quinta-feira, 14 de julho de 2011

Seja bem vindo Menino.

Seja bem vindo nosso rei, demorei um tempo pra entender o castelo e a coroa que a mamãe estava fazendo, acho que o tempo esta me tornando meio burrinho, mas agora eu sei, estou muito feliz com sua chegada, na verdade todos nós estamos, as  vezes eu tenho dificuldades de dizer as coisas, as vezes não, quase sempre em tenho dificuldades de dizer as coisas, por isso eu escrevo aqui, e deixo guardado para a posteridade, talvez você leia isso daqui a um tempo, não sei, só sei mesmo que me deu vontade de escrever, talvez, mesmo que nunca ninguém lesse, mesmo assim eu também escreveria, acho que já se tornou uma necessidade minha.
Fiquei um tempão tentando decidir o que eu escreveria para a chegada do Artur, na verdade são tantas coisas, o tempo passou tão rápido, lembro-me quando ainda éramos pequenos e a Nathalia fazia 6 anos, os tempos não eram muito bons naquela época, mas mesmo assim a mamãe fazia tudo que podia. Eu e meu irmão virávamos o bolinho de 6 anos e dizíamos que eram 9. Estávamos lá só nós 4, vivendo um dia inesquecível. Os anos foram vindo, vieram os 9 que dizíamos, os 15, os 18 e hoje já estamos festejando a chegada do nosso rei.
O que desejar em uma hora dessas? Então me veio à mente a poesia de Victor Hugo chamada Desejo.

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".



Acho que não tenho nada mais a te desejar, mas de tudo, peço que, na sua vida, não tenhas apenas coisas boas, pois precisamos de coisas ruins para que possamos aprender, pois somente na escuridão e que sabemos valorizar a luz, somente na tristeza buscamos verdadeiramente a alegria, a paz de espírito, o engrandecimento da alma. Não peço pra você grande riqueza, pois muitas vezes, ela vem acompanhada de soberba, não peço amores inconseqüentes, pois eles podem machucar, não peço uma vida fácil, pois ela pode te levar por lugares sombrios e nem muita coragem, pois na maioria das vezes é perigoso. Não acredites incondicionalmente em algo, pois pode parecer fanatismo, nem desacredite totalmente, pois pode parecer desrespeito, seja simples, trate as pessoas com respeito, seja gentil e educado, não seja explosivo e inconseqüente, fale baixo, ousa bastante, olhe nos olhos, sorria sempre, aprenda pelo menos uma coisa por dia, leia todos os dias (quando aprender é claro), abrace seus pais antes de dormir, não se aborreça por qualquer bobagem, não cometa erros só porque alguém os cometeu, lembre-se sempre que você é você, de sempre bom dia as pessoas, de preferência com um belo sorriso, trate as mulheres com carinho e não diga nada que vá chatear alguém de graça. Antes de fazer algo, pense nas pessoas que você ama. Sempre faça mais do que esperam de você, ajude seus pais sempre que necessário, brinque bastante, cresça na hora certa, mas acima de tudo, sempre tenha amor para começar tudo de novo quando necessário. Seja bem vindo menino...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Para bem mais longe...



Já faz um tempo em que eu assisti um filme muito bonitinho chamado ABC do Amor (Título original: Little Manhattan Lançamento: 2005 EUA) esse filme fala sobre o primeiro amor de um garotinho, porem, paralelamente, conta a historia de seus pais em um processo de separação, a historia do menininho não da muito certo, ele sofre pra caramba e a menina acaba indo embora, mas os pais acabam por se entender, La pelo meio do longa, o pai do garoto lhe da uns conselhos amorosos.  Intrigado, pois seu pai nunca tinha conversado sobre o assunto o pequeno pergunta porque as coisas não tinham dado certo no relacionamento seu com sua mãe, o mesmo pensa e chega a conclusão de que as coisas pararam de dar certo o dia em que as coisas não ditas se tornaram maiores do que as coisas ditas. Resposta simples, mas que me fez perceber   que esse é o motivo da maioria das historias de amor sem final feliz, as coisas começam a acontecer e quando se percebe, já se perdeu completamente a vontade de dizer um pro outro, desde as coisas mais simples as mais complexas. De dizer como foi o dia, o que aconteceu de legal, como foi no trabalho, os planos para a semana, e principalmente as coisas que incomodam, tristezas e frustrações, chateações e desapontamentos. Quando se perde a vontade de dizer, tudo se encaminha para o final. Lembrei então da banda Nenhum de Nós.

Deixamos pra depois uma conversa amiga
Que fosse para o bem, que fosse uma saí­da
Deixamos pra depois a troca de carinho
Deixamos que a rotina fosse nosso caminho
Deixamos pra depois a busca de abrigo
Deixamos de nos ver fazendo algum sentido
Amanhã ou depois, tanto faz se depois
For nunca mais... nunca mais
Deixamos de sentir o que a gente sentia
Que trazia cor ao nosso dia a dia
Deixamos de dizer o que a gente dizia
Deixamos de levar em conta a alegria
Deixamos escapar por entre nossos dedos
A chance de manter unidas as nossas vidas
Amanhã ou depois, tanto faz se depois
For nunca mais... nunca mais
Amanha ou depois - Thedy Corrêa


Vamos então deixando tudo pra depois, da conversa amiga, pra poder acertar os ponteiros a troca de carinhos, abraços e desculpas, vamos deixando pra depois aquele jantar, aquele filme e aquela pipoca, vamos deixando pra depois uma saidinha “só nós dois” e os cochichos no ouvido, vamos deixando pra depois os beijinhos de bom dia e os beijinhos de boa noite, vamos deixando pra depois a vontade de estar perto e de contar aquela piada que ouvimos na televisão, aquela música que nunca mais tinha tocado ou aquele filme que repetiu de novo, vamos então deixando de viver de verdade, deixando tudo que interessa pra depois, deixando escapar por entre nossos dedos a vida feliz que sonhamos.
Quando se chega a esse ponto existem dois caminhos, o primeiro esta na música do Frejat.

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo...
E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante...
Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...
Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...
Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar...
Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...
Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...
Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem...
Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar...
Eu desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar
Prá recomeçar...
Amor Pra Recomeçar Frejat/Mauricio Barros/Mauro Sta. Cecília

Caso ainda exista amor pra recomeçar, vá em frente, diga o que você precisa dizer, mesmo que não seja muito bom, desabafe, perceba se ainda existe carinho, veja se você ainda consegue ser tolerante, descubra se sua tristeza não durara o ano inteiro, e principalmente, descubra se você ainda tem amor pra recomeçar, caso tenha, recomece, faça como no filme, digam tudo um pro outro, toda a verdade, pra que possa nascer outra história.

