazer sala pra gente fofoqueira, perder o final de semana com gente mesquinha , imaginam tudo isso com muita tristeza.

Um dia li um texto adaptado da Oração da Gestalt em um livro de Ruben Alves que dizia o seguinte:

Eu sou eu, você é você,

Eu não vim para o mundo para satisfazer as suas expectativas,

E nem você veio ao mundo satisfazer as minhas,

E quando a gente se encontra,

É bom.

Achei que era verdade a bela poesia, mas ai, aprendi, de maneira dura, que não é verdade, em se tratando de casamento de apaixonados, “eu tenho que ser você e você tem que ser cada vez mais eu”, essa é a química da paixão, quando dois são um, corações no mesmo compasso, friozinho na barriga, panela de pipoca na cama e gargalhadas altas de bobas brincadeiras. “Eu só eu e você é você” é pra casamento de contrato, é pra casamento com data de validade no rotulo, casamento bancário. De “eu ser você” também aprendi que dois erros não formam um acerto, e um erro nunca justifica e nunca justificará outro.

As vezes fico imaginando as pessoas que não sabem amar, também não conseguem ouvir a beleza por trás das letras de Oswaldo Montenegro, fico imaginando as pessoas que não sabem amar (só fingir) que acham que o dinheiro tudo compra, também não sabe sentir friozinho na barriga. Fico imaginando as pessoas que não sabem amar dando conselhos.

- O que ele te deu nesses anos todos de casamento?

Ai imagino a resposta de alguém que já passou por uma experiência verdadeira de amor.

- Me deu dois lindos filhos, e isso você não pode sentir, porque dinheiro nenhum pode comprar.

Que bom que você se casou minha irmã Nathalia (ou Francisca) espero que você seja Bia e que de tudo, mesmo com toda dificuldade, saiba amar, o resto se compra.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

sábado, 10 de maio de 2008

Quando Você Voltar

Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre
Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.
Já brigamos tanto mas não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você
Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
E saiba que te amo

Quando eu penso em você

Recebi vários e-mails de pessoas reclamando sobre o texto “Diga que nossa vida é luz” me acusaram de ter admitido ser ateu, pelo amor de Deus, eu não disse isso, por favor entendam, eu não disse que não acredito em Deus, e muito menos critiquei a fé de qualquer que fosse, não citei o nome de nem uma religião, apenas disse algumas coisas das quais não acredito mais, ou quem sabe eu nunca tenha acreditado de verdade, como já tinha dito, o Deus que eu acredito está a minha espera em algum lugar tranqüilo, longe dessas discussões e mentiras que dizem dele.

Há dez anos atrás estava saindo da musica gospel para tocar o que realmente eu sentia, ousei escrever letras mais profundas e em 2001, depois de muito desgaste, fui expulso da igreja por divulgar a música “Quando eu Penso em você” na rádio da cidade de onde morávamos, não posso dizer que não senti, talvez essa tenha sido uma das maiores frustrações da minha vida, mas depois consegui entender que as coisas eram bem mais profundas e complexas do que eu pensava, tinha muito interesse particular envolvido. Minha musica foi taxada como “ofensiva aos princípios cristãos” ou seja, não se encaixava nos padrões de musica que um evangélico podia cantar, não tinha as palavras fogo, nem gloria, aleluia ou satanás, e musica evangélica no Brasil que não tenha essas palavras, não é considerada musica que possa ser cantada por “crente”. Graças ao meu Deus verdadeiro há 7 anos me expulsaram da igreja. Assim pude realmente me libertar e não me alienar e me tornar mais um fanático sedento de palavras de extremismo para viver. Não preciso ouvir Cassiane e nem fingir que gosto dessas entidades chamadas ministérios, onde são cantadas músicas de 12 minutos no meio de uma gritaria imensa. Não preciso acreditar na cara de pau do Silas Malafaia, tentando extorquir, o mísero salário mínimo, de pobres, desesperados, através da televisão.

Mesmo depois de 7 anos, “Quando eu penso em você” continua sendo ofensa para os princípios cristãos de muitos, para mim, continua sendo uma linda poesia que fiz inspirado em uma linda pessoa, e só nos remete a coisas belas.

Quando eu penso em você

Paulinho\Socrates

Se eu for embora fica a minha canção,

Se eu for embora fica o meu coração.

Se fores, são flores ao amanhecer,

Meu maior detalhe foi você.

São palavras que se cruzam lá fora,

Vem do fundo dos teus beijos de agora,

É a força que trás o caminho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

As flores um dia morrem,

Mas enquanto estão aqui são eternas.

Es eterna, e mesmo sendo eterna

Jamais estarás só

Jamais estarás só

Jamais estarás.......

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Menina linda, és a minha canção,

Hoje eu tenho dentro do coração.

Pois tu és as flores ao amanhecer

Meu maior presente foi você.

São palavras que se cruzam lá fora,

Vem do fundo dos teus beijos de agora,

É a força que trás o caminho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Muito ofensivo não? Tem tanta coisa mais ofensiva por ai, as vezes me da até pena. Mas o que importa mesmo e que existem muitas músicas que nos aproximam muito mais de Deus do que muita porcaria com selo de gospel.

Quando Eu Quero Falar Com Deus

Roberto Carlos

Quando eu quero falar com Deus, eu apenas falo
Quando eu quero falar com Deus, às vezes me calo
E elevo o meu pensamento, peço ajuda no meu sofrimento
Ele é pai, Ele escuta o que pede o meu coração
Quantas vezes falando com Deus, desabafo e choro
E alívio pro meu coração eu a Ele imploro
E então sinto a Sua presença, Seu amor, Sua luz tão intensa
Que ilumina o meu rosto e me alegra em minha oração

Quanta paz, quanta luz
Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a ele conduz
Deus é pai, Deus é luz
Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus

É tão lindo falar com Deus, em qualquer momento
Deus que vê uma folha que cai e é levada ao vento
Não existe onde ele não esteja e Ele pode escutar nossa voz
Deus no Céu, Deus na terra, onde esteja, está dentro de nós

Quanta paz, quanta luz
Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a Ele conduz
Deus é pai, Deus é luz
Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus

Quanta paz, quanta luz
Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a Ele conduz
Deus é pai, Deus é luz
Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus

Quanta paz, quanta luz
Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a Ele conduz
Deus é pai, Deus é luz.

