sexta-feira, 16 de maio de 2008

sábado, 10 de maio de 2008

Quando Você Voltar

Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre
Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.
Já brigamos tanto mas não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você
Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
E saiba que te amo

Quando eu penso em você

Recebi vários e-mails de pessoas reclamando sobre o texto “Diga que nossa vida é luz” me acusaram de ter admitido ser ateu, pelo amor de Deus, eu não disse isso, por favor entendam, eu não disse que não acredito em Deus, e muito menos critiquei a fé de qualquer que fosse, não citei o nome de nem uma religião, apenas disse algumas coisas das quais não acredito mais, ou quem sabe eu nunca tenha acreditado de verdade, como já tinha dito, o Deus que eu acredito está a minha espera em algum lugar tranqüilo, longe dessas discussões e mentiras que dizem dele.

Há dez anos atrás estava saindo da musica gospel para tocar o que realmente eu sentia, ousei escrever letras mais profundas e em 2001, depois de muito desgaste, fui expulso da igreja por divulgar a música “Quando eu Penso em você” na rádio da cidade de onde morávamos, não posso dizer que não senti, talvez essa tenha sido uma das maiores frustrações da minha vida, mas depois consegui entender que as coisas eram bem mais profundas e complexas do que eu pensava, tinha muito interesse particular envolvido. Minha musica foi taxada como “ofensiva aos princípios cristãos” ou seja, não se encaixava nos padrões de musica que um evangélico podia cantar, não tinha as palavras fogo, nem gloria, aleluia ou satanás, e musica evangélica no Brasil que não tenha essas palavras, não é considerada musica que possa ser cantada por “crente”. Graças ao meu Deus verdadeiro há 7 anos me expulsaram da igreja. Assim pude realmente me libertar e não me alienar e me tornar mais um fanático sedento de palavras de extremismo para viver. Não preciso ouvir Cassiane e nem fingir que gosto dessas entidades chamadas ministérios, onde são cantadas músicas de 12 minutos no meio de uma gritaria imensa. Não preciso acreditar na cara de pau do Silas Malafaia, tentando extorquir, o mísero salário mínimo, de pobres, desesperados, através da televisão.

Mesmo depois de 7 anos, “Quando eu penso em você” continua sendo ofensa para os princípios cristãos de muitos, para mim, continua sendo uma linda poesia que fiz inspirado em uma linda pessoa, e só nos remete a coisas belas.

Quando eu penso em você

Paulinho\Socrates

Se eu for embora fica a minha canção,

Se eu for embora fica o meu coração.

Se fores, são flores ao amanhecer,

Meu maior detalhe foi você.

São palavras que se cruzam lá fora,

Vem do fundo dos teus beijos de agora,

É a força que trás o caminho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

As flores um dia morrem,

Mas enquanto estão aqui são eternas.

Es eterna, e mesmo sendo eterna

Jamais estarás só

Jamais estarás só

Jamais estarás.......

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Menina linda, és a minha canção,

Hoje eu tenho dentro do coração.

Pois tu és as flores ao amanhecer

Meu maior presente foi você.

São palavras que se cruzam lá fora,

Vem do fundo dos teus beijos de agora,

É a força que trás o caminho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Sei que quando penso em você,

Não estou mais sozinho.

Muito ofensivo não? Tem tanta coisa mais ofensiva por ai, as vezes me da até pena. Mas o que importa mesmo e que existem muitas músicas que nos aproximam muito mais de Deus do que muita porcaria com selo de gospel.

Quando Eu Quero Falar Com Deus

Roberto Carlos

Quando eu quero falar com Deus, eu apenas falo
Quando eu quero falar com Deus, às vezes me calo
E elevo o meu pensamento, peço ajuda no meu sofrimento
Ele é pai, Ele escuta o que pede o meu coração
Quantas vezes falando com Deus, desabafo e choro
E alívio pro meu coração eu a Ele imploro
E então sinto a Sua presença, Seu amor, Sua luz tão intensa
Que ilumina o meu rosto e me alegra em minha oração

Quanta paz, quanta luz
Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a ele conduz
Deus é pai, Deus é luz
Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus

É tão lindo falar com Deus, em qualquer momento
Deus que vê uma folha que cai e é levada ao vento
Não existe onde ele não esteja e Ele pode escutar nossa voz
Deus no Céu, Deus na terra, onde esteja, está dentro de nós

Quanta paz, quanta luz
Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a Ele conduz
Deus é pai, Deus é luz
Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus

Quanta paz, quanta luz
Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a Ele conduz
Deus é pai, Deus é luz
Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus

Quanta paz, quanta luz
Deus nos ouve, nos mostra o caminho que a Ele conduz
Deus é pai, Deus é luz.

Ouçam música que lhe façam bem, independente do que digam pra você, ouçam musicas que lhe elevam em espírito, que lhe traga paz. Assim como essa canção dos Beatles ( a maior banda de todos os tempos) que traduzi para todos nós

The Beatles - In My Life

Em minha vida

Há lugares que me lembram
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns se foram e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, que ainda me lembro
Alguns estão mortos e outros estão vivendo
Em minha vida, já amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o ternura
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que sempre vou pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais você

Em minha vida...
Eu amo mais você

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Diga que nossa vida é luz

Antes de começar a ler este texto quero que vocês façam uma coisa, quero que enquanto estiverem lendo, leiam ouvindo a música “Relicário” do Nando Reis, cantado por ele e a Cássia Eller. Caso você esteja no blog basta abrir outra pagina do blog e clicar no nome da musica, mas se você está lendo esse texto impresso ligue o som e coloque o Cd acústico MTV Cássia Eller e a vá até faixa 11, depois aconselho a ouvir o Cd inteiro, mas para ler este texto ouça somente essa música.

Sabe.... agora eu estou sentindo uma dor tão doida, tão difícil de dizer, talvez na verdade só quisesse explicação, isso me faz lembrar das mães de filhos desaparecidos. É preferível a dor da certeza da morte, com a dor se acostuma, se convive, mas com a duvida não, não tem como conviver. Da duvida nunca se esquece, acho que essas pobres mulheres devem acordar nas noites barulhentas de chuva e sentir uma triste esperança, e pairando sobre essa esperança, imaginar seu filho desacolhido, na chuva, em um lugar de onde não se pode voltar e nem gritar, de um lugar escuro e triste em que não se pode mandar nenhuma mensagem de vida, de um lugar aonde ninguém pode fazer nada, essas mães também não podem fazer nada, pois elas não sabem de onde vem a dor, eu também não sei, não sei de onde vem parte da minha dor, não sei dizer por que estou morrendo a cada dia que passa, me destruindo a cada minuto, afastando-me das pessoas que me fazem bem. Nesse momento estou cercado do nada, dos meus filhos só me restou o silêncio, um silêncio tão triste, um silêncio insuportável, deixo seus brinquedos espalhados pela casa e saio, para que quando eu chegue, tenha a falsa idéia de que eles ainda estão aqui, fico na sala para poder imaginar que eles ainda estão no quarto. Assim vou enganado minha saudade. Assim vou no meu ciclo de dor que gera dor, não é justo o que acontece comigo, o que fizeram comigo, como diz Nando Reis:


O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou


O mundo está ao contrário e ninguém reparou”, ninguém consegue reparar depois de suas cercas, tudo e muito injusto e no fundo só há fingimento de compaixão, todo mundo está muito ocupado com sua própria diversão, estão transformando tristeza em show pra alimentar mentes doentes, ninguém sabe como a mãe da Isabella está sofrendo, acham que tudo é Big Brother, se entendessem de verdade seu sofrimento, não assistiriam programas que exploram seu sofrimento em cima do tumulo de sua princesinha. Meu Deus industrializando tudo, estão enlatando sofrimento e vendendo pra população. Tinha prometido não escrever sobre Isabella pois simplesmente essa maldade não tem nome, não existe palavra, disso não se pode escrever.

Eu estava em paz quando você chegou” Tristeza maldita, ainda consigo lembrar da felicidade, lá no fundo. Você chegou e foi me dominando aos poucos, ano após ano, achei que tinha aprendido a conviver com você, mas tinhas uma carta na manga, tinha uma cilada preparada. Tenho que admitir que lhe subestimei, sabias que com meus filhos você nunca me venceria. por isso você me tirou eles, você sabe no que somos mais fracos. Tristeza maldita.

