terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CLARISSE


Acho que nunca escrevi especificamente sobre depressão, acho meio complicado falar sobre o tema, porem acho que é necessário. Existem pessoas que estão usando essa patologia pra se promover, é moda do “verão” estar em depressão, sair dizendo pra todo mundo, é “cult”. Mas na verdade não é. Estar em depressão é simplesmente a coisa mais devastadora que um ser humano pode sentir, é simplesmente a incapacidade de reação do corpo em relação a qualquer coisa, é uma inercia quase que mortal, insuportável, insolúvel, desenfreada e desesperadora. Não acho que as pessoas deveriam usar esse tipo de coisa para querer ser “capa de revista”, acho meio que desrespeitoso para com todos aqueles que realmente sofrem.


Desconfiem sempre daqueles que se autodiagnosticam, pois a depressão se assemelha ao alcoolismo, ninguém aceita a princípio estar doente, recusam-se até o limite do suportável procurar ajuda médica, sentem medo de que o preconceito sofrido agrave mais sua tristeza, sempre acham que vai passar, mas os dias vão se seguindo e a vontade de voltar a viver simplesmente não vem, o corpo simplesmente se recusa a reagir, a vontade de dormir e de ficar quieto são as principais companhias, a falta de expectativa e esperança torna-se cada vez maior, a incapacidade de demonstrar sentimentos torna- se recorrente , sair da cama pra buscar um copo d’agua vira uma luta, e dar o primeiro passo da cama algo extremamente complicado, as pessoas que sempre diziam lhe compreender começam a afastar-se de você, começam a lhe culpar. Então viver acaba por ser um cotidiano doloroso.


...Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende...


Clarisse - Renato Russo


Não adianta o quanto dizem lhe entender, ninguém sabe o que você sente, no fundo acham que é mentira, querem lhe obrigar a fazer as coisas como se você fosse uma pessoa normal, mas você simplesmente sabe que já não é, acho que essa é a parte mais difícil, ser empurrado a fazer as coisas, ser chamado de preguiçoso e inútil são coisas que realmente lhe deixam em uma situação mais difícil, pois a própria depressão lhe causa uma sensação de inutilidade extrema, quando o próximo lhe confirma isso, você tem a certeza que realmente já não faz falta, que é dispensável.


...Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende...


Clarisse - Renato Russo


É insuportável ter que viver em função do gosto alheio, é preciso que seja respeitado o luto de quem sofre esse mal. Eu nunca mais serei como o dia que passou. Essa doença é um câncer em sua alma, a cada dia que passa está maior, já não falo mais nada pra ninguém, estou cheio de marcas igual à Clarisse, meus amigos estão se perdendo de mim e eu sei que a culpa e minha, eu queria tanto mais não consigo mantê-los de meu lado, sinto falta, mas simplesmente não sei dizer.


...Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes...


...Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço...


Clarisse - Renato Russo


Depois de todos esses anos eu já me sinto cansado, as noites mal dormidas, o descaso dos que simplesmente ignoram sua dor, não querem saber, lhe dizem mentiroso, a falta de expectativa, de horizontes, a revolta contra as injustiças, que parecem que só eu sinto tudo isso se torna cada vez mais pesado. Mas hoje em dia, o que mais me incomoda além das dores do coração são as debilidades físicas adquiridas, as dores que sinto no corpo são praticamente desumanas. Eu simplesmente não suporto mais sentir dor todos os dias e todas as horas, dificilmente comento sobre isso, pois não suporto a ideia de sentirem pena de mim, ou olharem com olhar de duvida e descaso como muitas vezes vi, mas é cada vez mais crônico, cada dia que passa mais um pedaço do meu corpo dói, e se tornam mais intensas, o sono já não descansa mais meu corpo, os dias todos estão se acumulando sobre as minhas costas, assim como Clarisse minha felicidade perdeu o endereço, e eu acho que isso é pra sempre, acho que tornou-se uma condição de existência.


Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos...


Clarisse - Renato Russo


Demorei um tempão pra poder publicar esse texto, pois como já disse, não gosto da ideia de sentirem pena de mim, muito menos me procurarem pra uma palavra solidaria, acho que não estou preparado para isso. Se quiserem fazer algo por mim, pensem em mim como alguém legal, que quando da, às vezes aparece, ou simplesmente peçam por mim, comentem com os amigos, tenham boas lembranças e sintam-se felizes. Perdoem-me pelas arrogâncias e falta de atenção e tempo, digam coisas boas e façam coisas boas, isso bastara, e eu sentirei. Quanto aos que estão querendo se dizer depressivos pra estar na moda, acho que suas patologias são outras, procurem algo melhor pra fazer. Aos que querem fofocar sobre mim, não vou dar este gostinho, pois eu mesmo conto tudo, simplesmente perde a graça. Quanto a mim, continuo tentando “ser forte a todo e cada amanhecer”, preferindo, cada dia mais, ficar sozinho, mas acima de tudo tentando conseguir “existir” e voar pelo caminho mais bonito



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os nossos dias serão para sempre...


Hoje meu filho Gabriel faz 4 anos, infelizmente não estou por perto, passei o dia pensando no que estaríamos fazendo caso estivéssemos juntos, ou quantas perguntas ele já teria feito, não sei explicar a falta que ele me faz, acho que ninguém pode, é algo inexplicável e também é assunto de explicação desnecessária, o nosso amor é só nosso, não precisa ficar tentando dizer pra ninguém, e é exatamente o que ele sente por mim, ele simplesmente não fala pra ninguém que gosta de mim, e nem tem paciência com quem fica perguntando ele simplesmente gosta do jeito dele, assim é ele, como eu, as vezes é parecido como meu irmão, tem vezes que ate me confundo, tenho a impressão que estou brincando com ele 20 anos atrás, me sinto criança. Um dia desses chorei durante a noite, pois meu filho simplesmente reagiu da mesma forma que meu irmão reagiu a uma brincadeira que fazíamos a mais de duas décadas, era como se fosse um dejavu, mas com a diferença de eu lembrar exatamente de todos os detalhes, eu vivi exatamente a mesma situação 20 anos depois. Simplesmente não disse a ninguém, apenas curti tudo, senti cheiro de samambaia molhada da mamãe, cera vermelha que a ela passava no chão da nossa casa, o perfume das naftalinas no fundo das nossas gavetas e a leveza que eu tinha nos meus anos de meninice, Meu Deus, como me senti feliz, então entendi a divina explicação da vida.

Sempre disse que o nome Gabriel é por causa doGabriel Garcia Marquez, e de fato é, mas sempre brinquei dizendo que era por causa do anjo anunciador de Jesus, pois tinha preguiça de explicar milhares de vezes a mesma historias responder as mesmas perguntas, Gabriel Garcia o que? Quem é ele?Então tinha que explicar, é um escritor colombiano que escreveu 100 anos de solidão, 100 Anos de que? De solidão, é um clássico da literatura, blablabla, e depois de muita conversa a pessoa voltava a perguntar, mas porque Gabriel? Então descobri que quando eu dizia que era por causa do anjo Gabriel, economizava algo em torno de umas 1.500 palavras no mínimo, pois as coisas da bíblia a maioria das pessoas tem medo de questionar, todos entendiam de primeira.

Com o tempo percebi que minha historia inventada era mais real do que a historia verdadeira, o Gabriel era um anjo mesmo, era o anjo que Deus me deu pra morar nas minhas ausências e que depois veio viver comigo, essa foi a divina explicação que a vida me deu, ele me surpreende com tanta autoridade, que as vezes chego a pensar que ele tem total noção e controle de tudo que faz, de todas as brincadeiras e excentricidades, te todos os bichos exóticos que ele já me pediu, porcos espinhos, lhamas e camelos, eu tenho certeza que ele tem algo diferente, ele tem uma certeza no que diz incontestável, um olhar de confiança que só vi em uma pessoa, exatamente no tio que ele nunca chegou a conhecer, uma marca inconfundível pra mim, assim como se o mundo desses voltas e repetisse as mesmas coisas, como conta o livro 100 anos de solidão do Gabriel Garcia Marques. Meu filho tem os olhos de certeza do meu irmão a personalidade inabalável e uma inteligência quase sobre-humana. Longe de ser corujisse de pai, eu sou frio o bastante pra não cair nessa, é olhar clinico mesmo, quase que cientifico.

Agora esta chovendo, e das gotas de água no vidro da janela do meu quarto (parecidas com as da capa do Diário do Menininho) lembrei do meu filho, dos anjos, e da musica Esperando por mim.