Ouçam música que lhe façam bem, independente do que digam pra você, ouçam musicas que lhe elevam em espírito, que lhe traga paz. Assim como essa canção dos Beatles ( a maior banda de todos os tempos) que traduzi para todos nós

The Beatles - In My Life

Em minha vida

Há lugares que me lembram
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns se foram e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, que ainda me lembro
Alguns estão mortos e outros estão vivendo
Em minha vida, já amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o ternura
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que sempre vou pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais você

Em minha vida...
Eu amo mais você

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Diga que nossa vida é luz

Antes de começar a ler este texto quero que vocês façam uma coisa, quero que enquanto estiverem lendo, leiam ouvindo a música “Relicário” do Nando Reis, cantado por ele e a Cássia Eller. Caso você esteja no blog basta abrir outra pagina do blog e clicar no nome da musica, mas se você está lendo esse texto impresso ligue o som e coloque o Cd acústico MTV Cássia Eller e a vá até faixa 11, depois aconselho a ouvir o Cd inteiro, mas para ler este texto ouça somente essa música.

Sabe.... agora eu estou sentindo uma dor tão doida, tão difícil de dizer, talvez na verdade só quisesse explicação, isso me faz lembrar das mães de filhos desaparecidos. É preferível a dor da certeza da morte, com a dor se acostuma, se convive, mas com a duvida não, não tem como conviver. Da duvida nunca se esquece, acho que essas pobres mulheres devem acordar nas noites barulhentas de chuva e sentir uma triste esperança, e pairando sobre essa esperança, imaginar seu filho desacolhido, na chuva, em um lugar de onde não se pode voltar e nem gritar, de um lugar escuro e triste em que não se pode mandar nenhuma mensagem de vida, de um lugar aonde ninguém pode fazer nada, essas mães também não podem fazer nada, pois elas não sabem de onde vem a dor, eu também não sei, não sei de onde vem parte da minha dor, não sei dizer por que estou morrendo a cada dia que passa, me destruindo a cada minuto, afastando-me das pessoas que me fazem bem. Nesse momento estou cercado do nada, dos meus filhos só me restou o silêncio, um silêncio tão triste, um silêncio insuportável, deixo seus brinquedos espalhados pela casa e saio, para que quando eu chegue, tenha a falsa idéia de que eles ainda estão aqui, fico na sala para poder imaginar que eles ainda estão no quarto. Assim vou enganado minha saudade. Assim vou no meu ciclo de dor que gera dor, não é justo o que acontece comigo, o que fizeram comigo, como diz Nando Reis:


O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou


O mundo está ao contrário e ninguém reparou”, ninguém consegue reparar depois de suas cercas, tudo e muito injusto e no fundo só há fingimento de compaixão, todo mundo está muito ocupado com sua própria diversão, estão transformando tristeza em show pra alimentar mentes doentes, ninguém sabe como a mãe da Isabella está sofrendo, acham que tudo é Big Brother, se entendessem de verdade seu sofrimento, não assistiriam programas que exploram seu sofrimento em cima do tumulo de sua princesinha. Meu Deus industrializando tudo, estão enlatando sofrimento e vendendo pra população. Tinha prometido não escrever sobre Isabella pois simplesmente essa maldade não tem nome, não existe palavra, disso não se pode escrever.

Eu estava em paz quando você chegou” Tristeza maldita, ainda consigo lembrar da felicidade, lá no fundo. Você chegou e foi me dominando aos poucos, ano após ano, achei que tinha aprendido a conviver com você, mas tinhas uma carta na manga, tinha uma cilada preparada. Tenho que admitir que lhe subestimei, sabias que com meus filhos você nunca me venceria. por isso você me tirou eles, você sabe no que somos mais fracos. Tristeza maldita.

Não tomarei mais anti-depressivos, não há ninguém que me convença, acho que isso é desonestidade com meu corpo, estou tentando engana-lo, não quero ser enganado por ninguém, para isso tenho que começar por mim, estava exigindo das pessoas o que eu não fazia comigo mesmo, eu também sou injusto. Isso me causa muita dor de cabeça e inquietação, mas isso é o preço que estou pagando por ter enganado meu corpo, tudo que fazemos tem um preço, que precisa ser pago pelo que fazemos de errado e esse e meu preço, só não paga o preço quem não esta disposto a se libertar, só não se paga o preço quando tudo é fingimento, e quando o valor que juramos ser valoroso, não é tão valoroso assim. Quero voltar a ser eu mesmo independente das conseqüências.


O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for.....

.....O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô...
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor

O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?
...está fazendo assim?


Quis acreditar nos seus milhões de vasos sem flor, quis acreditar no que você quis me dizer. Trocaria a eternidade que as pessoas querem me dar pra que essa noite fosse realmente verdadeira Não sei o que aconteceu de verdade, por que me disseram mentiras? Frases sem cor? Por que quebraram meu relicário de amor? Não sei por que estão fazendo assim, o que estão fazendo comigo? Por que que está fazendo assim? ...está fazendo assim? Mas isso não faz com que me revolte com Deus, sei que ele não tem culpa, sinto, às vezes, que ele está triste também, pois Ele sabe o que tem no meu coração, não sei onde Ele esta agora, mas é esse Deus que eu acredito, não acredito nesse deus mesquinho que querem que eu acredite, nesse deus preconceituoso e cheio de ódio que aproveitadores estão pregando pelas praças, nesse deus engaiolado, submisso de engravatados farsantes buscadores de dinheiro fácil. Perdoem-me quem estou desapontando, mas nesse deus eu não acredito, prefiro acreditar em um Deus que me espera em algum lugar tranqüilo.

Aqui estou eu, sem ninguém com quem conversar e nem ouvir, aqui estou eu, com meu silêncio como companhia, aqui estou eu como as pessoas juraram que eu nunca estaria, aqui estou eu simplesmente sozinho, ninguém pode saber o que estou sentindo, o quanto estou triste, o quanto a saudade está me doendo, ninguém sabe, talvez nem eu mesmo saiba. Queria pedir ajuda, mas já não sei como, talvez essa poesia do Renato Russo possa falar por mim, ela chamasse Sagrado Coração, não chegou a virar musica pois ele se recusou a cantá-la, talvez sua letra e sua melodia já fossem suficientemente bonitas para dividirem espaço, semelhante a alguns amores que de despedem.