Não tomarei mais anti-depressivos, não há ninguém que me convença, acho que isso é desonestidade com meu corpo, estou tentando engana-lo, não quero ser enganado por ninguém, para isso tenho que começar por mim, estava exigindo das pessoas o que eu não fazia comigo mesmo, eu também sou injusto. Isso me causa muita dor de cabeça e inquietação, mas isso é o preço que estou pagando por ter enganado meu corpo, tudo que fazemos tem um preço, que precisa ser pago pelo que fazemos de errado e esse e meu preço, só não paga o preço quem não esta disposto a se libertar, só não se paga o preço quando tudo é fingimento, e quando o valor que juramos ser valoroso, não é tão valoroso assim. Quero voltar a ser eu mesmo independente das conseqüências.


O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for.....

.....O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô...
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor

O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?
...está fazendo assim?


Quis acreditar nos seus milhões de vasos sem flor, quis acreditar no que você quis me dizer. Trocaria a eternidade que as pessoas querem me dar pra que essa noite fosse realmente verdadeira Não sei o que aconteceu de verdade, por que me disseram mentiras? Frases sem cor? Por que quebraram meu relicário de amor? Não sei por que estão fazendo assim, o que estão fazendo comigo? Por que que está fazendo assim? ...está fazendo assim? Mas isso não faz com que me revolte com Deus, sei que ele não tem culpa, sinto, às vezes, que ele está triste também, pois Ele sabe o que tem no meu coração, não sei onde Ele esta agora, mas é esse Deus que eu acredito, não acredito nesse deus mesquinho que querem que eu acredite, nesse deus preconceituoso e cheio de ódio que aproveitadores estão pregando pelas praças, nesse deus engaiolado, submisso de engravatados farsantes buscadores de dinheiro fácil. Perdoem-me quem estou desapontando, mas nesse deus eu não acredito, prefiro acreditar em um Deus que me espera em algum lugar tranqüilo.

Aqui estou eu, sem ninguém com quem conversar e nem ouvir, aqui estou eu, com meu silêncio como companhia, aqui estou eu como as pessoas juraram que eu nunca estaria, aqui estou eu simplesmente sozinho, ninguém pode saber o que estou sentindo, o quanto estou triste, o quanto a saudade está me doendo, ninguém sabe, talvez nem eu mesmo saiba. Queria pedir ajuda, mas já não sei como, talvez essa poesia do Renato Russo possa falar por mim, ela chamasse Sagrado Coração, não chegou a virar musica pois ele se recusou a cantá-la, talvez sua letra e sua melodia já fossem suficientemente bonitas para dividirem espaço, semelhante a alguns amores que de despedem.


Sei que tenho um coração
Mas é difícil de explicar
De falar de bondade e gratidão
E estas coisas que ninguém gosta de falar

Falam de um lugar
Mas onde é que está?
Onde há virtude e inteligência
E as pessoas são boas e sensíveis
E que a luz no coração
É o que pode me salvar
Mas não acredito nisso
Tento mas é só de vez em quando

Onde está este lugar
Onde está essa luz?
Se o que vejo é tão triste
E o que fazemos tão errado?

E me disseram!
Este lugar pode estar sempre ao seu lado
E a alegria dentro de você
Porque sua vida é luz

E quando vi seus olhos
E a alegria no seu corpo
E o sorriso nos seus lábios
Eu quase acreditei
Mas é tão difícil

Por isso lhe peço por favor
Pense em mim, ore por mim
E me diga:
- Este lugar distante está dentro de você
E me diga que nossa vida é luz
Diga que nossa vida é luz
Me fale do sagrado coração
Porque eu preciso de ajuda

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Ovelhas adoram futebol

Mais Um texto Feito na universidade, os professores odiavam, e eu adorava ser diferente. esse e o primeiro texto de critica social que disponibilizo, espero que gostem.

OVELHAS ADORAM FUTEBOL.

Os ratos estão tomando conta, sim é verdade, eles estão em toda parte, em todos os lugares, estão amedrontando as pessoas de bem, estão tomando as nossas casas a força, estão tirando nosso precioso sono, sinceramente, não sei se podemos fazer muita coisa, só sei que tem cada vez mais ratos, eles aumentam muito a sujeira, e sujeira, como sabemos, atraem mais ratos, é um ciclo.

Existem basicamente duas espécies de rato, os ratos que são ratos mesmo e não tem vergonha de se assumir, e outros são ratos que fingem que não são, esses são os mais perigosos, são tinhosos e traiçoeiros, eles lhe roubam de maneira mais voraz que os outros ratos que assumem que são ratos, fazem isso pois tem contrato com os gatos, que teoricamente deveriam nos proteger dos ratos, mais que no fundo, agora, depois do contrato com os ratos-que-dizem-que-não-são-ratos, viraram gatos-raposas, um perigo para nós pessoas de bem que somos as ovelhas, eles deixaram de perseguir os ratos e começaram a nos perseguir. Agora somos perseguidos pelos ratos-que-são-ratos os ratos-que-dizem-que-não-são-ratos e o que é pior pelos gatos-raposas. Os gatos-raposas são impiedosos, fazem o que querem, estão do lado da lei.

Mas onde está a lei? Ela está representada, no momento, pelos porcos, fazem qualquer sujeira, e bota sujeira nisso. No momento, estão aliados com os ratos, muitos deles eram ratos que promoveram-se a porcos.

Então o que fazer agora? Quem são os que escolhem os representantes? Somos nós ovelhas, então porque não escolhemos uma ovelha para nós representar? Ai poderíamos prender todos os ratos porcos e raposas, e poderíamos viver em paz, o que falta para fazermos isso? O problema é que tanto os porcos como os ratos são espertos, eles se protegem, os ratos mantém os porcos no poder, em troca ganham cargos especiais, tomam conta da nossa educação, saúde, segurança, distribuição de água e de tudo mais, e sempre em períodos de escolha de representantes eles dão as ovelhas doses cavalares de uma droga chamada televisão, essa droga faz com que porcos e ratos se pareçam com ovelhas e assim fazem com que as pobres sempre escolham os mesmos representantes. então porque não proibimos a televisão? Deus nos livre, as ovelhas já são dependentes, se proibíssemos a televisão as coitadinhas morreriam, preferem ficar assim.

Mas, nunca uma ovelha chegou ao poder? Sim já, porém a maioria vira porco quando chega até lá, dizem até que o nosso atual representante, um ridículo porco de barbas, já foi uma ovelha no passado. mas não sei se dá pra acreditar, ele é muito experiente no que se diz respeito a sujeira, acho que ele sempre foi porco. Sim, quer dizer que não tem jeito, os porcos podem fazer tudo? Não existe justiça? Sim, existe sim, são as antas, cada vez mais gordas e lentas. só que essas antas não são simples antas, são antas especiais, são antas cegas, dos dois olhos, elas ficam sempre tomando conta de uma vara, uma subordinada a outra até chegar na anta maior, a mais gorda e poderosa, só que essa anta também é diferente, ela enxerga, enxerga porque é escolhida pelo porco maior, o de barbas.

Pois bem, o que podemos concluir e que estamos perdidos, não adianta fazer nada, estamos cercados e sozinhos, não adianta se trancar, os ratos-que-são-ratos sempre arranjam um jeito de lhe roubar, e quem dera se fosse apenas os ratos-que-são-ratos, ainda temos que agüentar sermos roubados pelos porcos e tudo isso lavrado pela "legalidade" concedida pelas antas que por sua vez obedecem novamente os porcos, tudo é executado pelos ratos-que-dizem-que-não-são-ratos sempre escoltados pelos gatos-raposas, fechasse assim o ciclo de nossa situação. Mas você acha que as ovelhas estão preocupadas? O que é isso amigo! Pra que preocupação, está chegando a copa do mundo, e ovelhas meu amigo, adoram futebol.

O último post

Em breve estarei postando o último post no blog, inclusive ja estou escrevendo, vai ser muito especial, desde já agradeço a todos os meus leitores por todo carinho, inclusive um leitor fiel de Los Angeles que sempre visita minhas postagens, achei tudo muito gratificante, mas é preciso que minha sinfonia tenha um fim, e ele está proximo...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

TALHERES DE BAMBU

Esta foi minha última produção que fiz para a universidade, e fala sobre educação especial. Esse é um dos textos que eu mais tenho orgulho de ter escrito.

TALHERES DE BAMBU

Sei que trabalhos acadêmicos não devem ser pessoais, passaram a minha jornada escolar toda repetindo isso, mas como eu sou um pouco teimoso, o meu último trabalho não poderia ser diferente, não gosto de ser burocrático, gosto de ser humano, falar o que penso. Com certeza os trabalhos burocráticos são mais fáceis de ler e de avaliar, pois eles já estavam escritos em algum lugar, só é preciso montar o mosaico, ai o professor avalia se o mosaico foi bem ou mal montado. Eu não faço mosaico de nada, eu apenas escrevo.