Caso você não se enquadre na Historia da musica de Frejat, baseada no poema Desejo de Victor Hugo, saiba pelo menos dizer Tchau, reconheça que não existe mais amor pra recomeçar, ou quem sabe, descubra que talvez o amor por si só não seja o bastante.

... Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais...
L'Avventura
Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá

Lembre-se então que La fora ainda existem lugares desconhecidos, pessoas legais e coisas que você nunca fez. Saber dizer tchau talvez seja a grande sacada, reconhecer que as diferenças se tornaram maiores que as semelhanças, que não é mais romântico tirar a toalha molhada de cima da cama, nem tampar o tubo de creme dental esquecido ou enxugar o banheiro molhado pelo outro. Quando se chega a esse ponto talvez o melhor seja a partida, para que se preserve o respeito e as lembranças dos bons momentos juntos, a vida é cheia de chegadas e partidas e é preciso saber o tempo de chegar e o tempo de partir, de dizer um simples tchau.

Me cansei dos teus desenganos
Não entendo a tua fala
Nossa casa está vazia
Hoje à noite é o meu dia...
Nossa vida virou novela
E eu não sou nenhum personagem
Que se enquadre em teus delírios
Quero andar nas ruas e sentir frio
No calor, quero estar sozinho...
Me cansei das tuas mentiras
Eu não quero esse dia-a-dia
Não consigo fazer promessas
Tenho apenas o que me resta...
O teu jeito não me abala
Não me sinto bem no teu jogo
Vou voar mais alto que as nuvens
Entender de vez esse meu vazio
Te encontrar prá não ser sozinho...
Tudo é sempre a mesma coisa
O mesmo jeito, toda vez
Tudo é muito relativo
E a distância, já nos fez
Somos serra e litoral
Nosso final, é simples
Tchau!...
Me cansei das tuas mentiras
Eu não quero esse dia-a-dia
Não consigo fazer promessas
Tenho apenas o que me resta...
O teu jeito não me abala
Não me sinto bem no teu jogo
Vou voar mais alto que as nuvens
Entender de vez esse meu vazio
Te encontrar prá não ser sozinho...
Tudo é sempre a mesma coisa
O mesmo jeito, toda vez
Tudo é muito relativo
E a distância, já nos fez
Somos serra e litoral
Nosso final, é simples
Tchau!...
Nosso final, é simples
Tchau!...
Tchau
Kim, Julio e Cezar


O casal do filme terminou junto, mas isso não significa que todas as historias de amor são bonitas, existem coisas que não são esquecidas ou deixadas pra lá, existem dores incuráveis e feridas que nunca saram. Nesse caso o melhor é procurar outros caminhos, libertar-se e deixar que o outro seja livre, que possa trilhar um novo caminho e talvez, quem sabe, aprender com os erros passados, faça tudo em silêncio e chore no seu quarto, se prepare e por fim abra a parta e deixe com que aquele ou aquela, que um dia lhe proporcionou momentos felizes, voe e ache seu caminho, assim já dizia uma musica que fiz há muitos anos e que ninguém entendia.


Vamos pedir a Deus, e as pessoas de boa vontade,
Com toda cor então, alegria, desejo e saudade,
Vamos pedir a Deus, que a força me seja verdade,
Sempre verei em ti, olhos lindos, silêncio e coragem.

Voa leve então, para bem mais longe.

Vamos pedir a Deus que o silêncio disfarce a saudade,
E me ensine enfim na ausência te ter em verdade.
Vamos pedir a Deus, que a distancia nos seja serena,
Que tudo acabe aqui, com um adeus e um pequeno poema.

Voa leve então, para bem mais longe.

Vai então, foge dos meus olhos,
Leva essa tristeza, deixe-me aqui.
Vai então, leva teus momentos,
Leva o teu perfume,Deixe-me aqui,
Meu amor.
Se foi de ser assim que deixe ser,
Sem nada a dizer, ou falar.
Se mesmo assim, o mesmo vento te encontrar.
Onde encontrava, só nós dois,
Não deixe entrar, uma tristeza,
Que outrora já se foi em um poema
De amor.
Em Silêncio – Paulo Roberto Braga


Antes que a porta se feche diga: “acho que sempre te amarei só que não te quero mais, voa leve então, para bem mais longe”... Então feche a porta e comece tudo de novo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

E o Amor Será Eterno Novamente


Estou de mal com meu coração, meio sem ter o que dizer, assim como o Saramago, que diz ter ficado anos sem ter o que dizer, assim estou eu, me sentindo tão insignificante, tão pequenininho, meio assim bolha de sabão, meio que perdido de vez enquanto, não é sempre, mas tem dias que fico meio chateado com as pessoas, com essa guerra diária que temos que travar pra poder sobreviver.
 Estou definidamente desacreditado das coisas, do mundo e das pessoas, das religiões. Esses dias estava acordado de madrugada e resolvi ligar a televisão, vi tantos absurdos que decidi desligar e fingir que eu não estava vendo aquilo, estão definitivamente enlatando Deus e vendendo no atacado, estão brincando com a fé alheia sem a menor dor de consciência, onde esta a igreja que Deus nos deixou, onde moram aqueles que devem nos consolar, nos dar a mão, nos ajudar nos dias de fraqueza, enxugar nossas lagrimas, falar uma palavra de esperança, trazer um espírito de alegria. Será que tudo se perdeu de vez? Será que tudo esta condicionado ao dinheiro?

...Na criação Deus fez o jardim,
lugar para todos homens mulheres e crianças felizes, felizes, felizes.
Pense no seu trabalho e na extensão da jardinagem de Deus,
E como estais integrado
Será que o lucro é bom pra jardinagem?
Jardins para que todos sejam felizes,
Mais ricos e grandes potentes, homens mais felizes.
Onde estão as igrejas do resgate deste jardim?
As feras invadiram o paraíso,
E nós que somos corpos de Deus,
Fechamos os olhos para orar,
Será que não nos agrada o jardim?
Buscamos Deus fora do jardim
Será que não vemos a beleza que ainda resta?