Sei que tenho um coração
Mas é difícil de explicar
De falar de bondade e gratidão
E estas coisas que ninguém gosta de falar

Falam de um lugar
Mas onde é que está?
Onde há virtude e inteligência
E as pessoas são boas e sensíveis
E que a luz no coração
É o que pode me salvar
Mas não acredito nisso
Tento mas é só de vez em quando

Onde está este lugar
Onde está essa luz?
Se o que vejo é tão triste
E o que fazemos tão errado?

E me disseram!
Este lugar pode estar sempre ao seu lado
E a alegria dentro de você
Porque sua vida é luz

E quando vi seus olhos
E a alegria no seu corpo
E o sorriso nos seus lábios
Eu quase acreditei
Mas é tão difícil

Por isso lhe peço por favor
Pense em mim, ore por mim
E me diga:
- Este lugar distante está dentro de você
E me diga que nossa vida é luz
Diga que nossa vida é luz
Me fale do sagrado coração
Porque eu preciso de ajuda

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Ovelhas adoram futebol

Mais Um texto Feito na universidade, os professores odiavam, e eu adorava ser diferente. esse e o primeiro texto de critica social que disponibilizo, espero que gostem.

OVELHAS ADORAM FUTEBOL.

Os ratos estão tomando conta, sim é verdade, eles estão em toda parte, em todos os lugares, estão amedrontando as pessoas de bem, estão tomando as nossas casas a força, estão tirando nosso precioso sono, sinceramente, não sei se podemos fazer muita coisa, só sei que tem cada vez mais ratos, eles aumentam muito a sujeira, e sujeira, como sabemos, atraem mais ratos, é um ciclo.

Existem basicamente duas espécies de rato, os ratos que são ratos mesmo e não tem vergonha de se assumir, e outros são ratos que fingem que não são, esses são os mais perigosos, são tinhosos e traiçoeiros, eles lhe roubam de maneira mais voraz que os outros ratos que assumem que são ratos, fazem isso pois tem contrato com os gatos, que teoricamente deveriam nos proteger dos ratos, mais que no fundo, agora, depois do contrato com os ratos-que-dizem-que-não-são-ratos, viraram gatos-raposas, um perigo para nós pessoas de bem que somos as ovelhas, eles deixaram de perseguir os ratos e começaram a nos perseguir. Agora somos perseguidos pelos ratos-que-são-ratos os ratos-que-dizem-que-não-são-ratos e o que é pior pelos gatos-raposas. Os gatos-raposas são impiedosos, fazem o que querem, estão do lado da lei.

Mas onde está a lei? Ela está representada, no momento, pelos porcos, fazem qualquer sujeira, e bota sujeira nisso. No momento, estão aliados com os ratos, muitos deles eram ratos que promoveram-se a porcos.

Então o que fazer agora? Quem são os que escolhem os representantes? Somos nós ovelhas, então porque não escolhemos uma ovelha para nós representar? Ai poderíamos prender todos os ratos porcos e raposas, e poderíamos viver em paz, o que falta para fazermos isso? O problema é que tanto os porcos como os ratos são espertos, eles se protegem, os ratos mantém os porcos no poder, em troca ganham cargos especiais, tomam conta da nossa educação, saúde, segurança, distribuição de água e de tudo mais, e sempre em períodos de escolha de representantes eles dão as ovelhas doses cavalares de uma droga chamada televisão, essa droga faz com que porcos e ratos se pareçam com ovelhas e assim fazem com que as pobres sempre escolham os mesmos representantes. então porque não proibimos a televisão? Deus nos livre, as ovelhas já são dependentes, se proibíssemos a televisão as coitadinhas morreriam, preferem ficar assim.

Mas, nunca uma ovelha chegou ao poder? Sim já, porém a maioria vira porco quando chega até lá, dizem até que o nosso atual representante, um ridículo porco de barbas, já foi uma ovelha no passado. mas não sei se dá pra acreditar, ele é muito experiente no que se diz respeito a sujeira, acho que ele sempre foi porco. Sim, quer dizer que não tem jeito, os porcos podem fazer tudo? Não existe justiça? Sim, existe sim, são as antas, cada vez mais gordas e lentas. só que essas antas não são simples antas, são antas especiais, são antas cegas, dos dois olhos, elas ficam sempre tomando conta de uma vara, uma subordinada a outra até chegar na anta maior, a mais gorda e poderosa, só que essa anta também é diferente, ela enxerga, enxerga porque é escolhida pelo porco maior, o de barbas.

Pois bem, o que podemos concluir e que estamos perdidos, não adianta fazer nada, estamos cercados e sozinhos, não adianta se trancar, os ratos-que-são-ratos sempre arranjam um jeito de lhe roubar, e quem dera se fosse apenas os ratos-que-são-ratos, ainda temos que agüentar sermos roubados pelos porcos e tudo isso lavrado pela "legalidade" concedida pelas antas que por sua vez obedecem novamente os porcos, tudo é executado pelos ratos-que-dizem-que-não-são-ratos sempre escoltados pelos gatos-raposas, fechasse assim o ciclo de nossa situação. Mas você acha que as ovelhas estão preocupadas? O que é isso amigo! Pra que preocupação, está chegando a copa do mundo, e ovelhas meu amigo, adoram futebol.

O último post

Em breve estarei postando o último post no blog, inclusive ja estou escrevendo, vai ser muito especial, desde já agradeço a todos os meus leitores por todo carinho, inclusive um leitor fiel de Los Angeles que sempre visita minhas postagens, achei tudo muito gratificante, mas é preciso que minha sinfonia tenha um fim, e ele está proximo...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

TALHERES DE BAMBU

Esta foi minha última produção que fiz para a universidade, e fala sobre educação especial. Esse é um dos textos que eu mais tenho orgulho de ter escrito.

TALHERES DE BAMBU

Sei que trabalhos acadêmicos não devem ser pessoais, passaram a minha jornada escolar toda repetindo isso, mas como eu sou um pouco teimoso, o meu último trabalho não poderia ser diferente, não gosto de ser burocrático, gosto de ser humano, falar o que penso. Com certeza os trabalhos burocráticos são mais fáceis de ler e de avaliar, pois eles já estavam escritos em algum lugar, só é preciso montar o mosaico, ai o professor avalia se o mosaico foi bem ou mal montado. Eu não faço mosaico de nada, eu apenas escrevo.