Posso afirmar, com toda a certeza, que seria impossível falar em educação especial de maneira burocrática depois de passar esses últimos dias pesquisando sobre o assunto, mas sei que existem pessoas que conseguem, e pior, acho que antigamente, eu também conseguia. Achava que as prioridades dos portadores de deficiências eram diferentes das prioridades das outras crianças, achava que era uma forma que o governo tinha arrumado de economizar, sinceramente não conseguia ver crianças deficientes em salas de aulas normais. Eu tinha até uma frase pronta para quando vinham me perguntar sobre educação especial, eu dizia o seguinte, “tratamentos iguais para pessoas diferentes só aumenta as diferenças”, daí eu encerrava o assunto como se minha opinião fosse definitiva, mas ai eu descobri que estava doente, muito doente, meus olhos estavam contaminados pelo mal da “linha de produção escolar”, pelo mal da busca de resultados iguais, resultados satisfatórios para o mercado, como se as crianças fossem produtos que passam por testes de padrão de igualdade, e são, ou embalados etiquetados e enviados para o mercado ou condenados, descartados e incinerados, estamos descartando e incinerando nossas crianças especiais e ninguém se da conta disso.

Acho que a maioria dos olhos ainda não estão acostumados a aceitar o diferente, nossos olhos estão doentes, muito doentes, eles não conseguem ver beleza no diferente. Nós acabamos por nos acostumar com os supermercados e suas infinitas prateleiras rigorosamente organizadas com produtos iguais, divididos por artigos. Aqui estão os produtos de limpeza, já desse outro lado estão os produtos frios, desse outro legumes, enfim, é isso que esperamos encontrar nas escolas, não conseguimos aceitar, que nossos filhos (sempre genialmente superiores a qualquer outra criança) se misturem com crianças “inferiores”, acreditamos que eles sejam mais “lerdos”, e assim sendo, vão acabar por atrasar a turma toda. É assim que a maioria das pessoas pensa, é assim que a maioria das pessoas age.

A doença da diferença está nos nossos olhos e não necessariamente no outro, uma criança deficiente não se acha inferior até que venha alguém e diga isso a ela. Mas os olhos de infelicidade das pessoas fazem questão de dizer, existem pessoas que necessitam cultivar os olhos de infelicidade, e acabam por destruir a igualdade das pessoas, e o equilíbrio das coisas, a beleza da diversidade. Não sei por que achava que as crianças especiais não poderiam aprender em uma escola “normal”, o que se deve aprender em uma escola “normal”? Alguém pode me dizer? Para que se estuda o que se estuda? Para decorar um monte de coisas, pra poder passar no vestibular, pra poder conseguir um bom emprego, e com isso ganhar bastante dinheiro? Para poder ser feliz, acho que é esse o caminho que se imagina. Mas acho que poderíamos encurtar um pouco esse caminho, pois para crianças especiais, o simples direito de poder conviver com as pessoas já lhe fazem felizes, o simples direito de poder brincar, conversar, fazer gestos, interagir, já é suficiente. Mas os olhos doentes de infelicidade de alguns, não admitem ter o “desprazer” de ver crianças especiais espalhadas por todos os cantos, pelos parques, pelas praças e principalmente pelas escolas. Preferem que fiquem enclausurados em lugares desconhecidos, para não correrem o risco de vê-las. É assim que um monte de gente pensa, é assim que um monte de gente faz. Mas quando se tratando de discurso, é cada um mais bonito do que o outro, todo mundo tem um discurso bonito pra falar, mas dificilmente condizem com a prática, enquanto isso, a discriminação continua solta, as crianças especiais continuam sendo maltratadas e sem escolas para estudar.

De tudo que aprendi, tenho um conselho para dar para as pessoas de olhos doentes, espero que eles nunca fiquem velhos, pois a velhice vem acompanhada de varias deficiências, deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência física, existe uma parábola que ilustra bem esse conselho.

- juntos o pai, a mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim, discretamente, disse ao marido: Seu pai não está mais em condições de usar pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação. Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de bambu para substituir a porcelana. Na primeira refeição em que o avô comeu na gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai explicou e o menino se calou. A partir desse dia ele começou a manifestar um interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai, entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: O que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira, respondeu: Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho...

Para todas as pessoas que não conseguem conviver com as diferenças eu tenho apenas um desejo, de que quando ficarem velhos, tenham pelo menos alguma pessoa que “suporte” suas deficiências e lhes comprem pelo menos uns talheres de bambu.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Video

Video da música "Só Por Você", que inclusive ja disponibilizei a letra aqui no blog. ta um pouco ruim pois foi gravado no celular, mas da pra curtir.



Só por você


Quero a luz serena desse teu olhar,
Mesmo já sabendo que não vou mais te encontrar.
(querer assim)
Quero um novo dia a cada amanhecer,
Mesmo já sabendo que não mais me entender.
Será covardia ou indecisão,
Deixar de percorrer as inconstâncias do meu coração.
Será que vou estar ao entardecer,
Dias que não virão a acontecer,
Aqui já não, da mais.
Sonhos dessa vida sempre são iguais,
Muitos se desfazem nos seus próprios temporais,
(Tudo então)
Tudo é mais difícil que se possa ter,
Nem toda novela e contada na TV.
Sempre a realidade é um pouco mais,
Toda história sempre foi vivida a pouco tempo atrás.
Nunca vou te dizer, que é eterno assim,
Volto a procurar, em nosso jardim.
Pra me lembrar De ti.
Meu amor, para onde quer for,
Sentirei alguma dor,
Vento muda a direção,
Mesmo então.
Sentirei teu coração,
Bem difícil de entender,
Cantarei a mesma canção,
De algum tempo atrás,
Só por você.

Musica: Paulinho

Dicas

Hoje estou apenas para dar dicas de coisas legais, a primeira são dois excelentes livros do escritor Rubem Alves, O amor que acende a lua (clique e compre o livro) e O mundo num grão de areia (clique e compre o livro) para se ouvir, a dica é o Cd de coletâneas do U2 The Golden Unplugged Álbum (clique para baixar ou comprar o cd) e pra descontrair deixarei mais um poema do chileno Pablo Neruda e um de Mario Quintana chamado, canção do dia de sempre.




Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.

Pablo Neruda




Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Aos 24 dias de abril

Hoje é dia do meu aniversário, a primeira coisa que vem em nossas cabeças quando falamos de aniversario é bolo, a segunda balão, depois desses dois símbolos, que são universais na cabeça de todo mundo, as coisas podem variar um pouco, uns pensam em tortas e brigadeiros, outros pensam em cerveja, churrasco e música alta. Isso é resultado do processo de simbolização que nossa cabeça sofre durante nossa vida, simbologia que talvez não represente nada pra nós, mas que foi plantada em nossas mentes, empurrada, tatuada. Hoje vivo no que chamo de processo de desintoxicação do meu cérebro, desintoxicação de símbolos alheios, vou criar meus próprios símbolos para representar o que sou. Na minha cabeça já não me vem bolo e balão, muito menos cerveja e pagode, na minha cabeça passam coisas mais profundas, símbolos mais bonitos.

Não quero que cantem parabéns pra você pra mim, porque não gosto do final dessa canção, esse negócio de muitos anos de vida não é certo pra todo mundo, o certo seria assim: mesmo que poucos, intensos anos de vida. Tem gente que não suportaria muitos anos de vida, não desejaria 10 anos de coma pra alguém, ou quem sabe 7 anos com seqüelas de um derrame cerebral e muito menos 4 anos de depressão. Tem gente que prefere a intensidade do tempo, como eu. Não faço questão de muitos anos de vida, faço questão de bons anos de vida, ou quem sabe, um bom último ano de vida, desde que seja o melhor deles.

Através da simbologia que nos foi plantada, passamos a ter pavor à morte, e alegria pelos aniversários, como se as duas palavras morassem em lados opostos da vida, sinto muito lhes informar que isso não é verdade, aniversário e morte são sinônimos, são duas palavras que andam de mãos dadas. Vejam bem como as simbologias alheias nos pregam peças, sopramos nossas velas de aniversário com a maior felicidade, sem ao menos notar que esse ato representa menos um, ou seja, menos um ano que você já não tem mais, pense que sua vida fosse como um imenso campo escuro com velas acesas, a cada ano que passa você mesmo vai lá e sopra uma vela, ano após ano, até que o dia você, sem saber, na maior festa, com bolo, brigadeiro e pagode, apaga a ultima chama de sua vida, que horrível não? Mas é assim que fazemos, adotamos símbolos alheios sem ao menos questionar. Esse ano eu poderia acender uma vela, só pra ser chato, só pra fazer algo que realmente tivesse sentido, mas não vou fazer isso, pois não desejo anos de vidas que não são meus.