O Jardim e o Corpo
Composição : Kim, Júlio e Cezar

Lembrei então da musica O Jardim e o Corpo da banda catedral, Música que está em um dos Primeiros Álbuns da Banda, na verdade essa música é baseada em um livro de Rubem Alves. Assim eu acreditava nas igrejas, Jardins para acalmar nossas almas. Mas o que eu quero falar não é isso, quero falar de toda a minha desesperança com as coisas de hoje em dia, Não sei se só incomoda a mim, não existe mais refugio seguro, esta tudo escuro, Os jardins de Deus foram queimados com o fogo da ambição de mercenários engravatados que só pensam em enganar e saquear a dignidade de gente sofrida. Acho que Deus se mudou faz tempo desses lugares.
 Estava muito preocupado com toda essa situação, mas lembrei que Saramago também era assim.

Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo
José Saramago

  Assim como Saramago estou desacreditado completamente das coisas, mas com uma diferença, Saramago vendeu milhões de livros e ganhou um Nobel de literatura. Enquanto eu, provavelmente meu segundo livro vendera menos que o primeiro e eu definitivamente não ganharei um Nobel, e mais, possivelmente, só pra não sair da rotina, depois de passar uns 130 anos da minha morte, algum idiota em algum lugar do mundo, ainda pior que hoje, pegara meu livro e dirá:
- Esse cara era um gênio.
Então todos comprarão meu livro, então deverei virar modinha, alguma editora que ainda não existe provavelmente terá meus exclusivos direitos, então acharão mais alguns textos meus inéditos e publicarão, qualquer coisa parecida com os livros que temos hoje em dia, e ganharão bastante dinheiro, darão algo em torno de 0,000001% dos valores para um parente meu que eu nunca conhecerei, ele dará entrevistas e dirá o quanto tem orgulho de pertencer a minha árvore, serei tema de palestra de auto-ajuda, motivação em grupo ou algo parecido, inventarão dezenas lendas ao meu respeito, só pra criar ao aquele clima, algo como dizer que eu escrevia meus textos em cima de um vaso sanitário ou que dormia de cabeça pra baixo,  coisas desse tipo, idiotices de idiotas. Mas esse destino Van Gogh definitivamente não me chama nem um pouco a atenção, acho meio sacana esse tipo de sucesso repentino póstumo, acho que mereço que meus olhos ainda vejam algum tipo de justiça, ou pelo menos algo que se faça justo a meu respeito. De nada me vai adiantar
Mas entre Saramago e eu, não existe apenas as diferenças de um Nobel de literatura e esse realismo quase que insuportável, entre Saramago e eu existe uma grande diferença, no final do túnel de nossas “desacreditanças” Saramago simplesmente dizia não haver mais nada, apenas escuridão, mas eu, ainda acho que ha uma luz, que há uma saída, que bem pra lá, bem depois da quase que insolúvel estrema escuridão há uma pracinha de jardins. Tem dias que eu até sonho com ela, mas de manha minha mente insiste em esquecer, mas sei que é bom, que existe, que está lá, e que me chama insistentemente. La eu acho que está à casa das moradas que Rubem Alves diz, sempre tentei entender o que dizia, até que um dia vi. Não é só isso, pois não pode ser, eu não sou daqui, eu já estive em outro lugar, pois de vez em sempre eu sinto tanta saudade do que eu não sei explicar, uma imensa inexplicável e inexorável vontade de voltar pra não sei onde, as vezes minha mente tenta materializar essa saudade com coisas que eu sei que não são. Às vezes acho que eu não vou morar nesse lugar, mas esse lugar vai morar em mim, pra poder ocupar esse buraco que só faz crescer aqui dentro, essa falta que me mata, que me faz acordar de noite.

O Sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente
É o juízo final
A história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver
A maldade desaparecer
O Sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente
  
Nelson Cavaquinho e Elcio Soares
Juízo final

Acho que um dia acharemos o caminho, as injustiças desaparecerão, a maldade morrera é o amor será eterno novamente, chegara nossa vez, meus olhos verão a justiça, os maus de coração pagarão todo rancor, assim já dizia o samba de Nelson Cavaquinho e Elcio Soares, o sol há de brilhar mais uma vez... Com certeza Há de Brilhar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

As Respostas de Amor são Sempre as mais Simples.



Perguntou-me então, um dia desses, certo alguém, o que deveria fazer em relação ao seu casamento, achava ela não gostar mais do seu par, então respondi, procure senti-lo compreende-lo e respeita-lo, fique com ele, tente ver o que há de bonito em seu coração. Em outra ocasião me perguntou uma moça o que deveria fazer de sua relação pois apesar de bastante complicada, achava ela, que ainda gostava  de seu amor, respondi então: Largue ele, antes que o amor termine de vez  e só fique rancor, abandone-o antes que não exista nada de bom de que se lembrar, termine, antes que não lhe sobre nem uma fantasia de recordação. A terceira pessoa , finalmente me disse: não sei se ainda gosto dele, não sei se ainda o perdoei e ele me perdoo. Então respondi: você não o perdoou, e nunca o fara, pois não sabe o que é perdoar, perdoar não é dizer e depois lembrar, perdoar é como um voo de pássaro, não deixa rastros, nem rancor, nem magoa, nem lembrança, é simplesmente  nunca mais falar sobre o ocorrido, e dizer que nunca existiu, é começar de novo, é renascer. Perdoar não é como o mover das cobras, cheio de rastros e marcas, é a ausência absoluta do passado que magoa.
Fico indignadíssimo com aqueles que dizem as coisas sem ao menos ter noção do que se trata, que banalizam, rotulam e modificam o significado das coisas. Por isso não saio aos quatro ventos dizendo que eu tenho a plena capacidade de perdoar, muito menos fico dizendo que o perdão é divino. Se fosse, eu, simples mortal, não teria capacidade de tê-lo. Mas as coisas não são assim, temos a errônea mania de achar que todo perdão é bom, mas não é, veja a dissertação sobre o perdão que Rubem Alves faz:

-” Não sei se se deva perdoar sempre. Como perdoar o torturador? Como perdoar o adulto que espanca uma criança? Como perdoar a inquisição, os campos de concentração, a bomba atômica, os homens públicos que se enriquecem às custas do dinheiro do povo que sofre e morre? Quem perdoa tudo é porque não se importa com nada.”