Acho que você não percebeu

Que o meu sorriso era sincero

Sou tão cínico às vezes

O tempo todo

Estou tentando me defender

Digam o que disserem

O mal do século é a solidão

Cada um de nós imerso em sua própria arrogância

Esperando por um pouco de afeição

Hoje não estava nada bem

Mas a tempestade me distrai

Gosto dos pingos de chuva

Dos relâmpagos e dos trovões

Hoje à tarde foi um dia bom

Saí prá caminhar com meu pai

Conversamos sobre coisas da vida

E tivemos um momento de paz

É de noite que tudo faz sentido

No silêncio eu não ouço meus gritos

E o que disserem

Meu pai sempre esteve esperando por mim

E o que disserem

Minha mãe sempre esteve esperando por mim

E o que disserem

Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim

E o que disserem

Agora meu filho espera por mim

Estamos vivendo

E o que disserem os nossos dias serão para sempre.

Renato Russo


Então senti paz, compreendi por um instante a inexplicável poesia da vida, o mundo e suas voltas, suas ligações. Senti a presença de Deus e percebi que ele pode se manifestar das mais diferentes formas, as vezes pode estar apenas em um olhar, que só você percebeu. E sempre, independente de quanto tempo possa demorar, ele vai responder seus pedidos, basta que tenhamos sabedoria para perceber. Compreendi que a saudade e algo que não necessariamente precisa ser sofrida, muitas vezes podemos curti-la, aprecia-la. Gosto dos pingos de chuva dos relâmpagos e dos trovões, hoje eu não vou chorar, vou apenas contemplar a chuva, sei que o mal de "todos" os seculos é a solidão mas acabei de compreender que meu filho espera por mim, e aconteça o que acontecer eu sempre estarei com ele, e ele sempre estará comigo, pois os nossos dias serão para sempre.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Bom Senso

A cada dia que passa eu tenho mais certeza que eu não sou desse planeta, simplesmente eu não sou daqui, de um tempo pra Ca, as coisas passaram a me incomodar muito sabe? Estamos vivendo simplesmente em guerra o tempo todo, todos contra todos, as pessoas que você menos espera estão de prontidão pra lhe chutar pelas costas sempre que possível, o cara que ri pra você aqui, dois minutos depois esta colocando o pé pra você cair, palavras como favor, confiança, gratidão simplesmente perderam o sentido, acho que vou até mandar uma carta pro seu Aurélio tirar de vez do dicionário tudo isso, simplesmente não fazem mais sentido, jogaram no vaso sanitário e puxaram a descarga definitivamente. Os tempos de guerra infinda deixam-me muito cansado e triste, não queria viver assim, Porem tudo esta terminantemente decidido, salve-se quem puder.

Mas as palavras que eu tenho mais saudade são as seguintes: bom senso, se a humanidade tivesse mantido ela, as coisas não estariam assim. O bom senso é o que diferencia o homem das maquinas, saber julgar, ponderar, ser humano é ter bom senso. Essa é com certeza a maior das leis, todas as outras doutrinas tendem a vir depois, caso o contrário, não precisaríamos mais de pessoas para julgar os casos, simplesmente alimentaríamos um software com todas as informações e teríamos a sentença impressa em poucos segundos, minutos depois estaríamos fazendo cumprir a pena, sem choro nem vela. Mas a vida não pode ser assim, todos somos seres diferentes, com características diferentes, com vontades, histórias diferentes, o que há de acontecer amanhã não esta em nenhum livro e muito menos em um manual, somos seres em eterna construção, em eterno nascimento, somos então, como diria Nietzsche o milagre da única vez.

Esses dias alguém tentara me explicar porque tomou determinada atitude que me prejudicou bastante, dizia ela ter sido apenas justa, pois cumpriu rigorosamente a lei, e o tribunal de sua consciência estava limpo, mas não estava, seu olhar de choro guardado a denunciava, isso não é certo. Na passagem bíblica eclesiastes 7.16 o rei Salomão diz o seguinte: -...Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo... Sabe o que ele quis dizer com essas palavras? Simplesmente tenha bom senso, depois de ter aplicado a dose de bom senso, toda lei será justa, não doera e muito menos será sentida como eu senti. A única coisa que eu pude dizer a essa determinada pessoa é que sua justiça estava lhe matando.

Bom Senso

Já virei calçada maltratada
E na virada quase nada
Me restou a curtição
Já rodei o mundo quase mudo
No entanto num segundo
Este livro veio à mão
Já senti saudade
Já fiz muita coisa errada
Já pedi ajuda
Já dormi na rua
Mas lendo atingi o bom senso
A imunização racional

Tim Maia.

Verdadeiramente ando bem cansado, gostaria de achar o livro do Tim Maia e atingi o bom senso, e dar de presente aos outros uma dose de bom senso, mais lembrei de uma frase de Eurípedes que tinha lido a anos que diz o seguinte: "Tente colocar bom senso na cabeça de um tolo e ele dirá que é tolice." (Eurípedes) sei que preciso começar tudo de novo, mas é difícil, é difícil dizer que ter gratidão por exemplo, perpassa pelo bom senso ou que nem a experiência muito menos a sabedoria(que muitas vezes é apenas presumida) não substituem. Lembrei-me então de Adriana Calcanhoto.

Senhas

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu agüento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu agüento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu agüento até os caretas
E suas verdades perfeitas

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu agüento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

Eu gosto dos que têm fome
E morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

Como nas senhas de Adriana, me sinto nesse caos. Sim, é preciso recomeçar incondicionalmente, preciso procurar novas pessoas para criar novas expectativas, pois precisamos delas para viver, e as velhas pessoas que me rodeiam agora, não me permitem mais expectativas, não espero mais afagos,mesmo que eu as tenha dado pistas, evidencias e provas de que gostaria de confiar, ter como amigos, descansar ao seu redor. Gostaria de ver um pouco mais de gratidão nas pessoas, ou pelo menos acreditar que ainda há, gostaria de ter chance de me defender sempre que atacado, mesmo das coisas velhas, isso me faria bem. O filme por aqui por essas bandas anda meio sem final, o mal anda vencendo, a arrogância se perpetuando e as injustiças se multiplicando. Estava precisando dizer que tudo passa, estava precisando dizer que ainda é possível mudar, Estava precisando mesmo é de alguém legal pra conversar, de Bom Senso, só isso.

sábado, 10 de julho de 2010

Los dezessiete


Lembro-me a quando tive acesso algumas noções de espanhol através de um casal de missionários peruanos de uma igreja presbiteriana que eu freqüentava, tenho que admitir que sempre tive admiração pelas línguas latinas, mais a partir desse período me tornei um apaixonado por musicas castelhanas e italianas, aprendi uma porção delas, ouvi incansavelmente equilíbrio distante do Renato e alguns hinos cristãos centenários em castelhanos gravados em uma fica cassete velha que ganhara de um amigo.
Mas meu amor por musicas castelhanas vinha de um tempo bem anterior, quando certa vez ouvi na casa da minha professora de piano, simplesmente, a mais bela, singela, delicada, perfeita e suave voz de toda a minha vida, acompanhada de um dedilhado de violão quase que divino. Por quase 5 minutos fiquei inerte, apenas ouvindo aquela linda canção. A música chama-se Volver a los 17 cantada por Mercedes Sosa. Mercedes foi uma das mais lindas vozes que o mundo já ouviu, de uma afinação e firmeza vocal impar e uma capacidade de interpretação quase que divina. Mercedes era argentina, se foi há pouco tempo, mas sua voz continua por ai, humilhando muitos que dizem cantar.
Como se não fosse de esperar, quase ninguém a conhece no Brasil (“aqui nos gosta de rebolation”), sinceramente tenho pena de quem nunca ouviu Volver a los 17 ou qualquer outra música de Mercedes. Inclusive acho, que obras semelhantes deveriam ser obrigatório nas escolas, como forma de combater essa contra-cultura que anda nos bombardeando, mas isso é outra coisa, o que eu quero falar e sobre Volver a los 17 que na verdade, somente ficou imortalizada na voz de Mercedes Sosa, mas que é de autoria de Violeta Parra (fui descobrir isso bem depois), a canção é bem a minha cara, é saudosista, narra sutilmente a historia de alguém que volta a seus 17 anos depois de ter vivido por quase 100 anos, algo como a perfeita vivencia da vida, a junção da beleza da juventude com a experiência dos anos, algo almejado por 10 entre 10 pessoas com muitos anos de vida. Não me acho ainda vivido suficiente para ter a experiência dos 100 anos, mais gostaria muito de voltar a meus 17 anos com as coisas que sei hoje, às vezes me pego fazendo isso, transcendendo minha alma aos 17 anos e às vezes aos 15. É a possibilidade que ninguém pode nos tirar ou interferir, a transcendência é o ponto de sustentação da sanidade daqueles que sofrem, é o poder de se vingar silenciosamente de quem não gostamos ou quem nos faz mal, é a possibilidade de irmos onde bem entendemos e estarmos com quem quisermos, mesmo estando na mais fria e escura prisão do mundo. Sei que como de costume, vou receber críticas sobre esse texto, mas duvido, que haja alguém nesse mundo, que não transcende sua alma para lugares mais belos, mais calmos e serenos. Gosto da calma e do silêncio, nele a minha viagem de volta aos meus bons dias são mais profundos e reais.