Assim como Rubem Alves, não sei quantos anos tenho, ou melhor, ainda tenho, pois isso ninguém sabe, só posso dizer dos anos que não tenho mais, das velas que já foram apagadas, essas sim eu conheço, são exatamente 26. Porem, as velas ainda acessas, não posso contá-las, ninguém pode ver. Mas estou tranqüilo, não sou bobo de achar que alguém pode adivinhar quantas velas me faltam, sei que isso não é possível, e muito menos eu gostaria de saber, mas quando elas acabarem, eu estarei aqui, para me transformar, para que da minha morte nasça outra vida, não sou tão petulante ao ponto de pensar que comigo poderia ser diferente, que eu não precisasse ir para que outros viessem, mesmo que pudesse escolher, mesmo assim desejaria ir quando fosse a hora. Aprendi a não ter medo da morte, aprendi que tudo tem de ter final para que haja sentido, para que possa ser contemplado, nunca nos disponibilizaríamos a ouvir uma canção sem fim, ninguém gostaria de apreciar tal música, por isso que eu quero um fim para minha canção, quero que um dia alguém possa contemplar a última linha da última estrofe da última poesia que eu escrevi, acompanhada da última nota, de um som que vai ficando baixinho até acabar e se transformar em vazio, será então o meu vazio, a minha contribuição para que a vida continue, para que alguém sinta saudade de mim.

O vazio que deixarei não será um vazio qualquer, nele, conterá meu relicário, nos últimos tempos estou enchendo ele de coisas, de músicas, de poesias, de textos, de pensamentos, deixarei o conjunto de tudo aquilo que fui. Gostaria muito que minhas musicas virem CD e meus textos livros, e diferentemente dos outros, não quero que meu corpo vá parar em um cemitério e que as pessoas chorem em cima do mármore cheio de parafina, quero que meu corpo vire cinzas e seja plantado junto com a semente de uma árvore bem grande em um bosque qualquer, e quando sentirem saudades de mim, ao invés de ir ao cemitério, vá ao bosque ver como a árvore está, qual o seu tamanho, e quando estiver bem grande, que se deitem de baixo de sua sombra e lembre de coisas boas, assim quero que seja.

Resumindo e dando um final as palavras, aos 24 dias de abril desse, cada vez mais rápido ano, eu, não desejo festas, bolos, brigadeiros e parabéns pra você, desejo coisas mais intensas símbolos mais bonitos e mais profundos, hoje desejo apenas passar o dia contemplando a beleza dos meus filhos, nada mais....

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Texto de Pablo Neruda.....

Texto Muito Bonito de Pablo Neruda. Por mais incrível que possa parecer, acordei ouvindo ele hoje no programa da Ana Maria Braga, não gostava muito do programa dela, sempre achava os textos que ela lia um pouco brega, mas hoje foi diferente, adorei, fui procurar no site do programa para disponibilizar pra vcs, agora são 08:07 da noite de 21 de abril, estou ouvindo Tears in Heaven do Eric Clapton mas na voz do Emmerson Nogueira, excelente cantor brasileiro, agora me sinto em paz......


Saudades

Saudade é solidão acompanhada,
É quando o amor ainda não foi embora,
Mas o amado já...

Saudade é amar um passado
Que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe
O que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficaram para trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
Passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Texto de Pablo Neruda

Poesia de Robert Frost

UM PÁSSARO MENOR

Quis, de fato, que o pássaro voasse

E próximo ao meu lar não mais cantasse.

Cheguei à porta para afugentá-lo,

Por sentir-me incapaz de suportá-lo.

Penso que a inteira culpa fosse minha,

E não do pássaro ou da voz que tinha.

O erro estava, decerto, na aflição

De querer silenciar uma canção.

domingo, 20 de abril de 2008

Leonardo e Eu

Acordei com uma dúvida, qual a personalidade mundial que eu mais admirava? De tanto pensar, descobri que sou uma pessoa com diversas faces, não faces de personalidade, mas sim faces de coisas que admiro e acompanho, ou seja, coisas que tomo pra mim na construção do que sou eu. Deixa eu explicar melhor, é mais ou menos assim, o que somos nós? Somos a soma de tudo aquilo que gostamos e fazemos, tomamos para nós, isso somos nós, descobri então que a soma de tudo que sou são muitas coisas, não sou especialista em nada, sou um pouquinho de cada coisa. Quando cheguei a essa conclusão fiquei um pouco preocupado, pois nos dias de hoje a globalização e as tendências educacionais apontam para o outro lado, todos querem super-especialistas para tudo, super-especialistas em digitação, super-especialistas e PHDs para pregar rótulos em latas de creme de leite, querem super-especialistas na função de apertar determinado parafuso de determinada maquina de determinada empresa que faz determinada coisa para uma determinada função do dia-a-dia, talvez isso seja mais uma forma de nos alienar? De nos impedir de pensar? Dizem que precisamos nos dedicar integralmente à determinada coisa para que possamos evoluir mais rápido, e que se estudarmos muitas coisas acabamos por não desempenhar bem nenhum papel, isso dizem os novos educadores estimulados pela pressão da qualidade total na educação que é a mais nova exigência do mercado. Só pra chatear eu sou diferente, penso diferente, a vida é muito grandiosa, cheia de possibilidades para gostarmos e nos dedicarmos a uma coisa só, tenho pena dos que fazem isso, gosto mesmo é do Leonardo da Vinci Em toda sua vida trabalhou com, urbanismo, aerologia, hidráulica, engenharia, guerra, anatomia, náutica, mecânica, botânica, pintura, filosofia, escultura, poesia, arquitetura, física, geologia, óptica e ainda arrumava um tempinho pra música.

Talvez se Leonardo da Vinci vivesse nos dias de hoje estivesse desempregado, qual empresa comportaria Leonardo? Como cumpriria seu expediente? Quem levaria a sério seu currículo? Por isso digo a vocês, daqui a um tempo, corro sério risco de estar desempregado, pois não sou especialista em nada, pois meu espírito é grande demais. Agora, então, decidi que meu blog será um pouquinho de cada parte que forma meu todo, cheguei a conclusão de que posso sem problemas comentar sobre música e dizer que estamos vivendo uma das piores crises intelectuais da história do mercado fonográfico brasileiro, posso comentar sobre livros, e dizer que os bons livros de verdade, nunca aparecem na lista dos mais vendidos, e que 90% dos livros que são comprados no Brasil, não são lidos de verdade, são comprados apenas para enfeitar as estantes, posso comentar sobre Artes Marciais e dizer que o Lyoto Machida será brevemente o campeão do UFC vencendo o Chuck Liddell no final do ano em uma luta surpreendente, posso falar sobre política e afirmar que o presidente Lula, vai sim tentar o 3º mandato e que a Dilma Rousseff é só uma desculpa esfarrapada, posso falar sobre economia, e dizer que as bolsas de valores não irão quebrar como na crise de 1929, posso falar sobre games e afirmar que a nova geração de games ira evoluir bastante a jogabilidade atual e que GTA e Winning Eleven, serão por muito tempo, ainda, os jogos a serem batidos, e que o Playstation 3 vai ser o principal console da década, posso falar de Informática e dar a dica de um site excelente que encontrei http://colunas.g1.com.br/tiraduvidas/ , posso falar como educador e dizer que nossos gestores burocratas estão acabando com a criatividade de nossos filhos, e que eu me recuso a ser um simples especialista, a não ser que deixem que eu seja um especialista em especial, que eu seja um cara especializado em pensar, ai eu aceito.

terça-feira, 15 de abril de 2008

A Walk To Remember

Existem idéias que ficam por dias na minha cabeça mas, não consigo encontrar palavras para explicá-las, então as deixo guardadas na minha caixinha de idéias-sem-palavras, assim como os delegados fazem com crimes sem solução, os arquivam, assim faço eu, arquivo minhas idéias sem solução. Essa minha caixinha de idéias-sem-palavras está superlotada, do mesmo jeito que está lotado os arquivos de crimes não solucionados pelos delegados, porém há, uma diferença muito grande entre eu, e os delegados, eles não estão nem um pouco preocupados com os seus casos não resolvidos, quando os arquivos enchem, compram outro armário maior para que caibam mais casos não resolvidos. Já eu, não consigo comprar e nem aumentar minha caixinha, isso me causa dor de cabeça, e ter dor de cabeça é muito chato. Porém, assim como acontece nos casos de crimes arquivados, uma nova evidencia aparece, e um investigador (daqueles novatos ainda estimulados com a carreira) em uma madrugada sem sono, tem um estalo, monta o quebra cabeça e consegue solucionar o caso e fazer justiça. Assim sou seu, colho a evidencia, e justamente em uma madrugada sem sono (que são muitas) consigo dar palavras a minha idéia, e assim soluciono o meu caso, que no fundo, sei que não é só meu, é um caso que muitos esperam por solução, e nem mesmo sabem disso.