Posso afirmar, com toda a certeza, que seria impossível falar em educação especial de maneira burocrática depois de passar esses últimos dias pesquisando sobre o assunto, mas sei que existem pessoas que conseguem, e pior, acho que antigamente, eu também conseguia. Achava que as prioridades dos portadores de deficiências eram diferentes das prioridades das outras crianças, achava que era uma forma que o governo tinha arrumado de economizar, sinceramente não conseguia ver crianças deficientes em salas de aulas normais. Eu tinha até uma frase pronta para quando vinham me perguntar sobre educação especial, eu dizia o seguinte, “tratamentos iguais para pessoas diferentes só aumenta as diferenças”, daí eu encerrava o assunto como se minha opinião fosse definitiva, mas ai eu descobri que estava doente, muito doente, meus olhos estavam contaminados pelo mal da “linha de produção escolar”, pelo mal da busca de resultados iguais, resultados satisfatórios para o mercado, como se as crianças fossem produtos que passam por testes de padrão de igualdade, e são, ou embalados etiquetados e enviados para o mercado ou condenados, descartados e incinerados, estamos descartando e incinerando nossas crianças especiais e ninguém se da conta disso.

Acho que a maioria dos olhos ainda não estão acostumados a aceitar o diferente, nossos olhos estão doentes, muito doentes, eles não conseguem ver beleza no diferente. Nós acabamos por nos acostumar com os supermercados e suas infinitas prateleiras rigorosamente organizadas com produtos iguais, divididos por artigos. Aqui estão os produtos de limpeza, já desse outro lado estão os produtos frios, desse outro legumes, enfim, é isso que esperamos encontrar nas escolas, não conseguimos aceitar, que nossos filhos (sempre genialmente superiores a qualquer outra criança) se misturem com crianças “inferiores”, acreditamos que eles sejam mais “lerdos”, e assim sendo, vão acabar por atrasar a turma toda. É assim que a maioria das pessoas pensa, é assim que a maioria das pessoas age.

A doença da diferença está nos nossos olhos e não necessariamente no outro, uma criança deficiente não se acha inferior até que venha alguém e diga isso a ela. Mas os olhos de infelicidade das pessoas fazem questão de dizer, existem pessoas que necessitam cultivar os olhos de infelicidade, e acabam por destruir a igualdade das pessoas, e o equilíbrio das coisas, a beleza da diversidade. Não sei por que achava que as crianças especiais não poderiam aprender em uma escola “normal”, o que se deve aprender em uma escola “normal”? Alguém pode me dizer? Para que se estuda o que se estuda? Para decorar um monte de coisas, pra poder passar no vestibular, pra poder conseguir um bom emprego, e com isso ganhar bastante dinheiro? Para poder ser feliz, acho que é esse o caminho que se imagina. Mas acho que poderíamos encurtar um pouco esse caminho, pois para crianças especiais, o simples direito de poder conviver com as pessoas já lhe fazem felizes, o simples direito de poder brincar, conversar, fazer gestos, interagir, já é suficiente. Mas os olhos doentes de infelicidade de alguns, não admitem ter o “desprazer” de ver crianças especiais espalhadas por todos os cantos, pelos parques, pelas praças e principalmente pelas escolas. Preferem que fiquem enclausurados em lugares desconhecidos, para não correrem o risco de vê-las. É assim que um monte de gente pensa, é assim que um monte de gente faz. Mas quando se tratando de discurso, é cada um mais bonito do que o outro, todo mundo tem um discurso bonito pra falar, mas dificilmente condizem com a prática, enquanto isso, a discriminação continua solta, as crianças especiais continuam sendo maltratadas e sem escolas para estudar.

De tudo que aprendi, tenho um conselho para dar para as pessoas de olhos doentes, espero que eles nunca fiquem velhos, pois a velhice vem acompanhada de varias deficiências, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência física, existe uma parábola que ilustra bem esse conselho.

- juntos o pai, a mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim, discretamente, disse ao marido: Seu pai não está mais em condições de usar pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação. Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de bambu para substituir a porcelana. Na primeira refeição em que o avô comeu na gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai explicou e o menino se calou. A partir desse dia ele começou a manifestar um interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai, entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: O que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira, respondeu: Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho...

Para todas as pessoas que não conseguem conviver com as diferenças eu tenho apenas um desejo, de que quando ficarem velhos, tenham pelo menos alguma pessoa que “suporte” suas deficiências e lhes comprem pelo menos uns talheres de bambu.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Video

Video da música "Só Por Você", que inclusive ja disponibilizei a letra aqui no blog. ta um pouco ruim pois foi gravado no celular, mas da pra curtir.



Só por você


Quero a luz serena desse teu olhar,
Mesmo já sabendo que não vou mais te encontrar.
(querer assim)
Quero um novo dia a cada amanhecer,
Mesmo já sabendo que não mais me entender.
Será covardia ou indecisão,
Deixar de percorrer as inconstâncias do meu coração.
Será que vou estar ao entardecer,
Dias que não virão a acontecer,
Aqui já não, da mais.
Sonhos dessa vida sempre são iguais,
Muitos se desfazem nos seus próprios temporais,
(Tudo então)
Tudo é mais difícil que se possa ter,
Nem toda novela e contada na TV.
Sempre a realidade é um pouco mais,
Toda história sempre foi vivida a pouco tempo atrás.
Nunca vou te dizer, que é eterno assim,
Volto a procurar, em nosso jardim.
Pra me lembrar De ti.
Meu amor, para onde quer for,
Sentirei alguma dor,
Vento muda a direção,
Mesmo então.
Sentirei teu coração,
Bem difícil de entender,
Cantarei a mesma canção,
De algum tempo atrás,
Só por você.

Musica: Paulinho

Dicas

Hoje estou apenas para dar dicas de coisas legais, a primeira são dois excelentes livros do escritor Rubem Alves, O amor que acende a lua (clique e compre o livro) e O mundo num grão de areia (clique e compre o livro) para se ouvir, a dica é o Cd de coletâneas do U2 The Golden Unplugged Álbum (clique para baixar ou comprar o cd) e pra descontrair deixarei mais um poema do chileno Pablo Neruda e um de Mario Quintana chamado, canção do dia de sempre.




Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.

Pablo Neruda




Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Aos 24 dias de abril

Hoje é dia do meu aniversário, a primeira coisa que vem em nossas cabeças quando falamos de aniversario é bolo, a segunda balão, depois desses dois símbolos, que são universais na cabeça de todo mundo, as coisas podem variar um pouco, uns pensam em tortas e brigadeiros, outros pensam em cerveja, churrasco e música alta. Isso é resultado do processo de simbolização que nossa cabeça sofre durante nossa vida, simbologia que talvez não represente nada pra nós, mas que foi plantada em nossas mentes, empurrada, tatuada. Hoje vivo no que chamo de processo de desintoxicação do meu cérebro, desintoxicação de símbolos alheios, vou criar meus próprios símbolos para representar o que sou. Na minha cabeça já não me vem bolo e balão, muito menos cerveja e pagode, na minha cabeça passam coisas mais profundas, símbolos mais bonitos.

Não quero que cantem parabéns pra você pra mim, porque não gosto do final dessa canção, esse negócio de muitos anos de vida não é certo pra todo mundo, o certo seria assim: mesmo que poucos, intensos anos de vida. Tem gente que não suportaria muitos anos de vida, não desejaria 10 anos de coma pra alguém, ou quem sabe 7 anos com seqüelas de um derrame cerebral e muito menos 4 anos de depressão. Tem gente que prefere a intensidade do tempo, como eu. Não faço questão de muitos anos de vida, faço questão de bons anos de vida, ou quem sabe, um bom último ano de vida, desde que seja o melhor deles.

Através da simbologia que nos foi plantada, passamos a ter pavor à morte, e alegria pelos aniversários, como se as duas palavras morassem em lados opostos da vida, sinto muito lhes informar que isso não é verdade, aniversário e morte são sinônimos, são duas palavras que andam de mãos dadas. Vejam bem como as simbologias alheias nos pregam peças, sopramos nossas velas de aniversário com a maior felicidade, sem ao menos notar que esse ato representa menos um, ou seja, menos um ano que você já não tem mais, pense que sua vida fosse como um imenso campo escuro com velas acesas, a cada ano que passa você mesmo vai lá e sopra uma vela, ano após ano, até que o dia você, sem saber, na maior festa, com bolo, brigadeiro e pagode, apaga a ultima chama de sua vida, que horrível não? Mas é assim que fazemos, adotamos símbolos alheios sem ao menos questionar. Esse ano eu poderia acender uma vela, só pra ser chato, só pra fazer algo que realmente tivesse sentido, mas não vou fazer isso, pois não desejo anos de vidas que não são meus.

Assim como Rubem Alves, não sei quantos anos tenho, ou melhor, ainda tenho, pois isso ninguém sabe, só posso dizer dos anos que não tenho mais, das velas que já foram apagadas, essas sim eu conheço, são exatamente 26. Porem, as velas ainda acessas, não posso contá-las, ninguém pode ver. Mas estou tranqüilo, não sou bobo de achar que alguém pode adivinhar quantas velas me faltam, sei que isso não é possível, e muito menos eu gostaria de saber, mas quando elas acabarem, eu estarei aqui, para me transformar, para que da minha morte nasça outra vida, não sou tão petulante ao ponto de pensar que comigo poderia ser diferente, que eu não precisasse ir para que outros viessem, mesmo que pudesse escolher, mesmo assim desejaria ir quando fosse a hora. Aprendi a não ter medo da morte, aprendi que tudo tem de ter final para que haja sentido, para que possa ser contemplado, nunca nos disponibilizaríamos a ouvir uma canção sem fim, ninguém gostaria de apreciar tal música, por isso que eu quero um fim para minha canção, quero que um dia alguém possa contemplar a última linha da última estrofe da última poesia que eu escrevi, acompanhada da última nota, de um som que vai ficando baixinho até acabar e se transformar em vazio, será então o meu vazio, a minha contribuição para que a vida continue, para que alguém sinta saudade de mim.

O vazio que deixarei não será um vazio qualquer, nele, conterá meu relicário, nos últimos tempos estou enchendo ele de coisas, de músicas, de poesias, de textos, de pensamentos, deixarei o conjunto de tudo aquilo que fui. Gostaria muito que minhas musicas virem CD e meus textos livros, e diferentemente dos outros, não quero que meu corpo vá parar em um cemitério e que as pessoas chorem em cima do mármore cheio de parafina, quero que meu corpo vire cinzas e seja plantado junto com a semente de uma árvore bem grande em um bosque qualquer, e quando sentirem saudades de mim, ao invés de ir ao cemitério, vá ao bosque ver como a árvore está, qual o seu tamanho, e quando estiver bem grande, que se deitem de baixo de sua sombra e lembre de coisas boas, assim quero que seja.

Resumindo e dando um final as palavras, aos 24 dias de abril desse, cada vez mais rápido ano, eu, não desejo festas, bolos, brigadeiros e parabéns pra você, desejo coisas mais intensas símbolos mais bonitos e mais profundos, hoje desejo apenas passar o dia contemplando a beleza dos meus filhos, nada mais....

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Texto de Pablo Neruda.....

Texto Muito Bonito de Pablo Neruda. Por mais incrível que possa parecer, acordei ouvindo ele hoje no programa da Ana Maria Braga, não gostava muito do programa dela, sempre achava os textos que ela lia um pouco brega, mas hoje foi diferente, adorei, fui procurar no site do programa para disponibilizar pra vcs, agora são 08:07 da noite de 21 de abril, estou ouvindo Tears in Heaven do Eric Clapton mas na voz do Emmerson Nogueira, excelente cantor brasileiro, agora me sinto em paz......


Saudades

Saudade é solidão acompanhada,
É quando o amor ainda não foi embora,
Mas o amado já...

Saudade é amar um passado
Que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe
O que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficaram para trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
Passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Texto de Pablo Neruda

Poesia de Robert Frost

UM PÁSSARO MENOR

Quis, de fato, que o pássaro voasse

E próximo ao meu lar não mais cantasse.