Nem tudo pode ser desculpado. Não se pode desculpar quando o pedido não é verdadeiro, por exemplo, não se pode esquecer quando o pedido e arrogante, não se pode deixar pra lá quando não se tem a noção da dor, do estrago, e das marcas que ficaram. O perdão não pode de forma alguma ser banalizado, dado de qualquer jeito, pois se corre o risco de sempre lhe fazerem o mal tendo a certeza que, posteriormente, sempre vira o perdão, então você acaba por se tornar previsivelmente vítima de sua própria bondade, se isso pode ser classificado como bondade. Digam o que disserem, mas existem coisas imperdoáveis sim, assim como existem dores que nunca passam ou feridas que nunca saram.
Assim diz a Música L'Aventura.

Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos ?
Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria
Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa pro futuro
Corri pro esconderijo
Olhei pela janela
O sol é um só
Mas quem sabe são duas manhãs
Não precisa vir
Se não for pra ficar
Pelo menos uma noite
E três semanas
Nada é fácil
Nada é certo
Não façamos do amor
Algo desonesto
Quero ser prudente
E sempre ser correto
Quero ser constante
E sempre tentar ser sincero
E queremos fugir
Mas ficamos sempre sem saber
Seu olhar
Não conta mais histórias
Não brota o fruto e nem a flor
E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar
Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar

Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais
Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade
Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender
Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender
Renato Russo

Acho que toda ela fala de perdão, um caso de amor que pode dar mais certo pois não houve o perdão. Cheguei a conclusão que nem todas as vezes que uma historia de amor termina é porque o amor acabou, muitas vezes não é assim. Muitas vezes o amor continua, mas não é suficiente, falta compreensão, atenção e às vezes perdão, assim diz a música, acho que sempre lhe amarei, só que não lhe quero mais, quem nos garante que não foi pelo peso de saber que nunca conseguirá o perdão?

"É tão difícil perdoar alguém que nos machucou.
Mas é tão bom saber, que alguém nos perdoou".
trecho de uma Música que um dia mostro pra vocês

Finalmente depois de ter falado de tudo isso, para a ultima pessoa que me consultou, baixei os olhos e a vi, com uma fisionomia de quem não estava entendendo nada, me senti idiota outra vez, igual às outras milhões de vezes quando chego a conclusão de que poucas pessoas me compreendem (a outra imensa maioria me chama de doido). Então ela disse:
-Acho que vou perdoa-lo, mas o que eu digo mesmo para que ele me perdoe? Cheguei nesse momento a entendi que, de tudo que eu havia dito para ela, nada era pertinente, uma teoria ou conhecimento só tem valor quando usado praticamente, tudo poderia ser resolvido de uma maneira mais simples, então eu disse:
-Olhe pros olhos dele e diga apenas: perdoe-me amor.
Tempos depois encontrei-me ocasionalmente com a mesma pessoa, então ela me disse que tudo tinha ficado bem e isso lhe fazia muito feliz, dei um típico sorriso amarelo pra ela e respondi um legal.
Baseado nisso, aprendi, as respostas de amor são sempre as mais simples.



quinta-feira, 3 de março de 2011

MEDÍOCRE COMO EU


Não sou muito fã de futebol, assisto às vezes alguns jogos do São Paulo e da seleção brasileira, mas sem aquele fanatismo peculiar do homem brasileiro, lembro-me quando comecei a interessar-me por futebol, em uma manhã vi os gols de São Paulo e Barcelona no primeiro mundial conquistado pelo São Paulo, o lindo gol de cobrança de falta do Rai, de alguma forma, me fez olhar aquele esporte de maneira diferente, então comecei a torcer pelo tricolor.
Logo depois assisti a copa de 94, enfeiticei-me por aquele time, tudo foi muito mágico naquele ano, todo aquele sofrimento, O gol do Bebeto para seu filho, o gol do Branco contra a Holanda, e principalmente os gols do Romário, me deixavam cada vez mais ligados, lembro-me de cada jogo, gravei todos cuidadosamente em fitas de vídeo cassete e assisti incansavelmente por vários anos. Essa copa se romantizou na minha cabeça, me tornei então torcedor da Seleção Brasileira.
De uns tempos para cá, me parece que as coisas perderam um pouco a graça, não sei se dentro de mim, ou o futebol esta pior mesmo. Mas o que interessa mesmo, é que muito raramente eu assisto uma partida de futebol, só as vezes, pra não me desligar completamente.
Em uma dessas, poucas partidas, que ainda assisto, tive o desprazer de ver uma cena que me levou a acreditar que o problema não era eu, o futebol já não era mesmo definitivamente. Depois de levar um drible do Neymar o Juan, jogador na época do flamengo, deu-lhe uma pancada covarde, e como se ainda não fosse o bastante, foi até seu ouvido e esbravejou varias coisas, aquela cena me deixou tão chateado, decepcionado e desapontado com o esporte que simplesmente desliguei a televisão e fui ler.
Como fazia um tempão que eu não assistia futebol, até achei que tinham inventado uma regra proibindo a pratica do drible, pois por mais incrível que pareça, a maioria dos comentaristas, treinadores e “especialistas-sabe-tudo” davam razão a Juan alegando que o drible de Neymar visava humilha-lo.
No outro dia fui a internet pesquisar por alguma opinião que me parecesse mais sensata, na maioria dos fóruns, todos ficavam tentando decifrar quais palavras Juan teria dito nos ouvidos de Neymar. De várias bobagens que vi, uma postagem me chamou atenção, dizia um rapaz no final da pagina, já irritado com tantas adivinhações e teorias disse: “é simples o Juan disse: você tem a obrigação de ser medíocre como eu, seja medíocre como eu”. Pronto, foi isso mesmo que ele disse, independente de qualquer coisa que possa ter saído de sua boca, pra mim, foi isso que ele disse. Há tempos não via uma sacada tão inteligente como essa na internet, esse rapaz simplesmente pois fim ao monte de bobagens que escreviam. Depois disso ninguém postou mais nada, não quiseram dar continuidades às leituras labiais ou coisa parecida, pois por mais que conseguissem reproduzir fielmente as palavras daquele jogador, ninguém, poderia expressar de maneira mais fiel o que ele realmente tentara dizer.
Mas esse fenômeno de mediocridade não se revela apenas no futebol, essa obrigação, quase que decretada por lei, é uma realidade de todo o nosso pais. As pessoas que tentam um lugar melhor ao sol, ou buscam ler um pouco mais ou mesmo trabalhar mais, fazerem as coisas melhores, são simplesmente apedrejados nesse pais, ser competitivo, gerar concorrência é algo visto, na maioria das vezes, como afronta. Certa vez Tom Jobim disse que fazer sucesso no Brasil era ofensa pessoal, todo mundo jogou pedra e criticou, mas na verdade é isso mesmo, é inacreditável, inimaginável e inconcebível mais é verdade. É mais fácil derrubar quem esta escalando do que construir uma escada pra fazer o mesmo, partindo dessa mentalidade nosso país vai ficando pra atrás nos indicadores educacionais, já estamos atrás de quase todos os países da América latina em relação à qualidade de ensino, somos cada vez menos competitivos no mercado de trabalho externo, nosso qualidade educacional atual é comparada a países africanos em guerra civil. Estamos adotando a prática de impedir que outro cresça, pra não ficar pra trás, em vez de estudar pra crescer também. As grandes mentes brasileiras simplesmente estão indo embora pois se sentem perseguidas por aqui, são simplesmente pescadas pelas universidades americanas que descobriram que é mais vantajoso seguir a politica do quem da mais do que a politica do quem da menos adotada pelo Brasil.
Não tenho a petulância de me comparar ao Neymar jogando futebol, mas sei que na maioria das coisas que me proponho fazer eu faço bem, tenho opinião, procuro sempre melhorar, ler e estudar, mas estou de canelas roxas de levar pancada, de ter a vida dificultada, as portas fechadas, ser chamado de doido pelos que não conseguem compreender o que eu escrevo, ou mesmo ser chamado de hacker pelo simples fato de eu saber mais do que o Ctrl-C e Ctrl-V, ou abrir mais do que Word. Onde eu moro sou simplesmente uma ilha, tipo assim, rapaz, se você continuar lendo desse jeito ou escrevendo razoavelmente bem como faz, vamos continuar a castiga-lo, deixaremos de falar com você pra sempre.
Da trabalho sim se destacar, tentar descobrir algo novo, fazer qualquer coisa de maneira melhor, mais eficaz, da trabalho ser persistente, lutar por uma ideia, se dedicar a algo novo ou revolucionário, da trabalho tentar convencer aos outros de que existem maneiras mais eficazes de executar determinado trabalho feito a anos da mesma forma, da trabalho pensar, mas é preciso. Porém, infelizmente, no pais dos comerciais, no pais das maravilhas feito especialmente para esses brasileiros que não gostam de pensar, e que qualquer Alice se criaria muito bem, pois não deixa nada a desejar ao pais das maravilhas, a realidade é muito diferente, vivemos em um lugar sem futuro e perspectivas, alimentados por um nacionalismo puramente futebolístico, um pais onde a grande maioria da população é alimentada o suficiente para não morrer e continuar votando, mas nunca o bastante pra poder desenvolver o cérebro e tentar alçar voos mais altos ao ponto de se rebelar e por fim ao ciclo. E quando aparece alguém que tenta saber um pouquinho mais, vem então um Juan da vida e grita em seus ouvidos. Seja simplesmente medíocre como eu.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CLARISSE