Volver a Los 17
(Violeta Parra)
Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
es como descifrar signos sin ser sabio competente,
volver a ser de repente tan frágil como un segundo
volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va amarrando, amarrando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
el arca de las alianzas ha penetrado en mi nido
con todo su colorido se ha paseado por mis venas
y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va amarrando, amarrando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
nos aleja dulcemente de rencores y violencias
solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va amarrando, amarrando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
hasta el feroz animal susurra su dulce trino
detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
el amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va amarrando, amarrando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
entró el amor con su manto como una tibia mañana
al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
colando cual serafín al cielo le puso aretes
mis años en diecisiete los convirtió el querubín.

Voltar aos 17
Voltar aos dezessete depois de viver um século
é como decifrar signos sem ser sábio competente
voltar a ser de repente tão frágil como um segundo
voltar a sentir profundo como uma criança frente a
Deus
isso é o que eu sinto neste instante fértil.

Vai se amarrando, amarrando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

Meu passo recuado quando o de vocês avança
o arco das alianças penetrou em meu ninho
com todo seu colorido passeou por minhas veias
e até a dura corrente com a qual nos ata o destino
é como um diamante fino que ilumina minha alma serena


Vai se amarrando, amarrando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

O que pode o sentimento não o pôde o saber
nem o mais claro comportamento, nem o mais amplo
pensamento
tudo muda o momento qual mago condescendente
nos afasta docemente de rancores e violências
Só o amor com seu saber nos torna tão inocentes

Vai se amarrando, amarrando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

O amor é redemoinho de pureza original
Até o feroz animal sussurra seu doce canto
detém os peregrinos, libera os prisioneiros
o amor com seus caprichos o velho torna criança
e ao mau só o carinho o torna puro e sincero

Vai se amarrando, amarrando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

Completamente a janela se abriu como por encanto
entrou o amor com seu manto como uma morna manhã
ao som de seu belo toque fez brotar o jasmim
entrando qual serafim no céu colocou brincos
Meus anos em dezessete os converteu o querubim

Gostaria eu voltar a sentir profundo como uma criança frente Deus, ando me sentindo meio cinza por esses dias, sem cor, o resgate a inocência talvez seja a chave, mas como deixar de saber o que já se sabe? Seria a felicidade a arte de não saber o que nos deixa triste? Não saber dos rancores, das violências e das mentiras? Mas o amor liberta os prisioneiros, faz do velho criança. E faz o que é mal tornar-se puro e sincero, então, logo, é amor e a verdade, movido pela saudade, nos faz voltar aos 17 e nos apaixonarmos de novo pela vida, encontrarmos em um sonho bom nossos amorzinhos perdidos, nossos desejos esquecidos, nossos dias felizes. Logo presumo que nossa felicidade esta condicionada a uma boa saudade para que possamos voltar, assim como diz Rubem Alves:

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”
Ou Pablo Neruda:

...Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...

Mas o mais gostoso de voltar está no reencontro, presumo ser a palavra mais linda do mundo, é simplesmente tudo que queremos. Do encontro não sabemos nada, nada certo esperamos, mas do reencontro esperamos tudo, que todos nossas noites e noites de sonhos se realizem, que a luz seja exatamente leve, que o vento seja frio, que o perfume seja o mesmo que o silencio seja a trilha sonora mais intensa, que o abraço seja eterno que o toque da mão seja a cura da saudade que um olhar nos deixou.
Sempre sonhamos em nos reencontrar, cada um de nos tem algo pra reencontrar em algum lugar e pensa há anos no momento. No reencontro estão todas as nossas expectativas, tudo que esperamos na vida, muitas vezes o reencontro é com agente mesmo, muitos se perdem e nunca conseguem se encontrar, mas na maioria das vezes, esperamos reencontrar alguém que vai alegrar nossa alma, fazer de nosso espírito festa. Noutras vezes esperamos uma vida para reencontrar alguém que se perdeu dentro de si e essa pessoa nunca mais reaparece, deixa apenas um imenso vazio e silencio como resposta.
Mas onde mora o reencontro? Mora na essência do amor e da verdade, e faz com que voltemos a los 17 e sejamos felizes. Eu quero voltar ao interior de mim e ser mais forte, às vezes o que está pela frente não é para nós, muitas vezes apenas nos destrói, nos poda, nos castra. Lembro-me de um provérbio chinês que diz o seguinte:
"Com mentiras poderá ir em frente neste mundo, porém nunca poderá voltar atrás."
Nem sempre ir é o melhor, como muitos pensam, para ir, nem sempre é necessário ser honesto mas para voltar sim, por isso julgo voltar mais importante que ir. Por lá eu só encontro gente legal que me faz bem, que me fez feliz.

domingo, 4 de julho de 2010

Algo a mais (ou "Só de Sacanagem")


Essa semana, mais uma vez, eu senti vergonha de ser brasileiro. Acho que nós chegamos a um ponto irreversível, não dá mais para morar nesse país (só moro aqui por falta de opção). O grau de corrupção a falta de educação e brutalidade chegou a um patamar inconcebível. Vi no jornal alguns casos de violência nas escolas, professoras sendo queimadas, auxiliares sendo pisoteadas e porteiros sendo agredidos covardemente. Penso que esses alunos, que na verdade não deviam ser chamados de alunos e sim de bestas selvagens, deveriam nunca mais pisarem na portaria de uma escola pública, pois no caso deles, a educação já não resolve mais. Sim, é verdade, sou educador, mas não tenho a falsa ideia de que a educação resolve tudo, existe algo a mais, que está além dos anos de estudo que alguém possa ter. As pessoas mais honestas que eu conheci na minha vida, eram pessoas de baixa escolaridade. Os animais que agrediram uma doméstica essa semana, eram todos de classe média e bom grau de escolaridade. Boa índole e caráter independe de posição social e anos de cadeira de escola, existe algo mais.

Quase todos os dias via seu João vender picolés na parada de ônibus em que eu esperava para ir a universidade, mas existia uma coisa que chamava muito a minha atenção, era a honestidade daquele senhor, por vezes o vi correndo atrás de pessoas para entregar trocos esquecidos ou canetas caídas no chão, eu mesmo fiz dois ou mais testes com ele, comprava meu picolé de cupuaçu segundos antes da chegada do ônibus e saia correndo logo após sem lhe dar tempo de me dar o troco, mas não adiantava, no outro dia, religiosamente, seu João vinha me dar o troco de ontem, seu João sabia apenas ler o suficiente para apreciar seu novo testamento, livro inseparável do seu dia-a-dia.

Disse-me ele uma vez nunca ter sentado em uma cadeira de escola, lhe ensinara a ler uma vizinha de bom coração como ele mesmo dizia. Posso lhes afirmar que, em 5 anos universidade não vi, nem de perto, nada que pudesse colocar a prova a honestidade daquele homem, sua alegria era simplesmente contagiante, sempre lhe vi sorrindo e tratando todas as pessoas maravilhosamente bem, sua esperança de que as coisas iam melhorar era impressionante, sempre acreditou assim.