Cheguei à porta para afugentá-lo,

Por sentir-me incapaz de suportá-lo.

Penso que a inteira culpa fosse minha,

E não do pássaro ou da voz que tinha.

O erro estava, decerto, na aflição

De querer silenciar uma canção.

domingo, 20 de abril de 2008

Leonardo e Eu

Acordei com uma dúvida, qual a personalidade mundial que eu mais admirava? De tanto pensar, descobri que sou uma pessoa com diversas faces, não faces de personalidade, mas sim faces de coisas que admiro e acompanho, ou seja, coisas que tomo pra mim na construção do que sou eu. Deixa eu explicar melhor, é mais ou menos assim, o que somos nós? Somos a soma de tudo aquilo que gostamos e fazemos, tomamos para nós, isso somos nós, descobri então que a soma de tudo que sou são muitas coisas, não sou especialista em nada, sou um pouquinho de cada coisa. Quando cheguei a essa conclusão fiquei um pouco preocupado, pois nos dias de hoje a globalização e as tendências educacionais apontam para o outro lado, todos querem super-especialistas para tudo, super-especialistas em digitação, super-especialistas e PHDs para pregar rótulos em latas de creme de leite, querem super-especialistas na função de apertar determinado parafuso de determinada maquina de determinada empresa que faz determinada coisa para uma determinada função do dia-a-dia, talvez isso seja mais uma forma de nos alienar? De nos impedir de pensar? Dizem que precisamos nos dedicar integralmente à determinada coisa para que possamos evoluir mais rápido, e que se estudarmos muitas coisas acabamos por não desempenhar bem nenhum papel, isso dizem os novos educadores estimulados pela pressão da qualidade total na educação que é a mais nova exigência do mercado. Só pra chatear eu sou diferente, penso diferente, a vida é muito grandiosa, cheia de possibilidades para gostarmos e nos dedicarmos a uma coisa só, tenho pena dos que fazem isso, gosto mesmo é do Leonardo da Vinci Em toda sua vida trabalhou com, urbanismo, aerologia, hidráulica, engenharia, guerra, anatomia, náutica, mecânica, botânica, pintura, filosofia, escultura, poesia, arquitetura, física, geologia, óptica e ainda arrumava um tempinho pra música.

Talvez se Leonardo da Vinci vivesse nos dias de hoje estivesse desempregado, qual empresa comportaria Leonardo? Como cumpriria seu expediente? Quem levaria a sério seu currículo? Por isso digo a vocês, daqui a um tempo, corro sério risco de estar desempregado, pois não sou especialista em nada, pois meu espírito é grande demais. Agora, então, decidi que meu blog será um pouquinho de cada parte que forma meu todo, cheguei a conclusão de que posso sem problemas comentar sobre música e dizer que estamos vivendo uma das piores crises intelectuais da história do mercado fonográfico brasileiro, posso comentar sobre livros, e dizer que os bons livros de verdade, nunca aparecem na lista dos mais vendidos, e que 90% dos livros que são comprados no Brasil, não são lidos de verdade, são comprados apenas para enfeitar as estantes, posso comentar sobre Artes Marciais e dizer que o Lyoto Machida será brevemente o campeão do UFC vencendo o Chuck Liddell no final do ano em uma luta surpreendente, posso falar sobre política e afirmar que o presidente Lula, vai sim tentar o 3º mandato e que a Dilma Rousseff é só uma desculpa esfarrapada, posso falar sobre economia, e dizer que as bolsas de valores não irão quebrar como na crise de 1929, posso falar sobre games e afirmar que a nova geração de games ira evoluir bastante a jogabilidade atual e que GTA e Winning Eleven, serão por muito tempo, ainda, os jogos a serem batidos, e que o Playstation 3 vai ser o principal console da década, posso falar de Informática e dar a dica de um site excelente que encontrei http://colunas.g1.com.br/tiraduvidas/ , posso falar como educador e dizer que nossos gestores burocratas estão acabando com a criatividade de nossos filhos, e que eu me recuso a ser um simples especialista, a não ser que deixem que eu seja um especialista em especial, que eu seja um cara especializado em pensar, ai eu aceito.

terça-feira, 15 de abril de 2008

A Walk To Remember

Existem idéias que ficam por dias na minha cabeça mas, não consigo encontrar palavras para explicá-las, então as deixo guardadas na minha caixinha de idéias-sem-palavras, assim como os delegados fazem com crimes sem solução, os arquivam, assim faço eu, arquivo minhas idéias sem solução. Essa minha caixinha de idéias-sem-palavras está superlotada, do mesmo jeito que está lotado os arquivos de crimes não solucionados pelos delegados, porém há, uma diferença muito grande entre eu, e os delegados, eles não estão nem um pouco preocupados com os seus casos não resolvidos, quando os arquivos enchem, compram outro armário maior para que caibam mais casos não resolvidos. Já eu, não consigo comprar e nem aumentar minha caixinha, isso me causa dor de cabeça, e ter dor de cabeça é muito chato. Porém, assim como acontece nos casos de crimes arquivados, uma nova evidencia aparece, e um investigador (daqueles novatos ainda estimulados com a carreira) em uma madrugada sem sono, tem um estalo, monta o quebra cabeça e consegue solucionar o caso e fazer justiça. Assim sou seu, colho a evidencia, e justamente em uma madrugada sem sono (que são muitas) consigo dar palavras a minha idéia, e assim soluciono o meu caso, que no fundo, sei que não é só meu, é um caso que muitos esperam por solução, e nem mesmo sabem disso.

Há tempos, descobri que o mundo das palavras escritas é muito restrito, e falar através delas algumas coisas é muito difícil, é preciso inventar códigos, que só são decifrados pelas pessoas certas. Esse código até que tem nome, ele chama-se metáfora, por exemplo esse é o artifício utilizado pelos poetas para explicar a inexplicável experiência do apaixonamento. Só através da metáfora se diz algumas coisas. Metáforas e poesias não se explicam se sentem, e se não se sente, não adianta tentar explicar, pois é coisa que vem de dentro e não de fora.