Acho que nunca escrevi especificamente sobre depressão, acho meio complicado falar sobre o tema, porem acho que é necessário. Existem pessoas que estão usando essa patologia pra se promover, é moda do “verão” estar em depressão, sair dizendo pra todo mundo, é “cult”. Mas na verdade não é. Estar em depressão é simplesmente a coisa mais devastadora que um ser humano pode sentir, é simplesmente a incapacidade de reação do corpo em relação a qualquer coisa, é uma inercia quase que mortal, insuportável, insolúvel, desenfreada e desesperadora. Não acho que as pessoas deveriam usar esse tipo de coisa para querer ser “capa de revista”, acho meio que desrespeitoso para com todos aqueles que realmente sofrem.


Desconfiem sempre daqueles que se autodiagnosticam, pois a depressão se assemelha ao alcoolismo, ninguém aceita a princípio estar doente, recusam-se até o limite do suportável procurar ajuda médica, sentem medo de que o preconceito sofrido agrave mais sua tristeza, sempre acham que vai passar, mas os dias vão se seguindo e a vontade de voltar a viver simplesmente não vem, o corpo simplesmente se recusa a reagir, a vontade de dormir e de ficar quieto são as principais companhias, a falta de expectativa e esperança torna-se cada vez maior, a incapacidade de demonstrar sentimentos torna- se recorrente , sair da cama pra buscar um copo d’agua vira uma luta, e dar o primeiro passo da cama algo extremamente complicado, as pessoas que sempre diziam lhe compreender começam a afastar-se de você, começam a lhe culpar. Então viver acaba por ser um cotidiano doloroso.


...Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende...


Clarisse - Renato Russo


Não adianta o quanto dizem lhe entender, ninguém sabe o que você sente, no fundo acham que é mentira, querem lhe obrigar a fazer as coisas como se você fosse uma pessoa normal, mas você simplesmente sabe que já não é, acho que essa é a parte mais difícil, ser empurrado a fazer as coisas, ser chamado de preguiçoso e inútil são coisas que realmente lhe deixam em uma situação mais difícil, pois a própria depressão lhe causa uma sensação de inutilidade extrema, quando o próximo lhe confirma isso, você tem a certeza que realmente já não faz falta, que é dispensável.


...Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende...


Clarisse - Renato Russo


É insuportável ter que viver em função do gosto alheio, é preciso que seja respeitado o luto de quem sofre esse mal. Eu nunca mais serei como o dia que passou. Essa doença é um câncer em sua alma, a cada dia que passa está maior, já não falo mais nada pra ninguém, estou cheio de marcas igual à Clarisse, meus amigos estão se perdendo de mim e eu sei que a culpa e minha, eu queria tanto mais não consigo mantê-los de meu lado, sinto falta, mas simplesmente não sei dizer.


...Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes...


...Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço...


Clarisse - Renato Russo


Depois de todos esses anos eu já me sinto cansado, as noites mal dormidas, o descaso dos que simplesmente ignoram sua dor, não querem saber, lhe dizem mentiroso, a falta de expectativa, de horizontes, a revolta contra as injustiças, que parecem que só eu sinto tudo isso se torna cada vez mais pesado. Mas hoje em dia, o que mais me incomoda além das dores do coração são as debilidades físicas adquiridas, as dores que sinto no corpo são praticamente desumanas. Eu simplesmente não suporto mais sentir dor todos os dias e todas as horas, dificilmente comento sobre isso, pois não suporto a ideia de sentirem pena de mim, ou olharem com olhar de duvida e descaso como muitas vezes vi, mas é cada vez mais crônico, cada dia que passa mais um pedaço do meu corpo dói, e se tornam mais intensas, o sono já não descansa mais meu corpo, os dias todos estão se acumulando sobre as minhas costas, assim como Clarisse minha felicidade perdeu o endereço, e eu acho que isso é pra sempre, acho que tornou-se uma condição de existência.


Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos...


Clarisse - Renato Russo


Demorei um tempão pra poder publicar esse texto, pois como já disse, não gosto da ideia de sentirem pena de mim, muito menos me procurarem pra uma palavra solidaria, acho que não estou preparado para isso. Se quiserem fazer algo por mim, pensem em mim como alguém legal, que quando da, às vezes aparece, ou simplesmente peçam por mim, comentem com os amigos, tenham boas lembranças e sintam-se felizes. Perdoem-me pelas arrogâncias e falta de atenção e tempo, digam coisas boas e façam coisas boas, isso bastara, e eu sentirei. Quanto aos que estão querendo se dizer depressivos pra estar na moda, acho que suas patologias são outras, procurem algo melhor pra fazer. Aos que querem fofocar sobre mim, não vou dar este gostinho, pois eu mesmo conto tudo, simplesmente perde a graça. Quanto a mim, continuo tentando “ser forte a todo e cada amanhecer”, preferindo, cada dia mais, ficar sozinho, mas acima de tudo tentando conseguir “existir” e voar pelo caminho mais bonito



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os nossos dias serão para sempre...


Hoje meu filho Gabriel faz 4 anos, infelizmente não estou por perto, passei o dia pensando no que estaríamos fazendo caso estivéssemos juntos, ou quantas perguntas ele já teria feito, não sei explicar a falta que ele me faz, acho que ninguém pode, é algo inexplicável e também é assunto de explicação desnecessária, o nosso amor é só nosso, não precisa ficar tentando dizer pra ninguém, e é exatamente o que ele sente por mim, ele simplesmente não fala pra ninguém que gosta de mim, e nem tem paciência com quem fica perguntando ele simplesmente gosta do jeito dele, assim é ele, como eu, as vezes é parecido como meu irmão, tem vezes que ate me confundo, tenho a impressão que estou brincando com ele 20 anos atrás, me sinto criança. Um dia desses chorei durante a noite, pois meu filho simplesmente reagiu da mesma forma que meu irmão reagiu a uma brincadeira que fazíamos a mais de duas décadas, era como se fosse um dejavu, mas com a diferença de eu lembrar exatamente de todos os detalhes, eu vivi exatamente a mesma situação 20 anos depois. Simplesmente não disse a ninguém, apenas curti tudo, senti cheiro de samambaia molhada da mamãe, cera vermelha que a ela passava no chão da nossa casa, o perfume das naftalinas no fundo das nossas gavetas e a leveza que eu tinha nos meus anos de meninice, Meu Deus, como me senti feliz, então entendi a divina explicação da vida.

Sempre disse que o nome Gabriel é por causa doGabriel Garcia Marquez, e de fato é, mas sempre brinquei dizendo que era por causa do anjo anunciador de Jesus, pois tinha preguiça de explicar milhares de vezes a mesma historias responder as mesmas perguntas, Gabriel Garcia o que? Quem é ele?Então tinha que explicar, é um escritor colombiano que escreveu 100 anos de solidão, 100 Anos de que? De solidão, é um clássico da literatura, blablabla, e depois de muita conversa a pessoa voltava a perguntar, mas porque Gabriel? Então descobri que quando eu dizia que era por causa do anjo Gabriel, economizava algo em torno de umas 1.500 palavras no mínimo, pois as coisas da bíblia a maioria das pessoas tem medo de questionar, todos entendiam de primeira.

Com o tempo percebi que minha historia inventada era mais real do que a historia verdadeira, o Gabriel era um anjo mesmo, era o anjo que Deus me deu pra morar nas minhas ausências e que depois veio viver comigo, essa foi a divina explicação que a vida me deu, ele me surpreende com tanta autoridade, que as vezes chego a pensar que ele tem total noção e controle de tudo que faz, de todas as brincadeiras e excentricidades, te todos os bichos exóticos que ele já me pediu, porcos espinhos, lhamas e camelos, eu tenho certeza que ele tem algo diferente, ele tem uma certeza no que diz incontestável, um olhar de confiança que só vi em uma pessoa, exatamente no tio que ele nunca chegou a conhecer, uma marca inconfundível pra mim, assim como se o mundo desses voltas e repetisse as mesmas coisas, como conta o livro 100 anos de solidão do Gabriel Garcia Marques. Meu filho tem os olhos de certeza do meu irmão a personalidade inabalável e uma inteligência quase sobre-humana. Longe de ser corujisse de pai, eu sou frio o bastante pra não cair nessa, é olhar clinico mesmo, quase que cientifico.

Agora esta chovendo, e das gotas de água no vidro da janela do meu quarto (parecidas com as da capa do Diário do Menininho) lembrei do meu filho, dos anjos, e da musica Esperando por mim.


Acho que você não percebeu

Que o meu sorriso era sincero

Sou tão cínico às vezes

O tempo todo

Estou tentando me defender

Digam o que disserem

O mal do século é a solidão

Cada um de nós imerso em sua própria arrogância

Esperando por um pouco de afeição

Hoje não estava nada bem

Mas a tempestade me distrai

Gosto dos pingos de chuva

Dos relâmpagos e dos trovões

Hoje à tarde foi um dia bom

Saí prá caminhar com meu pai

Conversamos sobre coisas da vida

E tivemos um momento de paz

É de noite que tudo faz sentido

No silêncio eu não ouço meus gritos

E o que disserem

Meu pai sempre esteve esperando por mim

E o que disserem

Minha mãe sempre esteve esperando por mim

E o que disserem

Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim

E o que disserem

Agora meu filho espera por mim

Estamos vivendo

E o que disserem os nossos dias serão para sempre.