Há tempos, descobri que o mundo das palavras escritas é muito restrito, e falar através delas algumas coisas é muito difícil, é preciso inventar códigos, que só são decifrados pelas pessoas certas. Esse código até que tem nome, ele chama-se metáfora, por exemplo esse é o artifício utilizado pelos poetas para explicar a inexplicável experiência do apaixonamento. Só através da metáfora se diz algumas coisas. Metáforas e poesias não se explicam se sentem, e se não se sente, não adianta tentar explicar, pois é coisa que vem de dentro e não de fora.

Há algumas semanas atrás desvendei dois grades mistérios através da ajuda de dois filmes que assisti, (não gosto muito de filmes, e nem gosto muito de escrever sobre filmes, mas esses foram especiais) com duas metáforas simples, a primeira solução veio do filme “Um amor pra recordar”( Titulo Original: A Walk To Remember,Gênero: Drama / Romance Duração: 101 min Ano: 2002) nesse filme, descobri que existe a beleza bonita e a beleza feia, mas que a beleza feia pode se tornar bonita pela experiência do amor verdadeiro, eu já desconfiava disso mas não sabia como dizer. Aprendi também que experiências de amor verdadeiras são atemporais, estão acima das leis do tempo, vivem em uma outra estação, onde as ações envelhecedoras do tempo não funcionam, essas experiências, moram em uma casa simples de manhãs sempre cobertas por nevoa, de gramas verdes, de um gramado infinito, de telhado de telhas de barro e uma grande varanda com plantas de flor ao redor, acho muito parecido com as poesias de Robert Frost. Lá não há celulares, nem computadores e muito menos televisão, qualquer uma dessas coisas quebraria o encanto e faria com que o tempo voltasse a correr, lá moram as essências dos nossos sentimentos, sentimentos ainda puros, cristalizados para que possamos lembrá-los de maneira ainda verdadeira, sentimentos sem a mistura envenenada do interesse.

Outro filme que me fez revelações valiosas chama-se: “Um sonho de Liberdade” (Título Original: The Shawshank Redemption, Gênero: DramaTempo de Duração: 142 minutos, Ano de Lançamento (EUA): 1994). Descobri através dele que a verdadeira liberdade pode estar em nossa maior prisão, e que muitos vivem presos dentro de si mesmo pelo medo da frustração. Porque o pavor das frustração? Já deveríamos estar acostumados com elas, são tão corriqueiras, não vale a pena esquecer do nosso sonho de liberdade, mesmo que às vezes distante. Não vale a pena entregar os pontos e deixar a vida passar, como dizia Renato Russo em sua poesia chamada Natália:

É preciso acreditar num novo dia, 
Na nossa grande geração perdida,
Nos meninos e meninas, 
Nos trevos de quatro folhas, 
A escuridão ainda é pior que essa luz cinza, 
Mas estamos vivos ainda. 
 

Descobri então que Adoro recordar minhas experiências atemporais e procurar meu sonho de liberdade (acho que a graça da vida é procurar) essa semana fui à casa de gramado infinito, fiquei lá por um tempo, foi muito bom, descansei meu espírito, andei de mão dadas com a inocência e brinquei com a pureza dos meu 15 anos, mas tive que voltar, para atender meu celular, todos estavam preocupados, fechei a porta bem de vagar para não acordar quem lá dormia o sono da eternidade, um dia quem sabe eu não volte, não marcarei datas pois lá não existem calendários e nem relógios, não há sistematizações, mas voltarei, sei que lá, não se trata de um lugar para fazer morada, é apenas para visitar e depois sentir saudade gostosa, lá é pra sentirmos liberdade e descobrir que estamos vivos ainda.

* Desculpem por passar a semana toda sem postar, estava na casa de gramado infinito, e lá não tem computador.

Paulo Roberto do Carmo Braga 15 de abril de 2008

domingo, 6 de abril de 2008

NO NOSSO AMOR...



Se eu disser que não da mais?
Toda falta sem você aqui?
Teu silencio teu amor enfim o teu sorriso?

Se eu disser que não da mais?
Toda falta que você me faz?
Tua ausência vai me ensinar a ser sozinho?

E cada dia mais,
Vai me ensinar a ser mais forte pra poder viver.
E cada dia mais,
É certeza que a tua força sempre está aqui.

Queria um dia te dizer,
E tão difícil se encontrar assim sozinho.
Queria m dia entender,
Não ver o mundo sem achar nenhum caminho.

Não sei se vou poder falar de toda vida?
Se eu disser que não da mais.

Não vou poder falar do que restou das flores?
E não tê-la nunca mais.

Se eu disser que não dá mais,
Eu farei uma canção pra ti.
Que é pra ti dizer,
Meu amor eu lembrarei você.
E pra você me olhar,
E lembrar de tudo que passou.
No nosso amor.

Não voltarei jamais,
Esquecer de tudo que eu vivi.
Não voltarei jamais,
Mas estaremos para sempre aqui.
Quando você voltar,
Vai lembrar de tudo que passou,
No nosso amor.

sábado, 5 de abril de 2008

PRECISO TE AMAR....

Essa é uma das pouquíssimas músicas minhas que não conta uma história que aconteceu especificamente comigo, na verdade, no fundo minhas canções são um diário de metáforas, mas essa canção conta a história de um amor que a vida interrompeu, uma história sem final feliz, uma história que não se vê em novela, ninguém gosta de escrever, mas é uma história real, que acontece todos os dias com alguém e nos ensina que é preciso falar o que o coração pede, o mais rápido possível, antes que o dia acabe.


PRECISO TE AMAR

Clara é à noite, quando estás aqui.

Não sei por que, não posso mais te ouvir.

Teu silêncio vai matar meu coração.

Se você partir que não demores muito.

Pois preciso te amar de coração,

Preciso te encontrar,

Preciso ser feliz,

Preciso te amar.

Ser feliz é sempre Não entristecer,

Amara é sempre amar, e nunca esquecer,

Sempre as flores vão mostrar minha paixão,

Quando você voltar, que me conquistes sempre.

Quantos olhos tristes, que trazer indecisão.

Suas mãos que estavam aqui, agora tocam o chão.

Como posso te dizer pra acreditar.

Mesmo sem poder eu posso te encontrar.

Quando você voltar.

Meu doce amor.

Preciso te amar.

É tão cedo pra dizer,

Mais foi tarde pra você.

Vejam a vida de nós dois,

Nunca deixe pra depois.

Há de haver algum lugar,

Onde eu possa te encontrar.

Onde eu possa te dizer,

Vou ficar só com você.

Só com você...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Mais uma Música


Aqui vai mais uma letra de uma música inedita, quem sabe um dia eu não cante ela pra vcs, só posso dizer que se trata de um tipo de música pra ouvir sozinho, bem baixinho, de preferência ao entardecer, sentado no chão, escutando o som do silêncio.





EM SILÊNCIO


Vamos pedir a Deus, e as pessoas de boa vontade,

Com toda cor então, alegria, desejo e saudade,

Vamos pedir a Deus, que a força me seja verdade,

Sempre verei em ti, olhos lindos, silêncio e coragem.


Voa leve então, para bem mais longe.


Vamos pedir a Deus que o silêncio disfarce a saudade,

E me ensine enfim na ausencia te em verdade.

Vamos pedir a Deus, que a distancia nos seja serena,

Que tudo acabe aqui, com um adeus e um pequeno poema.


Voa leve então, para bem mais longe.


Vai então, foge dos meus olhos,

Leva essa tristeza, deixe-me aqui.

Vai então, leva teus momentos,

Leva o teu perfume,Deixe-me aqui,

Meu amor.