Há algumas semanas atrás desvendei dois grades mistérios através da ajuda de dois filmes que assisti, (não gosto muito de filmes, e nem gosto muito de escrever sobre filmes, mas esses foram especiais) com duas metáforas simples, a primeira solução veio do filme “Um amor pra recordar”( Titulo Original: A Walk To Remember,Gênero: Drama / Romance Duração: 101 min Ano: 2002) nesse filme, descobri que existe a beleza bonita e a beleza feia, mas que a beleza feia pode se tornar bonita pela experiência do amor verdadeiro, eu já desconfiava disso mas não sabia como dizer. Aprendi também que experiências de amor verdadeiras são atemporais, estão acima das leis do tempo, vivem em uma outra estação, onde as ações envelhecedoras do tempo não funcionam, essas experiências, moram em uma casa simples de manhãs sempre cobertas por nevoa, de gramas verdes, de um gramado infinito, de telhado de telhas de barro e uma grande varanda com plantas de flor ao redor, acho muito parecido com as poesias de Robert Frost. Lá não há celulares, nem computadores e muito menos televisão, qualquer uma dessas coisas quebraria o encanto e faria com que o tempo voltasse a correr, lá moram as essências dos nossos sentimentos, sentimentos ainda puros, cristalizados para que possamos lembrá-los de maneira ainda verdadeira, sentimentos sem a mistura envenenada do interesse.

Outro filme que me fez revelações valiosas chama-se: “Um sonho de Liberdade” (Título Original: The Shawshank Redemption, Gênero: DramaTempo de Duração: 142 minutos, Ano de Lançamento (EUA): 1994). Descobri através dele que a verdadeira liberdade pode estar em nossa maior prisão, e que muitos vivem presos dentro de si mesmo pelo medo da frustração. Porque o pavor das frustração? Já deveríamos estar acostumados com elas, são tão corriqueiras, não vale a pena esquecer do nosso sonho de liberdade, mesmo que às vezes distante. Não vale a pena entregar os pontos e deixar a vida passar, como dizia Renato Russo em sua poesia chamada Natália:

É preciso acreditar num novo dia, 
Na nossa grande geração perdida,
Nos meninos e meninas, 
Nos trevos de quatro folhas, 
A escuridão ainda é pior que essa luz cinza, 
Mas estamos vivos ainda. 
 

Descobri então que Adoro recordar minhas experiências atemporais e procurar meu sonho de liberdade (acho que a graça da vida é procurar) essa semana fui à casa de gramado infinito, fiquei lá por um tempo, foi muito bom, descansei meu espírito, andei de mão dadas com a inocência e brinquei com a pureza dos meu 15 anos, mas tive que voltar, para atender meu celular, todos estavam preocupados, fechei a porta bem de vagar para não acordar quem lá dormia o sono da eternidade, um dia quem sabe eu não volte, não marcarei datas pois lá não existem calendários e nem relógios, não há sistematizações, mas voltarei, sei que lá, não se trata de um lugar para fazer morada, é apenas para visitar e depois sentir saudade gostosa, lá é pra sentirmos liberdade e descobrir que estamos vivos ainda.

* Desculpem por passar a semana toda sem postar, estava na casa de gramado infinito, e lá não tem computador.

Paulo Roberto do Carmo Braga 15 de abril de 2008

domingo, 6 de abril de 2008

NO NOSSO AMOR...



Se eu disser que não da mais?
Toda falta sem você aqui?
Teu silencio teu amor enfim o teu sorriso?

Se eu disser que não da mais?
Toda falta que você me faz?
Tua ausência vai me ensinar a ser sozinho?

E cada dia mais,
Vai me ensinar a ser mais forte pra poder viver.
E cada dia mais,
É certeza que a tua força sempre está aqui.

Queria um dia te dizer,
E tão difícil se encontrar assim sozinho.
Queria m dia entender,
Não ver o mundo sem achar nenhum caminho.

Não sei se vou poder falar de toda vida?
Se eu disser que não da mais.

Não vou poder falar do que restou das flores?
E não tê-la nunca mais.

Se eu disser que não dá mais,
Eu farei uma canção pra ti.
Que é pra ti dizer,
Meu amor eu lembrarei você.
E pra você me olhar,
E lembrar de tudo que passou.
No nosso amor.

Não voltarei jamais,
Esquecer de tudo que eu vivi.
Não voltarei jamais,
Mas estaremos para sempre aqui.
Quando você voltar,
Vai lembrar de tudo que passou,
No nosso amor.

sábado, 5 de abril de 2008

PRECISO TE AMAR....

Essa é uma das pouquíssimas músicas minhas que não conta uma história que aconteceu especificamente comigo, na verdade, no fundo minhas canções são um diário de metáforas, mas essa canção conta a história de um amor que a vida interrompeu, uma história sem final feliz, uma história que não se vê em novela, ninguém gosta de escrever, mas é uma história real, que acontece todos os dias com alguém e nos ensina que é preciso falar o que o coração pede, o mais rápido possível, antes que o dia acabe.


PRECISO TE AMAR

Clara é à noite, quando estás aqui.

Não sei por que, não posso mais te ouvir.

Teu silêncio vai matar meu coração.

Se você partir que não demores muito.

Pois preciso te amar de coração,

Preciso te encontrar,

Preciso ser feliz,

Preciso te amar.

Ser feliz é sempre Não entristecer,

Amara é sempre amar, e nunca esquecer,

Sempre as flores vão mostrar minha paixão,

Quando você voltar, que me conquistes sempre.

Quantos olhos tristes, que trazer indecisão.

Suas mãos que estavam aqui, agora tocam o chão.

Como posso te dizer pra acreditar.

Mesmo sem poder eu posso te encontrar.

Quando você voltar.

Meu doce amor.

Preciso te amar.

É tão cedo pra dizer,

Mais foi tarde pra você.

Vejam a vida de nós dois,

Nunca deixe pra depois.

Há de haver algum lugar,

Onde eu possa te encontrar.

Onde eu possa te dizer,

Vou ficar só com você.

Só com você...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Mais uma Música


Aqui vai mais uma letra de uma música inedita, quem sabe um dia eu não cante ela pra vcs, só posso dizer que se trata de um tipo de música pra ouvir sozinho, bem baixinho, de preferência ao entardecer, sentado no chão, escutando o som do silêncio.





EM SILÊNCIO


Vamos pedir a Deus, e as pessoas de boa vontade,

Com toda cor então, alegria, desejo e saudade,

Vamos pedir a Deus, que a força me seja verdade,

Sempre verei em ti, olhos lindos, silêncio e coragem.