Existem valores que estão acima de o quanto as pessoas educaram-se institucionalmente, esses valores distanciam-se mais ainda com o processo que estamos vivendo atualmente em que os alunos estão simplesmente perdendo sua identidade, seu nome, sendo reduzido a um número no diário de classe, bons eram os tempos que a educação era artesanal, chamada nome por nome, olho no olho, leitura na mesa da professora, conversa, individual ao pé do ouvido, abraço de bom final de semana. Hoje os professores são inimigos de seus alunos, fazem provas cheias de pegadinhas para ferrar mesmo, se satisfaz com as notas baixas, vê o seu dever em reprovar, castigar, aniquilar. Assim vão se criando esses animais que espancam porteiros, idosos, queimam índios batem na mãe. Esses dias mesmo, vi no jornal que um rapaz matou a mãe com um chute no estomago, sinceramente, alguém acha que vai resolver se mandar esse animal para escola agora? Não da mais, é um ser irrecuperável, talvez fosse melhor jogá-lo com outros animais no zoológico para que ele embruteça de vez. Valores como honestidade, hoje em dia, virou sinônimo de otário, quem devolve um troco a mais ou dinheiro achado é motivo de chacota, é regra levar vantagem em tudo que puder, às vezes não é nem por precisão, mas pelo simples prazer de levar vantagem, é isso o que muitos chamam de jeitinho brasileiro, parece que um negócio cultural mesmo, aqui todo mundo acha bonito, mas lá fora é horrível, todo mundo tem medo de brasileiro, tem fama de ladrão, bagunceiro e vadio. Não adianta reclamar, essa é a imagem que a maioria faz questão de vender, mas o pior mesmo é que esses valores estão sendo passados “oficialmente” nas escolas, vi uma vez uma professora chamar o gari que devolveu 5 mil dólares no aeroporto de São Paulo de otário, dizia ela não devolver nunca, principalmente porque seu salário era de merda, agora eu lhes pergunto, que valor essa professora pode passar para seus alunos? O valor do jeitinho brasileiro? O jeitinho de ficar com o a borracha da coleguinha ou o lápis do amiguinho? Mais pra frente o jeitinho de roubar na balança? Ou quem sabe um jeitinho de ficar com 10% da obra construída? Ou mesmo 20% do dinheiro da merenda das crianças? Assim vamos formando nossos futuros corruptos, tudo oficiosamente, tudo na escola. Dizem ainda que o salário de professor é baixo, mas para esse tipo eu acho que ainda ta muito alto, deviam diminuir mais um pouco.

Só de sacanagem vou publicar o poema de Elisa Lucinda chamado “Só de sacanagem”

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança
vai esperar no cais?
É certo que
tempos
difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e
dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva
o lápis do coleguinha”,
” Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do
meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
o mundo rouba” e eu vou dizer: Não importa, será esse
o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu
irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o
escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente
quiser, vai dá para mudar o final!

(Elisa Lucinda – Só de sacanagem)

Enquanto ao seu João que vendia picolé, voltei eu 8 meses depois de formado ao mesmo lugar, seu João já não estava mais lá, a senhora ao lado me falou que ele tinha ido embora há dois meses, quando em uma ação policial de “limpeza das calçadas” de vendedores ambulantes, a policia - super delicadamente, diga-se de passagem - quebraram-lhe uma perna e um braço e destruíram seu carrinho. Mas muita gente continua lá na calçada, sabe por quê? Porque pagam sua mensalidade aos policiais, são protegidos. Eu sabia que seu João nunca ia me decepcionar, ele não entrou no esquema, pois seu João tem uma coisa diferente dentro dele, coisa que as escolas não ensinam e que faltam de monte aos policiais que lhe bateram que se chama honestidade, quase em extinção nesse país, mais ainda existe. Seu João eu tenho orgulho de ter lhe conhecido, aonde quer que o senhor esteja.



terça-feira, 18 de maio de 2010

O diário do Menininho


Em uma galáxia distante, milhares de anos luz daqui, existia um menininho muito feliz, mas o tempo começou a lhe ensinar a ser triste, então ele passou o resto de seus dias pensando em voltar aos dias antigos, mas isso não é possível, então o menininho vivia como dava, mesmo chateado com muitas coisas, a pobreza, a fome das pessoas, a maldade, tudo isso o maltratava muito, parece que ninguém mais sentia a seu redor, mas pra ele , parece que tudo doía mais, as vezes as coisas já não valiam mais a pena, mas era preciso continuar, seus gostos e excentricidades e sua “chatice“ afastaram quase todo mundo, então ele se sentiu sozinho, a compreensão dos outros era cada dia mais distante, ele odiava os bajuladores, não aceitava falsos elogios, pois seu ego não precisava disso, sabia exatamente o que era e onde poderia chegar, sua compreensão do mundo talvez tenha se tornado tão grande que grande parte das pessoas, do seu mundo, perderam a relevância, ele via por dentro das capas as reais intenções, sentia o coração sombrio das pessoas, via através dos olhos. Poucas pessoas realmente lhe decepcionaram, pois de poucas pessoas ele esperou alguma coisa, de poucas pessoas ele não conseguiu ver a realidade. Mas essas poucas pessoas quase o mataram, ou quem sabe o mataram, pois delas, ele esperou tudo que não esperara das outras.
O menininho aprendeu a amar e desamar com a mesma pessoa, a acreditar e desacreditar, a ser feliz e triste, o menininho se arrependeu dos seus caminhos, dos amigos que não fez, dos sentimentos que não cultivou, das próprias mentiras que contou, o menininho escreveu dezenas de canções e as cantou um milhão de vezes, mas poucos entenderam o que ele queria dizer, falou de um milhão de amores mas ninguém os achou, ou quem sabe tenha falado um milhão de vezes do mesmo amor que nunca existiu. O menininho é tão vazio, que de noite, chega a doer, uma saudade de alguém que nunca esteve, que ele não conhece, então disseram que ele estava doente, que deveria tomar remédio antivazio, ou antisaudade ou antitristeza, como se existisse remédio pra tal.
Um dia desses o menininho ouviu Janaina do Biquine Cavadão e se achou igual à Janaina, pensou então que falavam dele.

Janaina acorda todo dia às quatro e meia
E já na hora de ir pra cama, janaina pensa
Que o dia não passou
Que nada aconteceu
Janaina é passageira
Passa as horas do seu dia em trens lotados
Filas de supermercados, bancos e repartições
Que repartem sua vida

Mas ela diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz
Ela diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz
Se Deus quiser.....

Janaina é beleza de gestos, abraços,
Mãos, dedos, anéis e labios
Dentes e sorriso solto
Que escapam do seu rosto

Janaina é só lembrança de amores guardados
Hoje é apenas mais uma pessoa
Que tem medo do futuro- que aconteceu ? -
Se alimenta do passado

Mas ela diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Mas ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz
Diz
Que apesar de tudo ela tem sonhos
Ela diz
Que um dia a gente há de ser feliz
Se Deus quiser.....
Já não imagina
Quantos anos tem
Já na iminência
De outro aniversário
Janaina acorda todo dia às quatro e meia
Já na hora de ir pra cama, janaina pensa
Que o dia não passou
Que nada aconteceu.


Assim como janaina ele tambem tem sonhos, ninguem os sabe, mas ele tem, ele não é de sonhar tanto, mas de vez enquando ele se pega fazendo planos. Não curte mais seus aniversários como antigamente. Sua distância do cotidiano “normal”, do caminho das pedras da sociedade, resultaram em muitas histórias, dizem que ele é mistérioso, que não acredita mais em Deus, mas 90% é lenda, e de lenda em lenda ele vai vivendo, O deus que ele não acredita mais é aquele que falsos profetas lhe venderam anos trás, o menininho não acredita mais que Deus seja propriedade de alguma religião ou que esteja apenas na gaiola de alguns, o menininho vè um Deus maior, que mora em algum lugar na imensidão, mas a imensidão é tão grande que as vezes o perdemos e de vez enquando o encontramos, é assim.
Um dia desses ele resolveu escrever um pequeno diario, esse diario se tornou grande demais, ele ja não conseguia carregar sozinho, descobriu então que seu “caderninho” amenizava a falta que lhe doia, então escreveu um milhão de letrinhas e sentiu-se um milhão de vezes melhor, despertou dez mil olhos e acordou mil anjos ao seu redor, com isso espera viver 10 vezes mais que antes e 100 vezes maior que outrora.
Que ninguem duvide do menininho, ele vai recuperar suas amizades perdidas, seus amores esquecidos, seu passado feliz, o menininho vai subir as estrelas e acender a lua do seu amor, o menininho vai levantar mais forte do que nunca, pois o menininho apesar de menininho é muito grande, ja não cabe dentro de si com facilidade, seus desagravos serão grãos de areia em relação sua grandesa.
La vai ele, escrever as metaforas do seu dia em seu caderninho que vai ser livro, la vai ele, escrever suas poesias de tristezas e aborrecimentos, la vai o menininho, deixem-o em paz, fale baixo não o encomode, ele é assim mesmo, la vai o menininho, mas pode esperar, ele volta, sempre ele volta.