Se foi de ser assim que deixe ser,

Sem nada a dizer, ou falar.

Se mesmo assim, o mesmo vento te encontrar.

Onde encontrava, só nós dois,

Não deixe entrar, uma tristeza,

Que outrora já se foi em um poema

De amor.


Paulo Roberto Braga



terça-feira, 1 de abril de 2008


A BEIRA DO CAMINHO

Para onde estou indo? Onde quero chegar? O que isso vai me trazer? Essas perguntas são essências serem feitas pra si periodicamente. Eu por exemplo acho que demorei muito tempo para faze-las, as vezes é preferível ficar parado do que prosseguir, pode até parecer estupidez mas descobri que essa é uma das grandes verdades do mundo, as vezes é melhor ficar parado.

Nunca me conformei com aquelas pessoas que passam 30, 40 anos na mesma situação, no mesmo emprego, na mesma vida. Mas algumas coisas me fizeram entender que tudo tem seu sentido, às vezes ficar parado é a melhor solução para algumas vidas. Muitas pessoas não estão preparadas para pagar o preço de conhecer caminhos diferentes, muitas pessoas entram em becos escuros, outros comem ervas venenosas da beira da

estrada, alguns se perdem, e outros morrem de cansaço, muitos morem de saudade de onde partiram por não encontrar nada de verdadeiramente importante na sua chegada. Eu parti, em busca de novos caminhos. Poderia ter escolhido ir para o outro lado do bosque, alguma coisa me dizia que era mais seguro, era mais calmo, porém, bem mais demorado. O outro lado era bem mais atrativo, sedutor, prazeroso, arriscado e curto. Os conselhos das velhas arvores, altas, e experientes, por tudo verem lá de cima, nada me adiantou, mesmo sabendo do risco, criei a falsa expectativa (que no fundo nem eu mesmo acreditava) que tudo poderia ser diferente, que eu poderia consertar esse caminho, que durante esse percurso eu poderia semear erva-cidreira e camomila, e sentir o cheiro delas durante minha caminhada, achei que poderia cortar as ervas daninhas e podar ciprestes para que a luz pudesse iluminar meus caminhos, e assim afugentar todos os lobos e raposas que ali viviam, fui induzido a acreditar que os corvos que ali habitavam já não eram tão maus, que tudo não passava de lenda. Tudo estava sob controle, pois meus olhos eram olhos especiais, meus olhos, apenas eles, viam pedras preciosas pelo caminho, eu poderia junta-las, aos montes, e no momento oportuno construir meu castelo, minha fortaleza. Tão segura, e tão sólida que nada ou ninguém poderia invadi-la.

Comigo levei uma rosa, uma rosa vermelha, que já achava não conter mais espinhos, levei-a em uma caixa de vidro, com todo o cuidado, com toda a esperança de que se tornasse uma flor, na verdade até vi nela uma flor, em uma de minhas miragens de paixão, caminhei por dias e dias, sem parar, com intuito de chegar ao lugar desejado. Ande apressado, até corri em alguns instantes, me tornei impaciente, irritado com a demora, tudo por achar que minha flor poderia murchar por falta de um castelo. Até que enfim cheguei, juntei minhas moedas que recolhi pelo caminho, que de fato me pareceu muito calmo, sem perigos ou ameaças e comecei a construir ao redor da minha caixa de vidro preciosa, o melhor castelo que minhas mãos poderiam fazer, com as pedras mais fortes. Invadi dias e noites a procura das madeiras mais nobres para minhas portas e janelas, da fechadura mais segura que minhas moedas poderiam comprar, então me envaideci, achei que estava seguro, mesmo que todo dia eu ainda aumentasse a altura do meu muro, achei que era supremo e inabalável, e que todo cuidado que eu ainda tomava era apenas para satisfazer meu ego.

Como toda parábola tem que ter uma lição moral a ser repassada, minha história não poderia ficar assim, então Deus, o todo poderoso, que até então não tinha citado, castigou minha arrogância, minha vaidade. Nas minhas viagens em busca de moedas de ouro para alegrar minha flor, os lobos e as raposas invadiram meu castelo, com a sedução de muito mais ouro que minhas mão pudessem trazer, com promessas de castelos muito maiores e bonitos que o meu, então na minha volta minha flor se transformou e rosa e cravou um grande, longo e venenoso espinho em meu coração, então percebi que aquela rosa sempre tivera sido rosa durante todo o tempo, e que seus espinhos sempre estiveram ali, que os lobos e raposas se escondiam atrás das arvores quando eu passava e que meu castelo era muito pequeno. Mas o espinho cravado pela rosa em mim, não me matou, pois não era pra matar, era apenas pra adoecer, pra me deixar sem forças, a me arrastar pelos caminhos frios escuros e tristes do bosque do mal, e ser zombado torturado e humilhado pelos corvos que um dia achei que já não faziam mais isso. Descobri então que o mal é articuloso, ele nunca demonstra ser mal, ele atrai com promessas de bondade, com olhos de arrependimento, de regeneração, se aproveita do sentimento mais nobre que você possa ter e lhe domina. Hoje me arrasto, sem forças, quase louco pelo barulho zombador dos corvos, sinto muita saudade de onde parti, bem melhor seria se tivesse ido para o outro lado, ou simplesmente tivesse ficado parado, talvez esse fosse o plano de Deus para mim, mas não, sei que estou muito distante do começo, e muito mais distante ainda da outra extremidade do bosque. Me arrasto sem noção, apenas com a certeza de que não conseguirei ficar assim por muito tempo, então compreendo a existência de ervas venenosas a beira do caminho.

Paulo Roberto Braga 01 de abril de 2008

sábado, 29 de março de 2008

SOBRE O AMOR, O DESAMOR, BRUXAS E PRINCESAS.

Essa semana cheguei a duas conclusões na minha vida, a primeira e que as coisas que não podemos explicar nos perturbam e a segunda e que as pessoas percorrem o caminho contrario da vida, essas foram as únicas duas coisas das quais tive certeza por esses dias.

Gosto bastante de Arthur Schopenhauer, mas sei que os poucos que o conhecem, não gostam (talvez por isso tenha morrido sem reconhecimento algum e tenha ficado assim por muito tempo até Nietzsche encontrar e popularizar sua obra). Mas eu particularmente adoro Schopenhauer, ele e suas obras andaram pelo caminho da tristeza, do desolamento, das lamentações, dizem alguns, que Schopenhauer não morreu como muitos, dizem, que ele foi desaparecendo, desaparecendo no esquecimento, no anonimato, na solidão. Sua morte, na verdade, não foi nem notada pela sociedade da época, que simplesmente ignorava sua obra.

Mas eu gosto de Schopenhauer não pela injustiça que aconteceu com ele (prática comum de nossa sociedade, todos fingem apoiar os injustiçados), mas sim pela sinceridade de sua obra, de sua vida, ele simplesmente admite a tristeza de sua alma, ele não perde tempo inventando personagem de felicidade pra mostrar para outros. Ele descreve a tragédia da vida de maneira sublime e principalmente real.

Acho que todos nós estamos muito longe da felicidade, na verdade apenas fingimos tê-la pra fazer inveja ao vizinho, mas no fundo somos tão vazios, tão incompletos, tão sem sentido como todo mundo. Todos sentimos isso, o que difere Schopenhauer, e agora eu, é que admitimos isso. Então decidi fazer assim, vou andar pelo caminho certo e não pelas vias contrarias, todos achavam que Schopenhauer era doido em sua época, mas o que eu vejo é que ele era o único sóbrio do meio que lhe desprezou, dos críticos acadêmicos, dos senhores do conhecimento, dos ministros da cultura enfim, todos aqueles que tinham o poder de decidir sobre quem deve ou não ser reconhecido. Hoje não é diferente o mundo todo está no caminho contrario, os nossos senhores do conhecimento, os nossos ministros de cultura e nossos governantes, aqueles mesmos que continuam decidindo quem é e quem não é, são todos loucos, todos estão caminhando por vias erradas, mas todos nós, também, estamos fingindo que está tudo bem. Na verdade tudo está assim, porque temos, e sempre tivemos a mania de dizer que tudo está sempre bem, fingir que tudo está sempre bem. Mas a solução é dizermos o que sentimos de verdade, sem preocupação de fazer inveja ao vizinho, é preciso esquecer o vizinho, e de preferência é importante que o vizinho lhe esqueça também.