Voa leve então, para bem mais longe.


Vamos pedir a Deus que o silêncio disfarce a saudade,

E me ensine enfim na ausencia te em verdade.

Vamos pedir a Deus, que a distancia nos seja serena,

Que tudo acabe aqui, com um adeus e um pequeno poema.


Voa leve então, para bem mais longe.


Vai então, foge dos meus olhos,

Leva essa tristeza, deixe-me aqui.

Vai então, leva teus momentos,

Leva o teu perfume,Deixe-me aqui,

Meu amor.

Se foi de ser assim que deixe ser,

Sem nada a dizer, ou falar.

Se mesmo assim, o mesmo vento te encontrar.

Onde encontrava, só nós dois,

Não deixe entrar, uma tristeza,

Que outrora já se foi em um poema

De amor.


Paulo Roberto Braga



terça-feira, 1 de abril de 2008


A BEIRA DO CAMINHO

Para onde estou indo? Onde quero chegar? O que isso vai me trazer? Essas perguntas são essências serem feitas pra si periodicamente. Eu por exemplo acho que demorei muito tempo para faze-las, as vezes é preferível ficar parado do que prosseguir, pode até parecer estupidez mas descobri que essa é uma das grandes verdades do mundo, as vezes é melhor ficar parado.

Nunca me conformei com aquelas pessoas que passam 30, 40 anos na mesma situação, no mesmo emprego, na mesma vida. Mas algumas coisas me fizeram entender que tudo tem seu sentido, às vezes ficar parado é a melhor solução para algumas vidas. Muitas pessoas não estão preparadas para pagar o preço de conhecer caminhos diferentes, muitas pessoas entram em becos escuros, outros comem ervas venenosas da beira da

estrada, alguns se perdem, e outros morrem de cansaço, muitos morem de saudade de onde partiram por não encontrar nada de verdadeiramente importante na sua chegada. Eu parti, em busca de novos caminhos. Poderia ter escolhido ir para o outro lado do bosque, alguma coisa me dizia que era mais seguro, era mais calmo, porém, bem mais demorado. O outro lado era bem mais atrativo, sedutor, prazeroso, arriscado e curto. Os conselhos das velhas arvores, altas, e experientes, por tudo verem lá de cima, nada me adiantou, mesmo sabendo do risco, criei a falsa expectativa (que no fundo nem eu mesmo acreditava) que tudo poderia ser diferente, que eu poderia consertar esse caminho, que durante esse percurso eu poderia semear erva-cidreira e camomila, e sentir o cheiro delas durante minha caminhada, achei que poderia cortar as ervas daninhas e podar ciprestes para que a luz pudesse iluminar meus caminhos, e assim afugentar todos os lobos e raposas que ali viviam, fui induzido a acreditar que os corvos que ali habitavam já não eram tão maus, que tudo não passava de lenda. Tudo estava sob controle, pois meus olhos eram olhos especiais, meus olhos, apenas eles, viam pedras preciosas pelo caminho, eu poderia junta-las, aos montes, e no momento oportuno construir meu castelo, minha fortaleza. Tão segura, e tão sólida que nada ou ninguém poderia invadi-la.

Comigo levei uma rosa, uma rosa vermelha, que já achava não conter mais espinhos, levei-a em uma caixa de vidro, com todo o cuidado, com toda a esperança de que se tornasse uma flor, na verdade até vi nela uma flor, em uma de minhas miragens de paixão, caminhei por dias e dias, sem parar, com intuito de chegar ao lugar desejado. Ande apressado, até corri em alguns instantes, me tornei impaciente, irritado com a demora, tudo por achar que minha flor poderia murchar por falta de um castelo. Até que enfim cheguei, juntei minhas moedas que recolhi pelo caminho, que de fato me pareceu muito calmo, sem perigos ou ameaças e comecei a construir ao redor da minha caixa de vidro preciosa, o melhor castelo que minhas mãos poderiam fazer, com as pedras mais fortes. Invadi dias e noites a procura das madeiras mais nobres para minhas portas e janelas, da fechadura mais segura que minhas moedas poderiam comprar, então me envaideci, achei que estava seguro, mesmo que todo dia eu ainda aumentasse a altura do meu muro, achei que era supremo e inabalável, e que todo cuidado que eu ainda tomava era apenas para satisfazer meu ego.

Como toda parábola tem que ter uma lição moral a ser repassada, minha história não poderia ficar assim, então Deus, o todo poderoso, que até então não tinha citado, castigou minha arrogância, minha vaidade. Nas minhas viagens em busca de moedas de ouro para alegrar minha flor, os lobos e as raposas invadiram meu castelo, com a sedução de muito mais ouro que minhas mão pudessem trazer, com promessas de castelos muito maiores e bonitos que o meu, então na minha volta minha flor se transformou e rosa e cravou um grande, longo e venenoso espinho em meu coração, então percebi que aquela rosa sempre tivera sido rosa durante todo o tempo, e que seus espinhos sempre estiveram ali, que os lobos e raposas se escondiam atrás das arvores quando eu passava e que meu castelo era muito pequeno. Mas o espinho cravado pela rosa em mim, não me matou, pois não era pra matar, era apenas pra adoecer, pra me deixar sem forças, a me arrastar pelos caminhos frios escuros e tristes do bosque do mal, e ser zombado torturado e humilhado pelos corvos que um dia achei que já não faziam mais isso. Descobri então que o mal é articuloso, ele nunca demonstra ser mal, ele atrai com promessas de bondade, com olhos de arrependimento, de regeneração, se aproveita do sentimento mais nobre que você possa ter e lhe domina. Hoje me arrasto, sem forças, quase louco pelo barulho zombador dos corvos, sinto muita saudade de onde parti, bem melhor seria se tivesse ido para o outro lado, ou simplesmente tivesse ficado parado, talvez esse fosse o plano de Deus para mim, mas não, sei que estou muito distante do começo, e muito mais distante ainda da outra extremidade do bosque. Me arrasto sem noção, apenas com a certeza de que não conseguirei ficar assim por muito tempo, então compreendo a existência de ervas venenosas a beira do caminho.

Paulo Roberto Braga 01 de abril de 2008