domingo, 9 de maio de 2010

A EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE PT


A não ser que você seja um companheiro do PT, você tem de estar preocupado agora, você que batalhou seus 4 ou 5 anos em uma universidade, ou até mesmo, especialização mestrado, La vai mais uns 3 anos no mínimo, você que passou noites e noites pensando no TCC, trabalhos em cima de trabalhos, ônibus lotado etc. Eu tenho uma triste noticia, se você não é do PT esta correndo sério risco de ficar desempregado, a educação brasileira em tempos de PT é totalmente dispensável, os melhores empregos públicos, mais algum privados ( por influencia) ficam nas mãos de algum semi-letrado “companheiro” do partido. O corporativismo do PT esta simplesmente desincentivando qualquer pessoa de estudar, não adianta quantas doutorados você tem, ou mesmo se você é pesquisador da NASA, se você não for do PT é carta fora do baralho.
Sei que é difícil para muitos observar por detrás da cortina de propaganda dos “companheiros”. Mas se observarmos bem, perceberemos a maquina pública totalmente infestada de semi-letrados, que com um discursozinho repetitivo se dizem os sabedores de tudo, os únicos capazes de lutar contra a classe burguesa. Eles só esquecem que a classe burguesa agora é representada por eles, estão esquecendo de virar o disco, ou não tem massa cinzenta pra criar outro discurso? Fico com a segunda opção, é falta de imaginação mesmo.
Sempre fiquei observando esses rebeldes sem causa, mesmo aqueles que se propuseram a fazer uma universidade, eles simplesmente não conseguem aprender, pois logo descobrem que para se dar bem só precisam se dar o trabalho de decorar meia dúzia de palavras pseudo-socialistas, e vestir uma camisa do “Che” (assim como eles dizem) sem pelo menos aprender o mínimo que seja da vida dele. Não é preciso fazer nada, os professores da universidade, na maioria das vezes “são bonzinhos” com essas pessoas. Parece até mesmo fazer parte de uma classe diferenciada, não precisam estudar e podem fazer o que quiser.
Não sei não, mais me parece que se tornou meio místico ser semi-letrado, ta na moda, e Cult. Se cair na besteira de estudar, o companheiro perde a graça, o diferente é não saber, o desafio e estar no maior cargo possível sabendo o mínimo. Parece no mínimo estranho mais é a nova ordem educacional brasileira, quanto menos melhor. Não me estranha se qualquer dia desses criarem cotas para professores analfabetos, não é que ainda não temos, pois temos muitos, mais vão querer assegurar a vaga. Estão querendo igualar as pessoas no final, quando o certo seria dar igualdade de condições no inicio. Toda e qualquer cota é um ato discriminatório, mas isso é outra história que um dia desses eu falo, o meu medo imediato mesmo são as cotas obrigatórias de professores analfabetos, pois como as coisas estão se encaminhando, estamos a um passo disso. Os cargos de confiança (que não precisam de concurso público) a cota de companheiros semi-letrados passa dos 90%, tem companheiro que eu conheço que não sabe nem o que o seu cargo quer dizer, outros não conseguem ler suas atribuições, e outros, piores do que todos esses juntos querem dar aula de “companheirismo” (no sentido corporativista da palavra) pros outros, acham que sabem tudo, o último biscoito do pacote, ganham os maiores salários, passam com o saquinho do caixa 2 pra todo mundo contribuir, querem convencer todo mundo que todas essas práticas são lícitas se tratando de sua classe, pois estão lutando contra a classe “burguesa”, vivem de saquear os cofres públicos e de enganar gente boba. O problema é que nosso pais esta cheio de gente boba, ou seja, campo muito fértil pra gente desse tipo prosperar. Gosto de chamar esse tipo de gente de professor de grego, não conhecem uma palavra do idioma, mais mesmo assim dão aulas para os que nunca ouviram falar de Grécia.
Ai está o problema deles comigo, eu sei que eles não sabem grego, e ver eles dia após dia enganar as pessoas me embrulha o estomago, não consigo tolerar, achar bonito e muito menos bater palma, e isso faz com que eu seja discriminado e colocado cuidadosamente embaixo do tapete.
Estava até pensando em entrar no mestrado esse ano, mais sinceramente tenho medo, lembro-me do último curso de informática que fiz em São Paulo, fui acusado de hacker e quase fui preso (literalmente), além de ter sido demitido. Hoje fico vendo gente que tem exatamente 0,00000001% da minha capacidade técnica, dando o maior prejuízo, mais sendo tratado como mestre. Às vezes eu acho que o conhecimento assusta alguns, se acham inseguros perto daqueles que sabem, preferem estar cercado de gente com cérebro de ameba. Essa é a única explicação razoável que minha mente consegue formular.
Gabriel Garcia Marques, escreveu “O Amor nos tempos do cólera” o meu desafio é escrever A educação nos tempos de PT. Sinceramente espero que as coisas mudem sabe? Um dia espero que as pessoas possam estudar sem o medo de achar que estão perdendo tempo, que os melhores postos de trabalho sejam dos melhores de fato, que as coisas boas sejam finalmente apreciadas nesse pais, que os professores de grego sejam desmascarados, que eu possa ir mais vezes a São Paulo estudar um pouco sem risco de ser preso, que as pessoas possam ler meu livro sem medo de serem pegas e taxadas, que eu seja menos alvo e a educação, finalmente, seja prioridade nesse pais.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Diário do Menininho - O livro

Por: Paulo Roberto Braga

Tenho que confessar pra vocês que estou me sentindo em pedacinhos, cheio de ausências e feridas, dores e tristezas, e sem ninguém pra dizer. Tem horas que quase me convenço que as ausências estão sendo maiores, mais ai eu descubro que meu dia perfeito é feito de pequenas coisas que me fazem forte por um segundo, e que sem pressa, eu posso me distrair com os pequenos pingos de chuva, e que por mais que tentem, nunca, aqueles que me detestam, vão conseguir me embrutecer e me tornar insensível às coisas ao meu redor, porque eu, acima de tudo, acredito nos meus ideais e nos meus princípios, pois podem até maltratar m

eu coração, mas meu espírito ninguém vai conseguir quebrar.


R$ 39,99


Autor: Paulo Roberto Braga
Tema: Diversos, Literatura Nacional, Filosofia
Palavras-chave: crônicas
Número de páginas: 155
Peso: 195 gramas
Edição: 1 ( 2009 )
Acabamento da capa: Papel supremo 250g/m², 4x0, laminação fosca.
Acabamento do miolo: Papel offset 75g/m², 1x1, cadernos fresados e colados (para livros com mais de 70 páginas) ou grampeados (para livros com menos de 70 páginas), A5 Preto e Branco.
Formato: Médio (140x210mm), brochura com orelhas.



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um enfeite de Natal


Faz um tempão que eu não falo de amor, até eu mesmo estava sentindo saudade, é que as vezes não da sabe, esse negócio de gente que enfia agulha em criança, mata na mais fria covardia ta me deixando doente, as vezes eu acho que as pessoas estão ficando imunes a essas noticias, nada mais as abala, mas comigo ta sendo diferente, isso me deixa em pedaços, alimenta minha depressão, acaba com minha fé de que as coisas mudem, melhorem, me deixa mal pra caramba. Ta todo mundo ao ponto de se agredir, sempre, das poucas vezes que saio de casa, ainda me aparecem uns espíritos de porco pra me provocar (nem sei se porco tem espírito), essa semana fui surpreendido por um elemento me perguntando se eu não ia escrever nada falando mal do natal no meu blog nesse final de ano, isto acompanhado de um sorriso abusante, juro que me deu vontade de perguntar desde quando ela sabia ler, mas ainda tenho um resquício de sanidade que me ajuda a relevar essas coisas idiotas do dia-a-dia.

Ta vendo como ta cada vez mais difícil falar de amor nesses tempos de cólera? Assim já dizia Gabriel Garcia Marques, mas no meio desse monte de coisa que nos entristece acontece alguma coisa que como se fosse mágica nos ajuda a refletir, sentir paz e intender, pelo menos um pouco, e por um instante o sentido das coisas, na véspera de natal as 8:00 da noite um menininho de não mais de 10 anos, pés descalços, sem camisa e short rasgado veio até mim e pediu algum dinheiro para que ele pudesse comprar um enfeite de natal pra por em sua casa e alegrar sua mãe, tenho que admitir que esse garoto simplesmente me desmontou, desde a minha meninice o natal tinha perdido uns 96% do seu sentido pra mim, mas esse menino como que com um filme na minha frente fez eu sentir todas as coisas boas que eu sentia, me fez sentir um frio típico das minhas noites felizes quando pequenino, me fez sentir um cheiro de presente novo aberto com toda alegria na manha de natal, meu Deus que sensação gostosa, eu já não lembrava mais. Dei todo o dinheiro que tinha no bolso, era pouco, mas ele foi tão feliz, tão completo, assim como ele tinha me completado naquele momento.