Renato Russo


Então senti paz, compreendi por um instante a inexplicável poesia da vida, o mundo e suas voltas, suas ligações. Senti a presença de Deus e percebi que ele pode se manifestar das mais diferentes formas, as vezes pode estar apenas em um olhar, que só você percebeu. E sempre, independente de quanto tempo possa demorar, ele vai responder seus pedidos, basta que tenhamos sabedoria para perceber. Compreendi que a saudade e algo que não necessariamente precisa ser sofrida, muitas vezes podemos curti-la, aprecia-la. Gosto dos pingos de chuva dos relâmpagos e dos trovões, hoje eu não vou chorar, vou apenas contemplar a chuva, sei que o mal de "todos" os seculos é a solidão mas acabei de compreender que meu filho espera por mim, e aconteça o que acontecer eu sempre estarei com ele, e ele sempre estará comigo, pois os nossos dias serão para sempre.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Bom Senso

A cada dia que passa eu tenho mais certeza que eu não sou desse planeta, simplesmente eu não sou daqui, de um tempo pra Ca, as coisas passaram a me incomodar muito sabe? Estamos vivendo simplesmente em guerra o tempo todo, todos contra todos, as pessoas que você menos espera estão de prontidão pra lhe chutar pelas costas sempre que possível, o cara que ri pra você aqui, dois minutos depois esta colocando o pé pra você cair, palavras como favor, confiança, gratidão simplesmente perderam o sentido, acho que vou até mandar uma carta pro seu Aurélio tirar de vez do dicionário tudo isso, simplesmente não fazem mais sentido, jogaram no vaso sanitário e puxaram a descarga definitivamente. Os tempos de guerra infinda deixam-me muito cansado e triste, não queria viver assim, Porem tudo esta terminantemente decidido, salve-se quem puder.

Mas as palavras que eu tenho mais saudade são as seguintes: bom senso, se a humanidade tivesse mantido ela, as coisas não estariam assim. O bom senso é o que diferencia o homem das maquinas, saber julgar, ponderar, ser humano é ter bom senso. Essa é com certeza a maior das leis, todas as outras doutrinas tendem a vir depois, caso o contrário, não precisaríamos mais de pessoas para julgar os casos, simplesmente alimentaríamos um software com todas as informações e teríamos a sentença impressa em poucos segundos, minutos depois estaríamos fazendo cumprir a pena, sem choro nem vela. Mas a vida não pode ser assim, todos somos seres diferentes, com características diferentes, com vontades, histórias diferentes, o que há de acontecer amanhã não esta em nenhum livro e muito menos em um manual, somos seres em eterna construção, em eterno nascimento, somos então, como diria Nietzsche o milagre da única vez.

Esses dias alguém tentara me explicar porque tomou determinada atitude que me prejudicou bastante, dizia ela ter sido apenas justa, pois cumpriu rigorosamente a lei, e o tribunal de sua consciência estava limpo, mas não estava, seu olhar de choro guardado a denunciava, isso não é certo. Na passagem bíblica eclesiastes 7.16 o rei Salomão diz o seguinte: -...Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo... Sabe o que ele quis dizer com essas palavras? Simplesmente tenha bom senso, depois de ter aplicado a dose de bom senso, toda lei será justa, não doera e muito menos será sentida como eu senti. A única coisa que eu pude dizer a essa determinada pessoa é que sua justiça estava lhe matando.

Bom Senso

Já virei calçada maltratada
E na virada quase nada
Me restou a curtição
Já rodei o mundo quase mudo
No entanto num segundo
Este livro veio à mão
Já senti saudade
Já fiz muita coisa errada
Já pedi ajuda
Já dormi na rua
Mas lendo atingi o bom senso
A imunização racional

Tim Maia.

Verdadeiramente ando bem cansado, gostaria de achar o livro do Tim Maia e atingi o bom senso, e dar de presente aos outros uma dose de bom senso, mais lembrei de uma frase de Eurípedes que tinha lido a anos que diz o seguinte: "Tente colocar bom senso na cabeça de um tolo e ele dirá que é tolice." (Eurípedes) sei que preciso começar tudo de novo, mas é difícil, é difícil dizer que ter gratidão por exemplo, perpassa pelo bom senso ou que nem a experiência muito menos a sabedoria(que muitas vezes é apenas presumida) não substituem. Lembrei-me então de Adriana Calcanhoto.

Senhas

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu agüento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu agüento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu agüento até os caretas
E suas verdades perfeitas

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu agüento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

Eu gosto dos que têm fome
E morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

Como nas senhas de Adriana, me sinto nesse caos. Sim, é preciso recomeçar incondicionalmente, preciso procurar novas pessoas para criar novas expectativas, pois precisamos delas para viver, e as velhas pessoas que me rodeiam agora, não me permitem mais expectativas, não espero mais afagos,mesmo que eu as tenha dado pistas, evidencias e provas de que gostaria de confiar, ter como amigos, descansar ao seu redor. Gostaria de ver um pouco mais de gratidão nas pessoas, ou pelo menos acreditar que ainda há, gostaria de ter chance de me defender sempre que atacado, mesmo das coisas velhas, isso me faria bem. O filme por aqui por essas bandas anda meio sem final, o mal anda vencendo, a arrogância se perpetuando e as injustiças se multiplicando. Estava precisando dizer que tudo passa, estava precisando dizer que ainda é possível mudar, Estava precisando mesmo é de alguém legal pra conversar, de Bom Senso, só isso.