Nós estamos pensando errado, e principalmente nós estamos a cada dia sentindo errado, isso mesmo, sentindo errado. Você já percebeu que a idéia de que milhões de pessoas no mundo estão morrendo de fome, não lhe toca mais? Ou que existem outras milhões de crianças doentes na áfrica, ou mesmo que seu vizinho está passando momentos difíceis, ou fotos de pobreza e catástrofes, nada disso lhe toca mais. O nosso senso de sentimento está sentindo menos a cada dia que passa, estamos percorrendo o caminho do endurecimento, do dês-sentimento. Não conseguimos ver nada de errado com pessoas que tem milhões e milhões de dólares em suas contas, grandes magnatas, grandes empresários. Hoje, já não conseguimos ver que existe alguma coisa errada com o cenário em que vivemos, alguns tem tanto e outros não tem nem o que comer, isso se tornou normal, como também se tornou normal o sofrimento alheio. Estamos percorrendo o caminho oposto ao sentimento, estamos nos tornando pedras, enquanto o normal seria nos tornarmos cada vez mais sentimentais, mais complacentes, mais tolerantes.

Um dia disseram a uma colega minha na escola que ela não passava de uma amante, ela olhou com ar de serenidade a pessoa que estava lhe acusando e simplesmente lhe disse: eu estou melhor do que você. O que me chamou a atenção nessa história foi à reação ao "insulto", juro que esperava que houvesse bate boca, mas a resposta foi tão serena, que acabou por desarmar a acusante. Naquele momento fiquei a pensar o quanto minha colega acusada falou sem falar, isso mesmo, falou sem falar, é importante que aprendamos isso, nas entrelinhas, de suas breves palavras existia muita coisa. Talvez ela quisesse falar sobre a concepção de dualidade do mundo, por exemplo: se é amante é porque ama e quem não ama desama, talvez ela não amasse a pessoa certa, mas acho melhor amar a pessoa errada a odiar a pessoa que se diz "certa" a pessoa que você acha que é certo odiar, não é certo odiar ninguém. Mas odiar, todo mundo acha normal, porém, os amantes, são criticados. Se fossemos colocar por ordem de classificação de "pecados" deveríamos colocar primeiro os desamantes, os odiantes, os fofoqueiros, os interessados na vida alheia, os falsos e depois de tudo isso viriam os amantes, talvez minha colega preferisse ficar do lado das amantes a ficar do lado do desamor, do dissabor, da inveja, da fofoca, da feiúra. Dos pecados talvez ela tenha escolhido o menor. Por quantas vezes nós não escolhemos o lado do desamor e achamos normal? É como ficar do lado da bruxa na estória de conto de fadas. Assim como fez o Príncipe Charles, ele percorreu o caminho oposto dos contos de fada, ele deixou a princesa pra ficar com a bruxa, e sua princesa era tão linda, eu era encantado com seu olhar de tristeza, assim como acontecia com Schopenhauer, ela era sincera, o seu olhar não conseguia esconder a tristeza e sim sempre refleti-la, era um olhar de pessoa inconformada com a vida, inconformada com as injustiças, tanto é que sua vida foi dedicada a ajuda humanitária. Acho que ela enxergava com olhos de Schopenhauer, e não conformada com sua vida tentou vivê-la de maneira diferente, tentou amar, mesmo passando por cima das tradições, do que se dizia ser correto, ela não ligava para o fato de ser considerada princesa, pois não se sentia princesa, é muito difícil sermos considerados algo que não somos, então Diana abriu mão de tudo que achavam dela pra ser simplesmente uma pessoa feliz. Eu também faria isso, mas sei também, que muitos não fariam, prefeririam ficar com o titulo de princesa, preferiam ficar fazendo inveja ao vizinho, mesmo que para isso fosse necessário jogar sua vida inteira fora. Muita gente joga a vida fora pra fazer inveja, e outros são piores ainda, jogam a vida fora pra poder ficar olhando e criticando a vida alheia, são os desamantes.

Mas agora chego na parte mais difícil, não consigo explicar o senso de justiça das coisas e isso me perturba muito, não sei explicar porque as pessoas boas morrem, porque você morreu Diana? Logo quando você era mais feliz, quando tinha finalmente descoberto um caminho diferente, porque você morreu? Porque Deus deixou você morrer? Você poderia estar aqui, o mundo aprendeu tanto com você, e poderia aprender tanto mais.

Muitos dizem que é preciso sofrer para que se aprenda a chorar, mas ai eu pergunto porque é preciso chorar? Porque Deus deixou meu irmão morrer com apenas 17 anos de idade? Lembro como se fosse hoje tudo que aconteceu, todo sofrimento que passamos, toda dor que até hoje dói. Sempre me ponho a pensar como ele estaria agora, quantas coisas legais ele teria inventado quantas vezes nós teríamos nos divertido juntos, quantas histórias nós teríamos pra contar, quantas brigas, tudo isso me faz falta. Já faz quase 13 anos que ele se foi, pouca gente lembra dele, mas eu ainda me lembro, ainda me dói muito, muito mesmo, ninguém nem imagina o quanto, mas ninguém sabe, ninguém pode sentir por mim, eu não esqueço, as vezes estou com o olhar perdido, estou pensando nele, onde ele estaria agora se estivesse por aqui, muitos me criticam pelo meu olhar perdido, porem, ninguém sabe o quanto dói, pra mim parece que foi ontem. Eu acho isso tudo muito injusto, porque Deus não o protegeu? Porque ele não impediu que ele entrasse no carro que o matou? Porque ele foi o escolhido dentre 6 passageiros? Não sei, prefiro acreditar que Deus, por algum motivo não pode fazer nada em ralação as coisas terrenas, e como diz Rubem Alves em uma de suas crônicas, Deus deve ficar triste como eu, assim como eu ele também não pode fazer nada, Ele deve ficar triste com a minha tristeza, nas noites de chuva Deus deve lembrar dele também.

Devemos escolher o caminho correto da vida, mesmo que para todo mundo seja errado, o que vale é o que você sente, isso eu posso dizer, mas enquanto as coisas inexplicáveis, continuam a me perturbar muito, Minha filha estava viajando comigo, em uma das paradas ela viu uma criança sem as mãos, acho que deveria ser por má formação do feto, não sei, essa criança chorava muito e com o toquinho de seus braços enxugava as suas lagrimas, então minha filha olhou e me perguntou: - papai, porque ela não tem a mão? Eu olhei para o seu rosto e lhe disse: minha filha, eu não sei.

Paulo Roberto Braga 6 de junho de 2006

quinta-feira, 27 de março de 2008

quarta-feira, 26 de março de 2008

JÁ QUE VAI SER, QUE SEJA DE VERDADE...

Já que decidi voltar com a banda A fábrica, vou fazer pra valer, vou me dedicar de verdade e colocar meus planos em frente, vou começar pelo que já existe como por exemplo o site que temos dentro do portal palco mp3, site esse criado pela nossa especial amiga Arliene, surpreendentemente descobri que regionalmente, dentre diversas bandas, estamos na 57º posição, isso sem qualquer esforço de divulgação, agora vou começar a fazer o que a muito tempo deveria fazer, popularizar meu trabalho, fazer um trabalho de divulgação, e calar a boca de muito babaca que fica falando bobagem sobre a banda.

Tenho muita consciências do que eu sou, do que posso, e do que não sou, e não posso, sei que muita gente invejosa fez tudo para que a banda acabasse, e realmente nos prejudicaram muito. Existe tanta coisa que vcs não sabem nessa história.... muito mais do que muitos podem imaginar.... Mas deixa isso pra lá vamos olhar pra frente e primeiro vamos melhorar nossa posição no portal palco mp3, com isso ganharemos mais notoriedade e abriremos novos caminhos.

O endereço é

http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/bandaafabrica/


Basta acessar o site para que ajudar, acessem o máximo que puderem.


assim que formos subindo vou postando os resultados.

Um abraço

Estou de volta

Depois de uma semana sem net.

terça-feira, 18 de março de 2008

A banda A Fábrica vai voltar, mesmo que seja pra uma despedida. Esse ano faz 10 anos que fizemos nossa primeira apresentação, ainda como uma banda gospel. Depois de algum tempo acabamos por aceitar nossa exclusão da igreja, pois realmente nossa música não se enquadrava nos padrões do que é gospel hoje no Brasil, e nem eu teria paciência para explicar pra todo fanático religioso o que representava minha poesia, mas seu que Deus me entende.