A partir daquele momento, meu natal foi diferente e será pra sempre diferente, aprendi que devemos cultivar dentro de nós todas as lembranças que valem a pena, lembra-las sempre que alguma dor doer, lembrar do seu primeiro amor, do seu primeiro beijo, das pessoas legais, dos dias inesquecíveis, é preciso cultivar o que é precioso em seu coração, não deixe que ninguém diga pra você que é proibido, que é feio, pois ninguém, mais ninguém mesmo pode saber o quão são importantes suas lembranças, isso só você sente, só você sabe, só você vê. E tão gostoso saber que não é pecado pensar em alguem e saber que essa pessoa pensa em você. É necessário pensar em coisas boas pra poder fugir dessa dor, dessa falta de esperança, é preciso lembrar das pessoas legais

"Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades
para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E
esperança suficiente para fazê-la feliz."

Clarice Lispector

Eu preciso que pensem em mim, assim como eu vou pensar em quem merecer, não há regras a se seguir, pois quem dizia as regras na verdade nunca as seguiu, não é justo cobrar nada, quem diz que pensa em você na verdade não pensa, quem lhe impõe regras sempre lembra de lhe esquecer todos os dias e lembra também de deixar tudo escrito para que você sofra, se sinta pequeno, e que saiba que sua presença e suportada com a lembrança de outra pessoa (isso nunca se pode apagar) e que não haja mais tempo de procurar alguem de quem se lembrar, pois você esqueceu de todos achando que era pecado. Vou sonhar com quem eu quiser e sempre quando eu quiser, acho que esse é o segredo de tudo, é assim que podemos ser felizes, não com coisas grandes mas as vezes com uma lembrança boa, alguem especial ou um simples enfeite de natal.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sobre música, bêbados, meu ipod e Liah

Pra variar estou ouvindo angra dos reis (legião Urbana), juro que eu queria ouvir outra coisa, mas simplesmente não dá, quase nada de novo presta, mas espere um pouco, há uns dias achei uma menina que canta muito bem, e suas musicas são razoáveis, é pra minha surpresa total, ela é paraense, meu grande pequeno estado esquecido. Logo eu, que pensava que nada mais, nesse estado, prestava, que tudo se resumia a aparelhagens, analfabetos que se alto denominam dj’s e tecnobrega, vem essa menina me contrariar. Quem me dera se toda semana fosse contrariado assim. Mas como todo milagre tem seu limite, ninguém a conhece aqui, então ela mora no rio de janeiro e faz um bom sucesso por lá, mas também, seria pedir demais, para que a menina além de ser daqui, cantar bem, ainda gostarem dela nesse no estado, acho que se ela vier cantar por aqui vão apedrejá-la.
Dizem que eu sou intransigente e não respeito o gosto alheio, mas digo que é exatamente o contrario, por aqui por esses lados esquecidos do Brasil, gente como eu, que não gosta de dj, tecnobrega e aparelhagem, simplesmente não tem vez. Meus ouvidos são bombardeados impiedosamente por toneladas diárias do mais podre lixo sonoro disponível no mercado fonográfico mundial, estou no limite do suportável.,
Mês passado tive que ir a Belém, fui “curtindo” o CD o Melhor do Pop Som, Jesus Cristo, foi a segunda pior viajem da minha vida, só não foi pior do que a viajem que capotei o carro e cai de uma ponte. O CD foi tocado duas vezes, mais ou menos 4 horas consecutivas, justamente o tempo da viajem. Quase chegando ao meu destino o disco finalmente acabou pela segunda vez e o motorista trocou para o rádio, por mais inacreditável que pareça estava tocando la solitudine na voz da Laura Pausini, o meu ouvido quase que entrou em colapso te tanta felicidade, mas infelizmente a alegria durou pouco, um bêbado que estava do meu lado e mais 90% dos passageiros da mesma reclamaram da música, o bêbado disse simplesmente:
-Motorista c..... tira essa música palha (no linguajar dele, palha quer dizer ruim).
Então quase todos apoiaram o bêbado:
-Verdade, verdade motorista.
O motorista então, pegou novamente seu disco do melhor do Super Pop, e colocou pela 3ª vez.
Sinceramente não queria muito, apenas ter minha liberdade de ouvir o que eu escolho de volta, faz muito tempo que não deixam, você sai pra um barzinho e em 15 minutos aparece um idiota que abre o porta malas cheio de leds e alto-falantes ruins e simplesmente coloca no volume máximo seu som, não importa se 90% das pessoas que está lá gostam, ele simplesmente esta agredindo os ouvidos dos outros 10%, invadindo a liberdade de escolha de não ouvir, está ai a diferença, não sou eu que sou radical e nem intransigente, caso ele estivesse ouvindo com fone de ouvido ele podia ouvir até seus ouvidos sangrarem eu não diria nada, pois não tenho nada haver com isso, mas o problema é que esses idiotas querem incomodar, mostrar que tem um som no carro com led azul.
Queria saber em qual perspectiva eu estou errado? Esse atraso cultural que vivemos também se estende a percepção de limites de liberdade. Ninguém tem direito de obrigar os outros a ouvirem o que estamos ouvindo, isso é básico, não precisa usar muito a mente pra chegar a essa conclusão, mas a maioria não consegue, simplesmente não conseguem pensar por um segundo sequer que estão invadindo o espaço alheio.
Não tenho mais esperança em entrar em uma Van silenciosa pelo menos, ou ir a um barzinho sem idiotas ou que eles usem fones de ouvido, o negocio aqui no Brasil é muito abandonado e no pará mais ainda. Mais qual meu antídoto pra isso? Meu ipod, ele está sendo meu companheiro inseparável, aconselho a todos com o mínimo de bom gosto que compre um, além de tudo ainda espanta os chatos que querem conversar, salvo os bêbados que mesmo assim conversam, mas é uma maravilha.
Eu já ia esquecendo o nome da menina paraense é Liah, lançou um cd chamado livre,vale a pena ouvir.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

TAUBA


Deveria eu ter estudado somente ate a 4ª série, pois foi na quarta série que eu aprendi a última coisa útil da minha carreira escolar, nesse período eu já estava dominando as quatro operações básicas e lendo e escrevendo razoavelmente, depois daí, tudo de importante eu poderia ter aprendido sozinho, assim como fiz.
Da universidade só tiveram proveito às boas amizades, poucos professores tinham algo que eu não sabia para me ensinar e os que tinham não ensinaram. Depois de 5 longos anos parimos um diploma (eu e a universidade) então me mandaram pra casa.
Voltando ao assunto inicial, se tivesse estudado somente até a 4ª serie, teria eu dois caminhos pra escolher, um era tentar entrar pra política, que para se dar bem é quase regra que você tenha que ser semi-alfabetizado, parece brincadeira, mas esse negócio de não ter estudado ta na moda hoje em dia. Lembro-me bem de uma história que rolava nos corredores da universidade em relação a isso, não sei se é verdade ou mentira, pois essa gente de universidade tem uma mania horrível de inventa mentira, mas vamos lá, diziam que na universidade de Pernambuco existia um professor analfabeto, ele dava aulas orais sobre a cultura do maracatu, após alguns anos de docência, perguntaram-lhe certa vez em uma roda de estudos, porque, mesmo depois de muitos anos dentro da universidade ele não tinha aprendido a ler? Ele sabiamente respondeu que se ele aprendesse a ler fatalmente perderia o emprego. Engraçado, mas é a mais pura verdade, há um certo glamour em ser analfabeto, simplesmente a universidade se orgulhava de tal excentricidade, com certeza há de haver dezenas de especialistas em maracatu (há especialista pra tudo que é bobagem, existe especialista em perna de barata pode acreditar) que sabem ler, mas não teria a mesma repercussão pra instituição. Nada contra o saber não institucional, o problema está na valorização exagerada no que diz respeito a falta de educação básica, ta sendo mais vantajoso não estudar, levar as coisas no jeitinho brasileiro.
Então qual seria minha segunda opção a não ser ter parado na quarta série e correr o risco de ser presidente da república? Seria ter, depois de alguns anos trabalhando pra ganhar dinheiro, ter feito um desses super supletivos de hoje em dia, que você conclui o primeiro e o segundo grau em seis meses, feito uma dessas faculdades de correspondência relâmpago de menos de 2 anos, que se digeridas em dias de aula não chegam há 4 meses, e usasse o resto to tempo pra decorar algumas frases e nome de livros e fingir ser especialista. Eu simplesmente passei 17 anos estudando enquanto tem gente que fez a mesma coisa em 2 anos e 6 meses, e estão ai com toda a pompa do mundo. Resumindo perdi 14 anos e meio te tempo da minha vida, tempo que eu poderia simplesmente ter usado pra trabalhar e ganhar dinheiro, escrever livros, ler, ouvir música, jogar videogame, namorar, falar mal dos outros enfim, qualquer coisa mais útil do que ter ficado dentro de uma sala de aula com uma professora que quase sempre sabia menos do que eu.
Sobraram-me duas sensações pra compartilhar com vocês, a primeira é de que eu não deveria ter nascido nesse pais ridículo, a outra é que eu simplesmente fiz tudo errado, andei pelo caminho mais longo a troco de nada, eu com meus 17 anos de estudo estou em casa por incapacidade técnica, enquanto os meus colegas de 2 anos e seis meses estão ensinando seus alunos a soletrarem “tauba”.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O DIARIO DO MENININHO...