sábado, 10 de julho de 2010

Los dezessiete


Lembro-me a quando tive acesso algumas noções de espanhol através de um casal de missionários peruanos de uma igreja presbiteriana que eu freqüentava, tenho que admitir que sempre tive admiração pelas línguas latinas, mais a partir desse período me tornei um apaixonado por musicas castelhanas e italianas, aprendi uma porção delas, ouvi incansavelmente equilíbrio distante do Renato e alguns hinos cristãos centenários em castelhanos gravados em uma fica cassete velha que ganhara de um amigo.
Mas meu amor por musicas castelhanas vinha de um tempo bem anterior, quando certa vez ouvi na casa da minha professora de piano, simplesmente, a mais bela, singela, delicada, perfeita e suave voz de toda a minha vida, acompanhada de um dedilhado de violão quase que divino. Por quase 5 minutos fiquei inerte, apenas ouvindo aquela linda canção. A música chama-se Volver a los 17 cantada por Mercedes Sosa. Mercedes foi uma das mais lindas vozes que o mundo já ouviu, de uma afinação e firmeza vocal impar e uma capacidade de interpretação quase que divina. Mercedes era argentina, se foi há pouco tempo, mas sua voz continua por ai, humilhando muitos que dizem cantar.
Como se não fosse de esperar, quase ninguém a conhece no Brasil (“aqui nos gosta de rebolation”), sinceramente tenho pena de quem nunca ouviu Volver a los 17 ou qualquer outra música de Mercedes. Inclusive acho, que obras semelhantes deveriam ser obrigatório nas escolas, como forma de combater essa contra-cultura que anda nos bombardeando, mas isso é outra coisa, o que eu quero falar e sobre Volver a los 17 que na verdade, somente ficou imortalizada na voz de Mercedes Sosa, mas que é de autoria de Violeta Parra (fui descobrir isso bem depois), a canção é bem a minha cara, é saudosista, narra sutilmente a historia de alguém que volta a seus 17 anos depois de ter vivido por quase 100 anos, algo como a perfeita vivencia da vida, a junção da beleza da juventude com a experiência dos anos, algo almejado por 10 entre 10 pessoas com muitos anos de vida. Não me acho ainda vivido suficiente para ter a experiência dos 100 anos, mais gostaria muito de voltar a meus 17 anos com as coisas que sei hoje, às vezes me pego fazendo isso, transcendendo minha alma aos 17 anos e às vezes aos 15. É a possibilidade que ninguém pode nos tirar ou interferir, a transcendência é o ponto de sustentação da sanidade daqueles que sofrem, é o poder de se vingar silenciosamente de quem não gostamos ou quem nos faz mal, é a possibilidade de irmos onde bem entendemos e estarmos com quem quisermos, mesmo estando na mais fria e escura prisão do mundo. Sei que como de costume, vou receber críticas sobre esse texto, mas duvido, que haja alguém nesse mundo, que não transcende sua alma para lugares mais belos, mais calmos e serenos. Gosto da calma e do silêncio, nele a minha viagem de volta aos meus bons dias são mais profundos e reais.

Volver a Los 17
(Violeta Parra)
Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
es como descifrar signos sin ser sabio competente,
volver a ser de repente tan frágil como un segundo
volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va amarrando, amarrando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
el arca de las alianzas ha penetrado en mi nido
con todo su colorido se ha paseado por mis venas
y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va amarrando, amarrando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
nos aleja dulcemente de rencores y violencias
solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va amarrando, amarrando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
hasta el feroz animal susurra su dulce trino
detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
el amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va amarrando, amarrando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
entró el amor con su manto como una tibia mañana
al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
colando cual serafín al cielo le puso aretes
mis años en diecisiete los convirtió el querubín.

Voltar aos 17
Voltar aos dezessete depois de viver um século
é como decifrar signos sem ser sábio competente
voltar a ser de repente tão frágil como um segundo
voltar a sentir profundo como uma criança frente a
Deus
isso é o que eu sinto neste instante fértil.

Vai se amarrando, amarrando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

Meu passo recuado quando o de vocês avança
o arco das alianças penetrou em meu ninho
com todo seu colorido passeou por minhas veias
e até a dura corrente com a qual nos ata o destino
é como um diamante fino que ilumina minha alma serena


Vai se amarrando, amarrando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

O que pode o sentimento não o pôde o saber
nem o mais claro comportamento, nem o mais amplo
pensamento
tudo muda o momento qual mago condescendente
nos afasta docemente de rancores e violências
Só o amor com seu saber nos torna tão inocentes

Vai se amarrando, amarrando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

O amor é redemoinho de pureza original
Até o feroz animal sussurra seu doce canto
detém os peregrinos, libera os prisioneiros
o amor com seus caprichos o velho torna criança
e ao mau só o carinho o torna puro e sincero

Vai se amarrando, amarrando
como no muro a hera
e vai brotando, brotando
como o musguinho na pedra
como o musguinho na pedra, ai sim..., sim..., sim...

Completamente a janela se abriu como por encanto
entrou o amor com seu manto como uma morna manhã
ao som de seu belo toque fez brotar o jasmim
entrando qual serafim no céu colocou brincos
Meus anos em dezessete os converteu o querubim

Gostaria eu voltar a sentir profundo como uma criança frente Deus, ando me sentindo meio cinza por esses dias, sem cor, o resgate a inocência talvez seja a chave, mas como deixar de saber o que já se sabe? Seria a felicidade a arte de não saber o que nos deixa triste? Não saber dos rancores, das violências e das mentiras? Mas o amor liberta os prisioneiros, faz do velho criança. E faz o que é mal tornar-se puro e sincero, então, logo, é amor e a verdade, movido pela saudade, nos faz voltar aos 17 e nos apaixonarmos de novo pela vida, encontrarmos em um sonho bom nossos amorzinhos perdidos, nossos desejos esquecidos, nossos dias felizes. Logo presumo que nossa felicidade esta condicionada a uma boa saudade para que possamos voltar, assim como diz Rubem Alves:

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”
Ou Pablo Neruda:

...Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...

Mas o mais gostoso de voltar está no reencontro, presumo ser a palavra mais linda do mundo, é simplesmente tudo que queremos. Do encontro não sabemos nada, nada certo esperamos, mas do reencontro esperamos tudo, que todos nossas noites e noites de sonhos se realizem, que a luz seja exatamente leve, que o vento seja frio, que o perfume seja o mesmo que o silencio seja a trilha sonora mais intensa, que o abraço seja eterno que o toque da mão seja a cura da saudade que um olhar nos deixou.
Sempre sonhamos em nos reencontrar, cada um de nos tem algo pra reencontrar em algum lugar e pensa há anos no momento. No reencontro estão todas as nossas expectativas, tudo que esperamos na vida, muitas vezes o reencontro é com agente mesmo, muitos se perdem e nunca conseguem se encontrar, mas na maioria das vezes, esperamos reencontrar alguém que vai alegrar nossa alma, fazer de nosso espírito festa. Noutras vezes esperamos uma vida para reencontrar alguém que se perdeu dentro de si e essa pessoa nunca mais reaparece, deixa apenas um imenso vazio e silencio como resposta.
Mas onde mora o reencontro? Mora na essência do amor e da verdade, e faz com que voltemos a los 17 e sejamos felizes. Eu quero voltar ao interior de mim e ser mais forte, às vezes o que está pela frente não é para nós, muitas vezes apenas nos destrói, nos poda, nos castra. Lembro-me de um provérbio chinês que diz o seguinte:
"Com mentiras poderá ir em frente neste mundo, porém nunca poderá voltar atrás."
Nem sempre ir é o melhor, como muitos pensam, para ir, nem sempre é necessário ser honesto mas para voltar sim, por isso julgo voltar mais importante que ir. Por lá eu só encontro gente legal que me faz bem, que me fez feliz.