Esse ano iremos gravar, de forma descompromissada, algumas músicas, para deixarmos como registro e fazer pelo menos mais um show ao vivo para alguns convidados. O show terá versões marcantes que tocamos nesses 10 anos como Tempo perdido, Astronauta de mármore, Fátima, Parabólica além de músicas próprias. Já no trabalho gravado estarão apenas musicas de autoria da própria da banda, Segue abaixo algumas letras de musicas inéditas que entrarão no trabalho que gravaremos.

ASSIM COMO ANTES


Quando tudo é só ausência e nada mais,
Muitas vezes um abraço pode resolver,
Quantos dias que demora pra passar,
Toda falta faz doer alguma dor.
Quanto mal fazemos por nós dois,
Quando a chuva vem depressa,
Me sentia tão seguro há um tempo atrás,
Mas agora sinto o frio do teu amor.
Quando estarás,
completamente em mim,
e eu, completamente em ti,
Onde estarás.
Quando dizer,
completamente assim,
você voltou pra mim,
Nesse verão.
Sem você, meu amor,
Tudo vai, se passar,
Mais uma vez,
assim com antes.
Deixe sempre a porta aberta,
Talvez queira retornar pra um dia a mais,
Não esqueça seu perfume ao sair,
Pois assim eu sei que posso te encontrar,
Tome sempre mais cuidado, meu amor.
A maldade desse mundo, agora não da mais.
Não esqueça de ouvir canções de amor.
Isso sempre faz bem ao coração.

Musica: Paulinho

Só por você


Quero a luz serena desse teu olhar,
Mesmo já sabendo que não vou mais te encontrar.
(querer assim)
Quero um novo dia a cada amanhecer,
Mesmo já sabendo que não mais me entender.
Será covardia ou indecisão,
Deixar de percorrer as inconstâncias do meu coração.
Será que vou estar ao entardecer,
Dias que não virão a acontecer,
Aqui já não, da mais.
Sonhos dessa vida sempre são iguais,
Muitos se desfazem nos seus próprios temporais,
(Tudo então)
Tudo é mais difícil que se possa ter,
Nem toda novela e contada na TV.
Sempre a realidade é um pouco mais,
Toda história sempre foi vivida a pouco tempo atrás.
Nunca vou te dizer, que é eterno assim,
Volto a procurar, em nosso jardim.
Pra me lembrar De ti.
Meu amor, para onde quer for,
Sentirei alguma dor,
Vento muda a direção,
Mesmo então.
Sentirei teu coração,
Bem difícil de entender,
Cantarei a mesma canção,
De algum tempo atrás,
Só por você.

Musica: Paulinho

Depois postarei mais musicas que entrarão no projeto, postem sugestões pro repertório que será de 10 a 12 músicas. Um abraço.

segunda-feira, 17 de março de 2008

ANTIDEPRESSIVOS

Gosto muito da década de 80, pois tenho na cabeça que nessa década fui realmente feliz, mas dizem os cientistas que todas as pessoas cristalizam um tempo, como os melhores, e não adianta dizerem pra eles que não é verdade, sempre recusam a aceitar qualquer outra opinião, muita gente cultua a década de 70, inclusive tem gente que até hoje vive ela, assim como naqueles filmes norte americanos que velhos soldados paranóicos acham que a guerra do Vietnã ainda não acabou, e ficam o tempo todo alertas ou escondidos a espera do inimigo, acho que muita coisas se cristaliza em nossas mentes e temos como verdade, por exemplo: tem gente que se veste de Elvis e realmente acha que é Elvis, ele não se vê como um cover, ele simplesmente cristalizou na sua cabeça que é o próprio Elvis, e quem vai dizer que não pra ele? Ai vc sabe o que nós “normais” dizemos? Ele é louco, então jogamos ele pro outro lado da cerca da sanidade e ficamos do nosso lado, o lado sadio da cerca.

Isso me faz lembrar uma musica da Adriana Calcanhoto que se chama “A ciranda da bailarina”. Mas aviso logo, essa é uma música que tem que ser ouvida até o fim, e depois analisada, pois a principio ela parece um pouco desagradável da vontade de passar, mais depois vamos conseguindo entender a mensagem, quando puderem ouçam essa música (não achei na internet pra disponibilizar pra hiperlink),muita gente não quer assumir, tem horror de assumir suas paranóias, tem medo de serem jogadas pro outro lado da cerca por seus amigos e amigas que também escondem as suas paranóias por causa de seus outros outros amigos. Meu próprio pai também tem suas paranóias, não existe nem uma musica gravada depois de 1979 que preste, ele se recusa a ouvir, ele reclama mais alto que as músicas, até elas acabarem, ou fica em silêncio profundo, numa concentração tão intensa que bloqueia seus ouvidos. Eu aprendi a assumir minhas paranóias cristalizadas que são várias, todos nós somos Elvis, estamos do mesmo lado da cerca da sanidade, mas hoje vou falar apenas de uma. Que é a minha paranóia cristalizada pela década de 80, adoro tudo da década de 80, até mesmo da inflação, do Sarney, nada escapa ao meu amor pela década, aquelas notas de cruzado eram lindas, mudavam todo o tempo, o cheiro dos carros a álcool, meu pai tinha um Chevet, mas eu achava lindo os Monzas, até hoje tenho vontade de comprar um, fazia coleção de figurinhas de Ploc Monster com meu irmão, as figurinhas tinham nome de pessoas, a figura com meu nome era horrível, (quase acabamos com nossos dentes) O Hee-Man, os Smurfs, os comerciais da estrela, a série do Magaiver a Armação Ilimitada, até um dia desses tinha o Kadu Moliterno como ídolo (ai ele espancou a mulher dele e fiquei decepcionado), a formula 1 era o máximo, adorava o Senna, meu Atari era melhor que qualquer Playstation 3, e as músicas então? Paralamas do Sucesso, Biquine Cavadão, Kid Abelha, Nenhum de nós, Engenheiros do Hawaii, Legião Urbana.... Tudo era melhor na década de 80, as caixinhas de leite tinham uma vaquinha na frente, eu confiava tanto nelas, tinha certeza que elas não vinham com soda cáustica, o Sarney sabia ler, os monzas não arrancavam dedo de ninguém, o Magaiver não era Lost, a Armação Ilimitada não era Minha Nada Mole Vida, o Senna não era o Rubinho, os Paralamas não era Bruno e Marrone, a Paula Toller não era a Preta Gil, Biquine Cavadão não era MC Crew, o Nenhum de Nós não era Calcinha Preta, o Engenheiros do Hawaii não eram a Banda Calipso e finalmente, graças ao meu bom Deus legião Urbana não era Nx zero.

Na década de 80 tinha uma enorme TV preto e branco em casa, era linda, logo depois meu pai comprou uma TV colorida, mas isso não era pra qualquer um, era como ter uma TV de plasma de 50 polegadas hoje em dia, era coisa rara, 99% das pessoas tinham TV em preto e branco, confesso que gostava mais da preto e branco, parece que eu pressentia que se eu deixa-se o tempo passar, as coisas evoluírem e a mágica da felicidade iria se acabar. Assim como hoje, na década de 80 as pessoas também gostavam de se enganar, já vi gente enterrar a TV na parede pra parecer de plasma, pra se sentir incluído no seleto grupo de pessoas com TV de plasma, mesmo sabendo que lá no fundo não estão, mas pelo menos se sentem um pouco melhor, na década de 80 existia uma telinha meio azul-esverdeada que se colocava em frente a TV preto e branco e ela quase se tornava colorida, era quase perfeita, a roupa da viúva Porcina quase parecia colorida, a grama do futebol era quase verde, a camisa do Zico era quase vermelha, era muito bom, “não precisa gastar dinheiro comprando uma TV colorida” diziam os sem condição nas esquinas. Mas aquilo era mentira, não era nada parecido com uma TV colorida, era horrível, servia apenas para amenizar a dor da exclusão, por um pequeno período de tempo as pessoas podiam pensar estar diante de uma televisão colorida, mas logo caiam na real, que na verdade não tinham dinheiro pra comprá-las, mas no fundo no fundo, essas telas serviam, pois amenizavam, pelo menos um pouco a realidade, e as vezes amenizar o mínimo que seja a realidade, pode ser decisivo, assim são os antidepressivos, me fazem parecer que estou nos anos 80, as vezes até acredito estar feliz, que estou naqueles dias bacanas, brincando com meu irmão no quintal de casa, mas logo vejo que é apenas uma tela na frente da minha TV em preto e branco, minha vida e outra, meu irmão já partiu a muito tempo. Mas vou continuar com minha telinha na frente da televisão, pois por menor que seja minha ilusão, sei que ela é decisiva agora.