Ola, estou um pouco sumido, isso deve-se a dois fatores básicos, um não interessa muito e o outro é que estou finalizando o livro, ele terá alguns artigos inéditos, ou seja, nunca publicados antes no blog, claro né? Se não quem leu todo o blog não iria comprar o livro. Inclusive um dos textos inéditos dará nome ao livro que chamará O DIARIO DO MENININHO.
Ainda devo escrever um ou dois textos e publicar um ou dois textos anteriores ao blog, o que dará 4 ou 5 textos inéditos, logo depois encaminharei os textos para revisão ortográfica e depois será enviado para a editora, espero que fique pronto antes do natal, sem falsa modéstia é um belo presente pra se pedir ao papai noel. Provavelmente, e se tudo der certo (entenda der certo como o livro vender consideravelmente) farei uma festa de lançamento onde voltarei a tocar junto com os meninos da banda, mas tudo isso vai depender da tiragem do livro.

Até outro dia, abraços...

sábado, 10 de outubro de 2009

Clarisse 2


É preciso acordar, lá vai eu juntar alguns pedaços de mim pra poder abrir os olhos, admitir que já é hora de levantar, para alguns é fácil, mas pra outros é tão difícil, pra mim é cada dia mais difícil, pois preciso juntar os pedaços de mim que justifiquem abrir os olhos. Hoje por exemplo foi muito complicado, falta algo de muito precioso dentro de mim, mas eu não sei falar, não sei dizer, não sei escrever. Mas alguém sabe? Quem sabe algo que justifique abrir os olhos de manha? Me digam, dizem que existe uma luz, mas onde está? Onde mora? Vejo muita mentira, vendedores de luz falsa, vendedores de sonhos mentirosos. Abram suas janelas ao amanhecer e verão que não existe nada que justifique, abram pelo menos os olhos, não é possível que só eu sinta, veja você mesmo que não existe luz alguma.
Existe uma poesia de Martha Medeiros, que fala um pouco de quando me sinto em pedaços


PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo
.

Sei que tem muita gente que sente, mas tem vergonha de dizer, ou as vezes não sabe dizer, sei que não estou sozinho nessa mas parece que sim, todo depressivo é assim. Que doença terrível é esta, mas não confundam tristeza com depressão, tristeza acontece por um motivo, a depressão não, não há motivos, e é isso que destrói. Mas o que mais define a depressão é a falta de esperança, é muito fácil estar triste mais sentir a esperança que as coisas irão melhorar, mas quando você não tem esperança que as coisas mudem é muito complicado. Queria eu acreditar nas coisas e nas pessoas, porem ta tão difícil.
Tem muita gente por ai vivendo uma vida desgraçada e não procura ajuda medica por preconceito, hoje em dia existem remédios que ajudam nessa batalha, que tornam sua vida melhor. Não vale a pena ficar se escondendo de si mesmo, não vale a pena fazer tudo com dificuldade, pra alguém em depressão tudo é muito difícil, principalmente dar o primeiro passo ao acordar, buscar um copo de água na geladeira, ir a padaria, tudo é uma batalha.
Aos que convivem com pessoas depressivas o primeiro mandamento é não forçá-lo a nada, não querer tirar ele de casa a força, pois mesmo que ele vá, tudo é artificial, não tente alegrá-lo a qualquer custo, entenda e principalmente respeite seu silencio, de apenas um abraço silencioso e sorria, pegue em sua mão, diga que você esta presente, cante uma canção ou simplesmente fale de amor. Não diga a ele que existe gente pior que isso é devastador, existem horas que não há nada a dizer, só cultivar o silêncio basta.
A depressão é uma batalha diária, cada dia vivido é uma vitória, um anjo triste lhe acompanha sempre, sempre lhe tentando a lhe levar com ele, as vezes é muito tentador, a solidão de um depressivo é um deserto sem fim que mora dentro do peito, ninguém pode entender. Veja a musica chamada Clarisse.

Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos...
Composição: Renato Russo

Agora dizendo em portugues claro, o grande problema da depressão, são as pessoas ao redor, querendo lhe obrigar a sair rindo como se fosse um louco, como se fosse a coisa mais facil do mundo, como se a dor fosse inexistente. A indiferença das pessoas que insistimos em amar é que é foda, é meu unico medo, a indiferença, até maior que a solidão, com ela eu ja me acostumei, ate gosto, mas o olhar indeferente me mata, os discursos dizem o que o olhar desmente, então sinto falta de um caminho que eu não trilhei, de um passado diferente que eu poderia ter vivido.
O mundo continua o mesmo e vamos caminhando até onde der, de vez em quando eu sinto um fiozinho de esperança, esboço um sorrizinho de monalisa e saio com minha moto pelas ruas pra sentir o vento no rosto, aproveitando uma sensação gostosa, saio de mim, viajo profundo, mas ai o telefone toca (esqueci de esquece-lo em casa) tudo se desmonta, fico profundamente chateado, o clima ja se foi, os telefones celulares banalizaram nossas vidas, por qualquer bobagem lhe ligam, lhe encomodam, lhe chateiam. Então a não ser que tenham algo importantissimo pra me perguntar, realmente pertinente, não me liguem, não me incomodem, eu posso estar viajando profundo. Vou quebrar novamente meu celular, já não preciso dele pra nada, cheguei a esta conclusão, quando precisar de alguem vou ate lá pessoalmente, graças a Deus meus dias de atendente telefonico ja se foram, não tenho mais empresa pra se preocupar e muito menos emprego, pois fui dispensado do meu a uns meses, então viva o silencio, viva o meu vazio, viva viver do modo que eu quero.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Novidades


Ola! Algumas noticias novas pra vocês, primeiro queria justificar minha ausência, é que estou um pouco ocupado, mas em breve vou publicar mais algumas postagens novas pra vocês. Outra coisa é o meu twitter (paulorobertobra) sigam-me os bons... mas é “paulorobertobra” mesmo, não tem o “ga”.
Agora a noticia mais legal de todas, se tudo der certo, provavelmente no final do ano, sairá, finalmente, o livro do blog paulinhodiario, só falta eu selecionar os textos para a correção ortográfica, alguns textos serão inéditos, ou seja, que nunca foram publicados no blog. Por este e por outro motivos gostaria de pedir a todos os meus leitores que iniciassem um trabalho de divulgação do blog, é bem fácil, basta ir ao final do texto e clicar na cartinha e digitar os endereços


de e-mail de seus amigos, assim como na foto, vamos fazer igual aquelas correntes bregas de e-mail, aqueles que dizem assim, se você não enviar pra tantas pessoas será pra sempre infeliz, ou Deus não vai te abençoar, aquelas bobagens de sempre, mas que por incrível que pareça da certo, todo mundo manda pra todos seus contatos.
então vamos lá. Até mais.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Miss Sarajevo


Um dia, dei a alguém especial um livro chamado O amor que acende a lua, em sua contracapa eu escrevi o que de mais profundo existia em mim, sem cascas, sem proteção, sem mascaras. Estava eu ali, totalmente autêntico, expondo todo amor que eu poderia, simplesmente nada para mim era maior, era minha verdade. Porem esse alguém especial, jogou no lixo mais sujo que encontrou o livro que eu lhe dera, outros riram do meu amor cafona, do meu jeito démodé de viver, do que eu achava que era.
Desde esse dia, a lua do meu amor nunca mais acendeu, tudo por lá ficou escuro e silencioso, por lá está tudo deserto, calado. Não sei se vale a pena escrever seu coração na capa de um livro para alguém, depois você corre o risco de ficar sem ele pra sempre. Mas eu, não me arrependo do que fiz, pois eu, simplesmente fui eu, da forma mais pura, independente do que fizeram, eu me vi refletido naquela contracapa, e descobri que eu sou uma pessoa boa.

Então estou eu procurando em mim a parte que ascendia minha lua do amor. Vejo-me então, em todas as palavras descrito no poema de Martha Medeiros

PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.


Queria que a lua do amor das pessoas não se apagassem assim como a minha, mas sei que muitas luas por ai estão apagadas em silêncio, sonhos interrompidos não contados, amores mal resolvidos, ou pessoas queridas perdidas. Mas a vida é assim mesmo, não é novela, é realidade, só que ninguém gosta de contar essas histórias, então às guardam por toda a vida.
Ontem descobri que talvez eu tenha perdido a chance de acender minha lua do amor pra sempre, talvez ela fique assim eternamente, talvez eu fique do lado das histórias que não servem pra novela, ou seja, sem final feliz pra contar. Mas como as pessoas sobrevivem a isso? Fácil, há tempo para tudo, até mesmo tempo de esquecer de tudo fingir que tudo esta bom, mesmo que as bombas estejam caindo em nosso quintal podemos inventar algo pra se distrair, assim como em Miss Sarajevo, música do U2 que conta a historia de um concurso de Miss em plena guerra da Bósnia.

Is there a time for keeping a distance
A time to turn your eyes away
Is there a time for keeping your head down
For getting on if your day
Is there a time for kohl and lipstick
A time for cutting hair
Is there a time for High Street shopping
To find the right dress to wear.
Here she comes, heads turn around
Here she comes, to take her crown.

Is there a time to run for cover
A time for kiss and tell
Is there a time for different colors,
Different names you find it hard to spell
Is there a time for First Communion
A time for east 17

Is there a time to turn to mecca
Is there a time to be a beauty queen.
Here she comes, beauty plays the crown
Here she comes, surreal in her crown

Dici che il fiume trova la via al mare
E come il fiume giungerai a me
Oltre i confini e le terre assetate
Dici che come fiume, come fiume l'Amore giungerà
L'Amore, e non so più pregare

E' nell'Amore non so più sperare
E quell'Amore non so più aspettare.
Is there a time for tying ribbons
A time for christmas trees
Is there a time for laying tables
When the night is set to freeze.

Existe uma época para ficar distante
Uma época para inverter seu olhar
Existe uma época para baixar a cabeça
Para ir em frente com seu dia

Existe uma época para usar batom e maquilagem
Uma época para cortar o cabelo
Exisite uma época para compras na avenida
Para encontrar o vestido certo para se usar

Lá vem ela
Os olhares se invertem
Lá vem ela
Para receber a coroa

Existe uma época para correr para os abrigos
Uma época para beijos e confissões
Existe uma época para cores diferentes
Nomes diferentes, você sente dificuldade em soletrá-los

Existe uma época para primeira comunhão
Uma época para o EAST 17
Existe uma época para admirar Meca
Existe uma época para ser uma bela rainha

Lá vem ela
A mais bela recebendo a coroa
Lá vem ela
Surreal em sua coroa

Você diz que o rio
Encontra seu caminho para o mar
E assim como o rio
Você virá para mim
Além das fronteiras
E dos desertos
Você diz que, como o rio
Semelhante ao rio
O amor virá
Amor
E eu não consigo mais rezar de forma alguma
E eu não consigo mais acreditar no amor de forma alguma
E eu não consigo mais esperar pelo amor de forma alguma

Existe uma época para usar fitas de amarrar cabelo
Uma época para árvores de Natal
Existe uma época para arrumar a mesa
Quando a noite está bastante fria
Bono vox

Existem momentos que é preciso que você acredite que o rio encontrara o mar, mesmo sabendo que nunca encontrará, que você vira pra mim, mesmo sabendo que nunca vira, que o amor apareça, mesmo que você não acredite mais no amor, mesmo que você já não o espere, existem momentos que é preciso que você ore no quarto escuro, mesmo que não tenha mais fé, existem horas pra tudo e as vezes é preciso acreditar, só por acreditar, e nada mais. Assim serei eu com a minha lua de amor, vou sonhar que ela se acendeu de novo, só por hoje, só por hoje.

PRA QUEM RECLAMAR?


Acordei ao som da canção da alvorada as 6 da manhã, sim, hoje é 7 de setembro, tenho que admitir pra vocês que me arrepiei, mas não foi de emoção não, foi de raiva, tive simplesmente que lembrar que moro nesse pais as 6 horas da manhã, isso é muito complicado. Pra quem ainda não sabe eu tenho uma tremenda vergonha de morar aqui no Brasil, não é por nada não, é só porque tem um monte de coisa que eu não entendo, não adianta tentar me comprar com a seleção brasileira de futebol, eu até gosto um pouco, mas não compensa a vergonha de morar em um lugar sem respeito como esse.
Ainda existe um agravante muito expressivo no meu caso, eu não moro só no Brasil do presidente fanfarrão, futebolista, semi-alfabetizado e bêbado, eu também moro no estado do Pará da pior governadora do pais. Nesse aspecto podemos ter “orgulho” de estarmos disparados na frente dos outros, somos o pior estado brasileiro, pensava eu que ainda estávamos na frente do maranhão do Sarney, mas fui lá por esses dias é vi que mesmo carregando o pesado fado da família Sarney por anos, estão décadas melhor que o Pará, incrível, mas é verdade.
Então, direto do pior estado, do vergonhoso Brasil, estou eu aqui aproveitando enquanto ainda posso dar minha opinião sobre política no meu blog, pois vão proibir, inspirados na “democracia chaveana” vão me proibir de dizer o que eu vejo, isso simplesmente é um retrocesso imensurável, uma falta de respeito, mas no Brasil, sabe-se o que é respeito? Infelizmente não, aqui é terra de ninguém, ninguém respeita ninguém, individualidade por aqui é besteira. Li há algumas semanas que uma americana ganhara uma ação sobre sua vizinha de apartamento por causa da altura do toque do seu celular que a moça usava como despertador para lhe acordar diariamente, constatou-se que a liberdade da vizinha estava invadindo a liberdade da outra vizinha, parece até exagero, mas não é, é respeito a individualidade, e isso é levado em consideração em paises civilizados, enquanto eu, aqui, do pior estado do Brasil, passei uma das piores noites da minha vida, pois simplesmente fizeram uma festa dançante praticamente na minha calçada, fecharam minha rua, espalharam mesas, posicionaram as caixas de som para minha porta e me brindaram com as mais horríveis músicas feitas pela humanidade, tudo isso em um volume praticamente insuportável e qualidade sonora deplorável, meu filinho simplesmente entrou em pânico, não havia ele ainda passado por tal tortura, ele se sentiu agredido pela situação, e eu me senti impotente, pra quem reclamar?
Desde muito cedo o prédio em frente a minha casa já me dava pistas de como seria minha noite, a festa foi organizada de lá, meninas seminuas já desfilavam com garrafas de cerveja e cachaça a tarde toda, adolescentes já bebiam liberadamente, o entra e sai no prédio era intenso, a gritaria e algazarra também, tudo estava se encaminhando pra simplesmente infernizar minha noite, então quem não sabem onde moro vão me dizer, -quem manda morar em frente a um cabaré (no sentido brasileiro da palavra e não no francês)- então eu responderei, não moro na frente de um cabaré, moro na frente de uma escola, acreditem se quiser mais tudo isso foi organizado por uma escola, as meninas quase desnudas eram alunas e os adolescentes bêbados eram alunos, nada mais nobre para uma escola do que encaminhar seus jovens adolescentes para o vicio do álcool, educar seus ouvidos com musicas do pior calibre possível que tratam mulheres como lixo. inclusive o bar era o portão da escola. As 2:00 da manhã anunciaram que a cerveja tinha acabado, comemorei pois pensei que tudo ia acabar, mas logo o locutor anunciou que ainda havia caipirinha, e bem gelada, e a festa continuou.
Sinceramente eu não entendo esse modelo educacional, alguém pode me explicar? Que futuro tem uma cidade dessas onde a escola embriaga seus alunos? Realmente eu não me encaixo nisso, mas parece que ninguém vê, todos vivem em uma letargia inacreditável principalmente na hora de votar, não me assusto nada se elegermos de novo a pior governadora do Brasil, pra podermos consolidar a liderança de pior estado do Brasil nos próximos 4 anos, mas se isso acontecer eu juro que vou embora pro maranhão, vou pro segundo pior estado do país mas no primeiro eu não fico, ainda bem que a copa foi pra Manaus, já pensou na vergonha, com o tanto de ladrão que tem em Belém iriam roubar até a bola do jogo.
Mas enquanto eu não vou pro maranhão, pra quem eu devo reclamar? Afinal de contas menores não podem ser incentivados a beber o vicio do álcool mata milhares de pessoas por ano em nosso pais, já sei, vou mandar uma carta para o presidente da república, mas acho que não vai dar, dizem que ele não gosta de ler (ou não sabe, sei lá), mais ele tem vários assessores, alguém pode ler pra ele não é? Pode sim, mas acabei de me lembrar que ele também é adepto fiel do álcool, que diga o New York Times,. (http://www.nytimes.com/2004/05/09/international/americas/09lula.html). Então deixa pra lá.